dom, 16 junho 2024
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‘Termômetro’ dos juros indica que algo não vai bem no governo

Assim como a febre é um indicador de que algo vai mal com o organismo, a paulatina elevação de taxas nos contratos futuros de juros nos últimos dias serve de alerta para um crescente desconforto no mercado financeiro com o rumos da política econômica. Por esse “termômetro”, os investidores passaram a antever uma economia com dificuldades extras para decolar, juros mais altos (ou, no mínimo, mantidos em patamares elevados por mais tempo), inflação fora da meta e o governo sem conseguir entregar a promessa de equilíbrio fiscal.

Esse desconforto não surgiu do nada. Entre banqueiros do eixo São Paulo-Rio, a avaliação ouvida pela coluna é de que, na briga entre a ala política do governo e a equipe econômica, o presidente Lula definitivamente optou pelo primeiro grupo. Significa um Lula mais aberto aos palpites de ministros como Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), e mais relutante ao que defendem um Fernando Haddad (Fazenda) ou uma Simone Tebet (Planejamento).

Rui Costa e Alexandre Silveira acabaram de emplacar Magda Chambriard na presidência da Petrobras. Não se discute a competência técnica da executiva, que será a oitava presidente da estatal em apenas oito anos. Mas é corrente a lembrança de que Magda já defendeu bandeiras que provocaram controvérsia no passado, como a exigência de conteúdo nacional na indústria de petróleo.

Sua escolha também foi vista como sinal de maior intervencionismo na Petrobras, com a aceleração de projetos do seu plano de investimento. Entre eles, novas encomendas a estaleiros locais – uma bandeira cara ao presidente, mas que não deu certo em mandatos anteriores do PT. Não à toa, o ministro de Minas e Energia, a quem a Petrobras está subordinada, disse em entrevista ao “O Estado de S.Paulo” que a empresa não pode perder de vista “o interesse nacional”. Detalhe importante: depois de bancar a permanência de Jean Paul Prates, Haddad não foi consultado previamente por Lula sobre o nome de Magda.

Também tem “sobrado” para Simone Tebet. A ministra do Planejamento já anunciou que prepara um pacote com sugestões de cortes de gastos para apresentar a Lula até o fim do ano. A menção à só uma dessas propostas já fez soar o alarme no Planalto: acabar com a vinculação que existe hoje entre a correção de benefícios previdenciários e o salário mínimo.

O argumento é de que o aumento contínuo de despesas com essa sistemática vai asfixiar ainda mais o Orçamento federal nos próximos anos, engolindo recursos de outras áreas. Tebet acabou sendo desautorizada por outros colegas da Esplanada dos Ministérios. Questionada, ela respondeu que sua obrigação é apresentar o pacote, e que caberá a Lula a “decisão política” de aceitar as propostas ou engavetá-las de vez.

A supremacia da alta política sobre a equipe econômica abre caminho para dois efeitos. O primeiro, no campo político, é o governo Lula se afastando do grande arco de partidos e ideologias que garantiu a vitória do petista em 2022. Na seara da economia, é a ideia de um “Estado indutor”, que no passado recente terminou em descontrole de gastos e maior endividamento do Tesouro. Depois, não adianta o governo culpar o “termômetro” pelo estrago que ele próprio causou.

Por VEJA

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