Petrolândia Notícias – Obras de transposição do São Francisco estão paradas desde janeiro em três estados

Obras de transposição do São Francisco estão paradas desde janeiro em três estados

17 de abril de 2023 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Atraso na obra, rompimentos de trechos de canal e dificuldades técnicas para manter o funcionamento regular de mega conjuntos de motores-bomba vêm marcando a complexa e polêmica obra de transposição das águas do Rio São Francisco. O mais recente problema ocorreu em novembro de 2022. Por meio de nota, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), esclareceu que “na EBI-3, foram detectadas, em novembro de 2022, anomalias no funcionamento da bomba. Após verificação, para conservação da estrutura e segurança dos trabalhadores envolvidos, foi decidida a paralisação da bomba, ocorrida em janeiro desse ano”.

O MIDR confirmou que o trecho paralisado atende o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, mas frisou que “não há desabastecimento em nenhum dos estados”. A pasta frisou que “acionou o fabricante da bomba e está atuando para normalizar a situação o quanto antes. A previsão é que a estrutura volte à normalidade no fim de maio de 2023, podendo ser reestabelecida antes”.

O então titular da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Francisco Teixeira, desde o início da transferência de água para o estado sempre defendeu a ideia de que seria mais viável que a operação de transposição ocorresse no primeiro semestre de cada ano, coincidindo com o período chuvoso (fevereiro a maio) para aproveitar as calhas naturais de terra e pedra cheias dos rios Salgado e Jaguaribe e evitar desperdício por infiltração no solo.

Para o Ceará, o principal papel da transposição é abastecer o maior açude do estado, o Castanhão que acumula atualmente 28% de sua capacidade que é de 6,7 bilhões de metros cúbicos. No início deste ano, o reservatório registrava 19,9% de volume máximo acumulados.

A transferência de água do Rio São Francisco para o Ceará a partir de estações de bombeamento em Salgueiro (PE) começou em junho de 2020. No ano seguinte, em meio a um período de chuvas abaixo da média, a transposição mesmo reduzida permitiu que o Governo do Ceará alocasse água para o sistema de abastecimento de Fortaleza.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf) foi iniciado em 2007, em meio a polêmicas e resistências. Para o secretário Executivo da SRH, Aderilo Alcântara, o “projeto da transposição das águas do Rio São Francisco é complexo e exige serviços de engenharia, técnicos, de manutenção e de operação de forma permanente”. Alcântara disse esperar uma retomada com urgência da transferência de água “para aproveitar que os rios estão cheios e a água possa chegar em maior quantidade e velocidade ao Castanhão”. E por último frisou que “todas as providências já estão sendo adotadas pelo governo federal”.

Dois pontos merecem destaque: como os rios estão cheios e os açudes recebem recarga da chuva, no momento não há cobrança, pressão sobre a transposição. O setor produtivo agropecuário, entretanto, quer a transposição por entender também que a disponibilidade maior de água nos reservatórios para a irrigação e consumo humano, é transitória.

Caminho das Águas

No Ceará, a água segue para os rios Salgado e Jaguaribe após percorrer trecho de 53 km do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), pelo Riacho Seco. Antes da chegada ao Açude Castanhão, a água passa pelas cidades cearenses de Jati, Missão Velha, Icó, Aurora, Lavras da Mangabeira, Jaguaribe e Jaguaribara.

O reservatório foi construído para dar segurança hídrica para as regiões do Médio e Baixo Jaguaribe e para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde moram cerca de 45% da população do estado, além de abastecimento de empresas comerciais e industriais, o que inclui as plantas instaladas no Porto do Pecém.

O Pisf tem como principal objetivo a garantia da segurança hídrica para os 390 municípios dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A infraestrutura hídrica do Projeto deve assegurar a disponibilidade de água bruta aduzida do Rio São Francisco para que não haja escassez. Não visa o abastecimento diário dessas regiões, que é realizado pelas companhias de água, por meio da captação e armazenamento em reservatórios.

Via PE Notícias

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