Bactéria não é uma questão de esquerda e direita’, diz ministro da Saúde sobre polêmica do detergente Ypê
13 de maio de 2026 Postado em: Destaques Saúde Nenhum comentário
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez um alerta sobre a disputa política e ideológica que foi criada em torno do caso da contaminação por uma bactéria de detergentes e outros produtos da marca Ypê, reforçando que o problema é uma questão sanitária e que nada tem a ver com posições ou opiniões.
“Uma bactéria em um detergente não é uma questão de esquerda ou direita. Não importa em quem você votou ou pretende votar. A acusação de perseguição à empresa [Ypê] não faz nenhum sentido. A inspeção que encontrou irregularidades na fábrica foi feita por técnicos da Anvisa nacional, com a vigilância sanitária do governo do estado de São Paulo, que não é do PT, e da prefeitura de Amparo, que não foi indicada pelo presidente Lula. Ou seja, ligada a três governos diferentes. E o diretor da Anvisa que é responsável por essa área que determina a suspensão [da venda de produtos] foi indicado pelo governo Bolsonaro, foi, inclusive, secretário do ministro da Saúde do Bolsonaro”, declarou Padilha em um vídeo publicado nas redes sociais.
O argumento de que a Ypê estaria sendo perseguida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso que aponta contaminação concreta dos produtos por uma perigosa bactéria passou a ser disseminado por políticos bolsonaristas de grande expressão, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que publicou um vídeo no qual faz tal relação.
Segundo Nikolas, o fato de os donos da Ypê terem doado 1,5 milhão de reais para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 teria sido determinante para a Anvisa fazer a proibição da venda dos produtos, de maneira a beneficiar sua concorrente, a Minuano, que pertence aos irmãos Wesley e Joesley Batista, apontados como aliados de Lula pelo parlamentar.
O movimento gerou adesão de apoiadores, que passaram a fazer sátiras da proibição da Anvisa e até a publicar fotos e vídeos em que aparecem supostamente bebendo o detergente contaminado da Ypê.
“Ninguém está tentando destruir empresa nenhuma. Estamos falando de um risco sério: a bactéria que foi encontrada em produtos [da Ypê] pode desenvolver resistência a antibióticos. Não dá para arriscar. O alerta é para produtos com o lote com final um. Se você encontrar esses produtos na sua casa, não utilize, não jogue fora e não beba. Deixe guardado em lugar seguro. Dependendo da decisão final da Anvisa, a empresa será obrigada a recolher e ter que te ressarcir”, completou Padilha.
Em outro momento, o ministro da Saúde também comparou a situação com as posições políticas que surgiram durante a pandemia da Covid-19, quando os bolsonaristas criticavam a vacinação e defendiam o uso de medicamentos sem eficácia. Ele ainda lembrou algumas dessas posições negacionistas e associou a fortes apoiadores de Jair Bolsonaro, como o empresário Luciano Hang, que, agora, no caso da Ypê, chegou a publicar um vídeo no qual aparece utilizando o produto proibido e menosprezando a gravidade da situação.
“Quem, hoje, está fazendo gracinha, lavando louça [com esses produtos Ypê contaminados], estava, até outro dia, aplaudindo quem fez chacota de pessoas morrendo sem oxigênio na pandemia [da Covid-19], falando que a vacina ia te transformar em jacaré, deixando de comprar vacina para gastar dinheiro público em cloroquina. Quem você acha que está preocupado com a sua saúde? Técnicos da Anvisa, da vigilância do estado de São Paulo, da prefeitura de Amparo ou essa turma?”, finalizou o ministro.
Via PE Notícias








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