Petrolândia, Memória Viva: em 1979, O Globo denunciava o desaparecimento de 5.815 km de ferrovias; Petrolândia já havia perdido seus trilhos

27 de outubro de 2026 Postado em: História Pernambuco Pernambuco Notícias Petrolândia - PE Petrolândia Notícias Petrolândia-PE Sertão Nenhum comentário


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Reportagem publicada em 23 de setembro de 1979 revelava a extinção de mais de cinco mil quilômetros de linhas férreas no Brasil. Em Petrolândia, a histórica Estrada de Ferro Paulo Afonso, que ligava o município a Piranhas, em Alagoas, havia encerrado suas operações em 1964.

O quadro Petrolândia, Memória Viva, do Blog PN Petrolândia Notícias, resgata mais um importante documento da imprensa brasileira que ajuda a compreender um período de profundas transformações no transporte ferroviário nacional e suas consequências para cidades do interior, incluindo Petrolândia, no Sertão de Pernambuco.

Em 23 de setembro de 1979, um domingo, o jornal O Globo publicou, na página 19 do caderno Grande Rio, uma extensa reportagem intitulada “Em 15 anos, extintos 5.815 km de linhas férreas”.

A matéria trazia ainda uma chamada contundente: “RFF tem um órgão só para erradicar ferrovias”.

O levantamento jornalístico denunciava a redução da malha ferroviária brasileira, destacando que milhares de quilômetros de trilhos haviam sido retirados de circulação em apenas 15 anos.

Embora a reportagem não mencionasse diretamente Petrolândia, o assunto tinha uma ligação especial com a história do município, que já havia perdido uma das ferrovias mais importantes para sua formação e desenvolvimento.

O Brasil perdia milhares de quilômetros de ferrovias

Segundo a reportagem de O Globo, nos 15 anos anteriores a setembro de 1979, a Rede Ferroviária Federal havia eliminado 5.815 quilômetros de linhas férreas.

O número correspondia a 24,5% da extensão ferroviária considerada pelo levantamento, que apontava uma malha de 23.789 quilômetros.

A publicação destacava o contraste entre os planos governamentais de ampliar as alternativas de transporte e a decisão de desativar ramais ferroviários, principalmente em localidades do interior.

De acordo com o jornal, a justificativa apresentada para os fechamentos era a existência de linhas consideradas deficitárias ou antieconômicas.

A matéria também mencionava a atuação do Grupo Executivo para Substituição de Ferrovias e Ramais Antieconômicos (Gesfra), vinculado ao Ministério dos Transportes.

O levantamento alertava que outros 2.975 quilômetros de ferrovias poderiam ser eliminados, além daqueles que já haviam desaparecido.

Petrolândia também conheceu o fim de uma ferrovia

Muito antes da reportagem de 1979, Petrolândia já havia vivenciado uma transformação semelhante.

O município foi ponto final da histórica Estrada de Ferro Paulo Afonso, construída durante o período imperial para estabelecer uma ligação entre Piranhas, em Alagoas, e Jatobá, antigo nome de Petrolândia.

A ferrovia foi inaugurada em 1883 e possuía aproximadamente 116 quilômetros de extensão. Sua finalidade era permitir o transporte de passageiros e mercadorias entre pontos do rio São Francisco separados por cachoeiras e corredeiras que dificultavam a navegação.

Na época, a construção da estrada de ferro contribuiu diretamente para o crescimento do povoado de Jatobá, que posteriormente se tornaria Petrolândia.

A presença da estação ferroviária e do porto fluvial favoreceu a circulação de pessoas, produtos e comerciantes, transformando a localidade em um importante ponto de conexão regional.

O encerramento das atividades em 1964

Depois de aproximadamente oito décadas de funcionamento, a Estrada de Ferro Paulo Afonso encerrou suas operações em 1964.

Assim como ocorreu com diversos ramais ferroviários brasileiros, a justificativa econômica foi utilizada para explicar a desativação da linha.

Para Petrolândia, o fim da ferrovia representou o encerramento de uma atividade diretamente ligada à origem e ao desenvolvimento da antiga cidade.

Os trens que durante gerações transportaram passageiros e mercadorias deixaram de percorrer os trilhos que conectavam o município ao território alagoano.

Quando O Globo publicou, em setembro de 1979, sua reportagem sobre o desaparecimento de milhares de quilômetros de ferrovias brasileiras, já haviam se passado cerca de 15 anos desde a interrupção das atividades ferroviárias em Petrolândia.

É uma coincidência histórica significativa: o mesmo intervalo de 15 anos destacado na manchete nacional correspondia, aproximadamente, ao tempo em que Petrolândia já estava sem o seu antigo trem.

Uma reportagem que ajuda a compreender a história local

A reportagem de 1979 também apresentou fotografias de antigos vagões de passageiros, mostrando as dificuldades enfrentadas por usuários que ainda dependiam de determinados serviços ferroviários.

Entre os problemas mencionados estavam viagens demoradas, atrasos, vagões antigos e condições precárias de conforto.

O jornal também publicou relações de ramais desativados e de linhas que ainda funcionavam no interior brasileiro.

Esses registros revelam um momento em que o transporte ferroviário perdia espaço, enquanto as rodovias assumiam importância crescente na circulação de passageiros e mercadorias.

No caso de Petrolândia, a desativação da Estrada de Ferro Paulo Afonso ocorreu antes da reportagem de O Globo, mas faz parte desse processo histórico mais amplo de enfraquecimento das ligações ferroviárias regionais.

É importante destacar que as fotografias publicadas pelo jornal retratavam serviços ferroviários de outras localidades, não sendo registros da antiga estação de Petrolândia.

Dos trilhos à transformação da antiga Petrolândia

A história ferroviária do município começou ainda no século XIX, quando a localidade era conhecida como Jatobá.

O desenvolvimento proporcionado pela ferrovia ajudou a consolidar o povoado, que mais tarde receberia o nome de Petrolândia.

Décadas depois do encerramento das atividades ferroviárias, o município passaria por outra grande transformação: a transferência da antiga cidade em razão da formação do reservatório da Barragem de Itaparica, em 1988.

Assim, a memória da antiga Petrolândia reúne diferentes capítulos de mudanças no transporte, na economia e na própria organização urbana.

A estação ferroviária, os trilhos e os antigos trens continuam sendo parte fundamental dessa trajetória.

Uma história que não pode ser esquecida

Quase cinco décadas após a publicação de O Globo, o documento de 23 de setembro de 1979 permite revisitar uma época em que o Brasil discutia a eliminação de importantes ligações ferroviárias.

Para Petrolândia, a reportagem desperta lembranças de um tempo ainda mais distante, quando os trilhos da Estrada de Ferro Paulo Afonso faziam parte da vida da população.

O Petrolândia, Memória Viva recupera esse registro para mostrar que a história local também pode ser compreendida por meio de acontecimentos nacionais que marcaram municípios e gerações inteiras.

E você, conhece histórias sobre a antiga estação ferroviária de Petrolândia? Seus pais ou avós chegaram a viajar no trem que ligava Jatobá a Piranhas? Compartilhe fotografias, documentos e lembranças com o Blog PN Petrolândia Notícias.

Fonte principal: Jornal O Globo, domingo, 23 de setembro de 1979, caderno Grande Rio, página 19. Reportagem: “Em 15 anos, extintos 5.815 km de linhas férreas”.

Pesquisa histórica complementar: Prefeitura de Petrolândia, Fundação Joaquim Nabuco e registros históricos sobre a Estrada de Ferro Paulo Afonso.

VEJA A REPORTAGEM DE O GLOBO ABAIXO:

VEJA AS FOTOS:

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Por Alex Santos – Blog PN Petrolândia Notícias.

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