Petrolândia, Memória Viva: em 1962, O Estado de S. Paulo destacava cultivo de cana e técnicas de irrigação dos agricultores de Petrolândia

29 de outubro de 2026 Postado em: Agricultura Destaques História Pernambuco Pernambuco Notícias Petrolândia - PE Petrolândia Notícias Petrolândia-PE Nenhum comentário


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Há 64 anos, reportagem publicada em 21 de março de 1962, na página 19 do jornal O Estado de S. Paulo, registrava técnicas utilizadas por pequenos agricultores de Petrolândia para produzir mudas de cana-de-açúcar, além de abordar a salinização dos solos irrigados no Sertão pernambucano.

O quadro Petrolândia, Memória Viva, do Blog PN Petrolândia Notícias, resgata mais um importante documento histórico que revela aspectos da vida e do trabalho no município durante a primeira metade da década de 1960.

Desta vez, voltamos ao dia 21 de março de 1962, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou, na página 19 de sua edição, uma nota intitulada “Viveiro de cana”, destacando práticas agrícolas desenvolvidas por sitiantes de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco.

O pequeno registro jornalístico, publicado há mais de seis décadas, apresenta informações sobre o cultivo da cana-de-açúcar, os canais de irrigação e os desafios enfrentados pelos agricultores para aproveitar as terras da região.

Agricultores de Petrolândia utilizavam canais de irrigação para produzir mudas

Segundo a publicação, os pequenos produtores rurais de Petrolândia adotavam uma técnica de preparação de mudas de cana-de-açúcar junto aos canais de irrigação.

O objetivo era favorecer o enraizamento das plantas antes de transferi-las para o local definitivo de cultivo.

A nota descrevia que, após essa primeira etapa, os agricultores transplantavam as mudas, conseguindo um elevado percentual de pegamento, expressão utilizada na agricultura para indicar o sucesso no estabelecimento das plantas após o transplante.

A prática relatada demonstra como os agricultores locais aproveitavam a disponibilidade de água para desenvolver suas lavouras e melhorar os resultados do plantio.

O registro também evidencia o conhecimento prático acumulado pelos trabalhadores rurais, que adaptavam suas técnicas às condições ambientais da região.

Cana-de-açúcar e a preocupação com a salinização do solo

Um dos pontos mais curiosos da publicação é a referência a uma crença existente entre alguns agricultores da época.

Segundo O Estado de S. Paulo, produtores de Petrolândia acreditavam que a cana-de-açúcar poderia contribuir para a retirada de sais acumulados no terreno.

O jornal, entretanto, ressaltava que essa possibilidade precisava ser melhor estudada pelos especialistas do Vale do São Francisco.

Na sequência, a publicação explicava que a drenagem das terras irrigadas era considerada o procedimento mais adequado para reduzir o excesso de sais, permitindo que eles fossem transportados pela água drenada.

A observação revela que, já em 1962, a salinização dos solos estava presente nas discussões relacionadas à agricultura irrigada no Sertão.

Embora a hipótese sobre a capacidade da cana-de-açúcar de dessalinizar o terreno fosse mencionada pelos agricultores, a reportagem não apresentava comprovação científica dessa propriedade.

Plantio de algodão também era destaque

Outro detalhe interessante do registro histórico é a referência ao cultivo de algodão.

A publicação mencionava uma plantação da variedade Sakha 4, descrita como estando em bom estado de desenvolvimento.

A presença dessa cultura demonstra que o registro não se limitava à cana-de-açúcar, mas também chamava atenção para outras experiências agrícolas desenvolvidas na região.

Naquele período, o algodão estava entre as culturas de interesse para a agricultura nordestina, especialmente em áreas sujeitas às condições climáticas do semiárido.

A nota de 1962 é, portanto, um testemunho da diversidade de cultivos e das experiências realizadas nas terras irrigadas de Petrolândia.

Petrolândia já tinha uma história ligada à agricultura irrigada

O documento também ajuda a recordar um período anterior às grandes transformações que o município enfrentaria nas décadas seguintes.

Na década de 1960, Petrolândia ainda ocupava sua antiga localização, e a agricultura desempenhava um papel importante na economia das comunidades rurais.

A região já acumulava experiências de produção agrícola com aproveitamento das águas do rio São Francisco, especialmente por meio de iniciativas de irrigação e colonização agrícola.

Essas atividades antecederam em muitos anos a formação do reservatório da Barragem de Itaparica e a transferência da antiga cidade, realizada em 1988.

A reportagem publicada pelo jornal paulista mostra que as práticas desenvolvidas por agricultores petrolandenses despertavam interesse para além das fronteiras de Pernambuco.

Mais do que uma simples nota sobre o cultivo da cana, o texto preserva um retrato das técnicas, dos desafios e das experiências agrícolas de uma Petrolândia que ainda vivia muito antes das transformações provocadas pela barragem.

Um pequeno recorte que preserva uma grande história

Passados 64 anos, a publicação de 21 de março de 1962 permite conhecer um pouco mais sobre a rotina dos sitiantes de Petrolândia e a importância que a agricultura irrigada já possuía na região.

O registro revela agricultores buscando melhorar o desenvolvimento das mudas, utilizando canais de irrigação e observando as características dos solos cultivados.

Também mostra que questões como o aproveitamento da água e o controle da salinidade já eram discutidas naquela época.

O Petrolândia, Memória Viva recupera esse documento para valorizar a história dos trabalhadores rurais e preservar acontecimentos que ajudam a compreender as origens e o desenvolvimento agrícola do município.

Você conheceu os antigos viveiros de cana-de-açúcar ou as áreas irrigadas da Velha Petrolândia? Sua família trabalhou com o cultivo de cana ou algodão naquela época? Compartilhe suas lembranças com o Blog PN Petrolândia Notícias e ajude a preservar mais esse capítulo da nossa história.

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Redação do Blog PN Petrolândia Notícias | Fonte histórica: Jornal O Estado de S. Paulo, edição de 21 de março de 1962, página 19. Nota original: “Viveiro de cana”.

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