Petrolândia, Memória Viva: em 1959, O Estado de S. Paulo revelava que charqueada construída em Petrolândia acabou transformada em fábrica de goiabada
4 de novembro de 2026 Postado em: História Pernambuco Pernambuco Notícias Petrolândia - PE Petrolândia Notícias Petrolândia-PE Sertão Nenhum comentário
Reportagem publicada em 1º de outubro de 1959 mostrava um prédio construído durante a gestão do ex-ministro da Agricultura Apolônio Sales para abrigar uma charqueada. Segundo o jornal, a estrutura não cumpriu sua finalidade original e passou a ser utilizada pela Comissão do Vale do São Francisco na fabricação de goiabada.
O quadro Petrolândia, Memória Viva, do Blog PN Petrolândia Notícias, resgata mais um capítulo pouco conhecido da história do município, registrado nas páginas de um dos mais tradicionais jornais brasileiros.
Desta vez, voltamos ao dia 1º de outubro de 1959, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou, na página 9, uma reportagem que apresentava críticas ao funcionamento de iniciativas de desenvolvimento econômico no Vale do São Francisco.
O material, que integrava a série jornalística “São Francisco, rio missionário”, assinada por Rubens Rodrigues dos Santos, trazia uma fotografia de um grande prédio construído em Petrolândia para abrigar uma fábrica de charque, produto obtido por meio da salga e secagem da carne bovina.
O que chama atenção é que, segundo o jornal, a estrutura não chegou a cumprir a finalidade para a qual havia sido planejada. Em vez de produzir charque, o prédio passou a ser utilizado como uma fábrica de goiabada.
Uma charqueada construída durante a gestão de Apolônio Sales
A reportagem informava que a construção havia sido realizada durante a gestão de Apolônio Sales no Ministério da Agricultura.
Pernambucano e engenheiro-agrônomo, Apolônio Sales ocupou o ministério durante o governo de Getúlio Vargas, entre 1942 e 1945, retornando brevemente ao cargo em 1954.
Sua atuação esteve ligada a projetos de desenvolvimento agrícola e aproveitamento econômico da região do São Francisco.
Em Petrolândia, o projeto da charqueada representava uma iniciativa de industrialização, com a proposta de aproveitar a produção pecuária e agregar valor aos produtos de origem animal.
Entretanto, a execução do empreendimento, conforme relatou O Estado de S. Paulo, encontrou uma dificuldade que comprometia sua própria finalidade.
Jornal afirmava que não havia gado suficiente para justificar o empreendimento
Um dos trechos mais surpreendentes da publicação descrevia o motivo pelo qual a charqueada não teria entrado em funcionamento conforme o planejamento original.
De acordo com o jornal, depois de concluída a construção, constatou-se que a região não dispunha de gado para abastecer a unidade.
A observação foi apresentada como uma crítica à falta de planejamento do investimento público.
O recorte, entretanto, não apresenta levantamentos pecuários ou documentos técnicos que permitam confirmar a dimensão dessa alegada escassez de animais. Trata-se, portanto, de uma afirmação da reportagem de 1959.
A situação levantava uma questão importante: como construir uma unidade destinada ao processamento de carne sem assegurar previamente as condições necessárias para seu abastecimento?
De fábrica de charque a fábrica de goiabada
Sem cumprir a função inicialmente prevista, o prédio ganhou uma utilização bastante diferente.
A reportagem informava que a estrutura estava sendo aproveitada pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF) como uma fábrica de goiabada.
Criada em 1948, a CVSF era responsável por iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico e ao aproveitamento dos recursos da bacia do rio São Francisco.
Entre seus objetivos estava o estímulo à produção e à industrialização de produtos agrícolas regionais.
Em Petrolândia, a utilização do antigo prédio da charqueada para o processamento de goiaba aparecia como uma tentativa de aproveitar a estrutura já existente.
No entanto, a avaliação feita pelo jornalista foi bastante negativa.
A publicação mencionava improvisações, problemas de higiene e baixa produtividade, atribuindo essas condições ao funcionamento da unidade.
As críticas refletem as observações apresentadas pela reportagem naquela época e não devem ser confundidas com conclusões de uma fiscalização sanitária ou auditoria técnica, cujos documentos não aparecem no recorte.
O registro fotográfico da antiga construção
Um dos elementos mais importantes do documento histórico é a fotografia publicada pelo jornal.
A imagem mostra um prédio de grandes proporções, com dois pavimentos aparentes, diversas janelas e uma estrutura que chama atenção pelo porte.
A construção foi identificada na legenda como o imóvel originalmente destinado à charqueada de Petrolândia.
O registro tem especial valor histórico porque permite conhecer uma instalação ligada aos antigos projetos de industrialização do município, décadas antes da transferência da cidade em consequência da Barragem de Itaparica.
A reportagem não informa o endereço exato da fábrica, a data de conclusão da obra, os valores investidos ou por quanto tempo a produção de goiabada permaneceu em funcionamento.
Também não esclarece o destino posterior da construção.
Essas informações permanecem como pontos importantes para futuras pesquisas históricas.
Petrolândia já aparecia em projetos agroindustriais na década de 1940
A existência desse empreendimento também deve ser compreendida dentro das políticas de desenvolvimento agrícola elaboradas para a região nas décadas de 1940 e 1950.
Em 22 de julho de 1942, o governo de Getúlio Vargas editou o Decreto-Lei nº 4.505, criando o Núcleo Colonial Agro-Industrial São Francisco, no então município de Itaparica, em Pernambuco.
A legislação autorizava investimentos e a aquisição de imóveis e materiais destinados à instalação do núcleo.
O documento demonstra que, anos antes da reportagem de 1959, já existiam iniciativas oficiais para promover atividades agroindustriais na região.
Embora o decreto não permita identificar, por si só, a construção da charqueada fotografada pelo jornal, ele ajuda a contextualizar o período em que esses empreendimentos eram incentivados pelo governo federal.
Uma história que merece ser recuperada
Passados 67 anos, a reportagem de O Estado de S. Paulo revela um episódio curioso e pouco conhecido da história econômica de Petrolândia.
A construção de uma fábrica para processar carne bovina, posteriormente utilizada na fabricação de goiabada, mostra como projetos públicos poderiam sofrer mudanças de finalidade diante de dificuldades de planejamento e execução.
Mais do que uma crítica administrativa publicada em 1959, o documento representa uma oportunidade de conhecer estruturas e atividades econômicas que fizeram parte da antiga Petrolândia.
Também desperta perguntas que merecem ser investigadas: onde ficava exatamente a charqueada? Quem trabalhou na fábrica de goiabada? Qual foi o destino do prédio? A estrutura permaneceu de pé até a transferência da cidade?
O Petrolândia, Memória Viva recupera essa história para preservar um registro da época em que o município recebia investimentos voltados à industrialização e ao aproveitamento dos produtos agrícolas do Vale do São Francisco.
E você, leitor, já ouviu falar da antiga charqueada ou da fábrica de goiabada de Petrolândia? Conhece alguém que trabalhou nesse local ou guarda fotografias da construção? Compartilhe suas lembranças com o Blog PN Petrolândia Notícias e ajude a reconstruir mais esse capítulo da nossa história.
VEJA O RECORTE DO JORNAL:

FOTO COLORIDA COM AJUDA DE IA:

Fonte histórica: O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 1º de outubro de 1959, página 9. Série “São Francisco, rio missionário” (VI), de Rubens Rodrigues dos Santos.
Fontes complementares: Decreto-Lei nº 4.505, de 22 de julho de 1942; registros históricos do Ministério da Agricultura e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Redação do Blog PN Petrolândia Notícias









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