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Petrolândia, Memória Viva: em 1982, trabalhadores rurais temiam cortes na Emergência em meio à seca no Sertão

21 de setembro de 2026 Postado em: Destaques História Pernambuco Pernambuco Notícias Petrolândia - PE Petrolândia Notícias Petrolândia-PE Sertão Nenhum comentário


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Reportagem do Diario de Pernambuco mostrou a apreensão de famílias de Petrolândia diante da ameaça de desligamentos do programa; sindicatos cobravam ampliação das vagas enquanto agricultores ainda enfrentavam os efeitos da estiagem

Em mais uma edição do quadro Petrolândia, Memória Viva, retornamos às páginas do Diario de Pernambuco para resgatar um retrato das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores rurais do município no início da década de 80.

Na quarta-feira, 10 de fevereiro de 1982, na página A-12, o jornal publicou a reportagem intitulada “Emergência afasta camponês no Sertão”. Logo acima da manchete, uma fotografia de trabalhadores acompanhada da legenda “Ameaças de corte preocupam os trabalhadores em Petrolândia” antecipava o clima de incerteza vivido naquele momento.

A matéria relatava que os trabalhadores rurais de Petrolândia haviam iniciado o ano sob ameaça de cortes na chamada Emergência, programa utilizado naquele período para empregar e auxiliar moradores atingidos pela seca.

Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, embora até aquele momento não tivesse ocorrido corte na Cidade Livre, havia receio de que a Prefeitura promovesse desligamentos nos dias seguintes. Em outras localidades, de acordo com o relato publicado pelo jornal, os cortes já estavam acontecendo.

Mulheres estavam entre as principais preocupações

A reportagem destacava particularmente a situação das mulheres cadastradas no programa.

Conforme o texto, muitas trabalhavam com picaretas e contribuíam diretamente para o sustento de famílias numerosas, algumas com quatro, cinco e até oito filhos menores.

Diante da possibilidade de desligamentos, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia encaminhou um telegrama ao então prefeito José Dantas, protestando contra os cortes.

O prefeito, por sua vez, respondeu que os desligamentos reclamados estariam relacionados à correção de uma situação que considerava irregular: o alistamento de mulheres ao mesmo tempo que seus respectivos maridos também estavam inscritos.

A justificativa, porém, era contestada pelas lideranças rurais. Segundo a reportagem, os sindicalistas afirmavam que a situação dos trabalhadores continuava difícil e que a miséria aumentava diariamente.

Trabalhadores pediam mais de 300 vagas

Em vez de reduzir o número de pessoas atendidas, os trabalhadores defendiam a ampliação da Emergência.

A reportagem informa que as lideranças reivindicavam do Governo do Estado a liberação de mais de 300 vagas para Petrolândia, argumentando que ainda havia muitas pessoas necessitando de alistamento.

O próprio prefeito estaria preparando uma relação com mais de 200 nomes, somente na Cidade Livre.

O jornal apresentou ainda o exemplo de um trabalhador cuja situação era descrita como particularmente difícil: ele era pai de cinco filhos menores e precisava sustentar a família com Cr$ 5.740,00, além de enfrentar a possibilidade de a esposa ser desligada do programa.

Os camponeses ouvidos pela reportagem afirmavam que desejavam ver o prefeito sustentando uma família de trabalhador da Emergência com aquele valor mensal.

Seca continuava atingindo Petrolândia

O problema dos cortes acontecia em meio à permanência da estiagem.

Depois de tentativas de solucionar a situação sem resultado, os trabalhadores rurais decidiram enviar telegramas a autoridades, entre elas governador, prefeito, vereadores, Fiam e secretário do Planejamento, denunciando os cortes nas frentes de trabalho e reivindicando a expansão do Plano da Emergência.

O argumento central era que a seca continuava castigando o município e não havia perspectiva de inverno suficiente para tranquilizar os agricultores.

O próprio texto reproduziu a manifestação dos trabalhadores:

“Não chove em nosso município. Algumas cidades já receberam a graça de uma chuva, mas nós só vimos poucos pingos. A terra continua seca.”

A declaração revela a dimensão da preocupação de quem dependia diretamente da agricultura para sobreviver.

Trabalhadores da construção civil também manifestaram apoio

A mobilização não ficou restrita ao campo.

Segundo o Diario de Pernambuco, trabalhadores da construção civil encaminharam uma “carta de apoio aos trabalhadores atingidos pela seca” ao prefeito de Petrolândia.

O documento manifestava solidariedade às famílias afetadas e defendia a continuidade do Programa de Construção de Obras Públicas e o aumento do número de pessoas alistadas.

A Associação Profissional dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Petrolândia também anunciou que ampliaria a divulgação da situação enfrentada pelos camponeses, buscando sensibilizar pessoas e instituições para que apoiassem o documento.

Mais de 500 alistamentos eram solicitados para Petrolândia

A reportagem termina mostrando que a reivindicação era ainda maior.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais estava encaminhando ao prefeito e à Fiam um pedido de mais de 500 alistamentos para Petrolândia.

Junto à solicitação, a entidade enviava relações nominais contendo 242 trabalhadores rurais, homens e mulheres da Cidade Livre, que, segundo as lideranças, estavam necessitando de alistamento.

O documento revelava, portanto, a dimensão da procura pelo programa e a dependência de muitas famílias das frentes emergenciais de trabalho naquele período.

Um retrato da luta pela sobrevivência no Sertão

Quarenta e quatro anos depois, a reportagem de fevereiro de 1982 ajuda a compreender outra página da história social de Petrolândia.

Dois anos antes, em abril de 1980, o próprio Diario de Pernambuco já havia registrado os graves prejuízos provocados pela estiagem no município. Naquela ocasião, lavouras eram perdidas, açudes e barreiros estavam secos e famílias deixavam áreas rurais em busca de água e alimentos.

Em 1982, a seca continuava presente no cotidiano da população, mas o registro jornalístico colocava em evidência outra consequência: a luta pela manutenção das frentes de trabalho que garantiam renda a centenas de famílias.

A fotografia de homens e mulheres trabalhando sob o sol, utilizando ferramentas manuais, tornou-se também um documento daquele período. Não mostra apenas uma frente de serviço, mas uma geração de trabalhadores enfrentando a falta de chuva e buscando meios de sustentar suas famílias.

É esse capítulo que o Petrolândia, Memória Viva recupera: a história de uma Petrolândia sertaneja marcada pela seca, mas também pela organização dos trabalhadores, pela atuação dos sindicatos e pelas reivindicações por condições de sobrevivência.

VEJA ABAIXO O RECORTE DO JORNAL DA EPÓCA:

FOTO ORIGINAL DA EPÓCA:

Redação do Blog PN Petrolândia Notícias | Fonte histórica: Diario de Pernambuco, quarta-feira, 10 de fevereiro de 1982, página A-12 — reportagem “Emergência afasta camponês no Sertão”.

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