Natação na infância pode favorecer aprendizagem e desenvolvimento escolar, aponta pesquisa

2 de novembro de 2026 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Foto: José Ribeiro/LUSA

A prática da natação nos primeiros anos de vida pode estar associada ao desenvolvimento de habilidades importantes para a entrada na escola. Uma pesquisa conduzida na Austrália encontrou diferenças em atividades de linguagem, matemática e compreensão de instruções entre crianças que frequentavam aulas de natação e os padrões de desenvolvimento esperados para a mesma faixa etária.

O levantamento, realizado ao longo de quatro anos, reuniu informações de quase 7 mil participantes e incluiu a avaliação individual de 177 crianças pequenas. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Robyn Jorgensen, professora emérita da Universidade de Camberra, e voltou a receber atenção em 2026 com o lançamento do livro Why Young Children Should Learn to Swim, que retoma os resultados da investigação.

Quais habilidades apresentaram diferenças?

Segundo os pesquisadores, crianças que participavam de aulas de natação antes dos cinco anos apresentaram, em determinadas avaliações, resultados equivalentes a marcos de desenvolvimento alcançados de cinco a 18 meses mais tarde na população de referência. Entre as habilidades observadas estavam noções básicas de leitura e matemática e capacidade de entender e seguir orientações.

A equipe também identificou diferenças em atividades de coordenação motora fina, como desenhar formas e realizar tarefas que exigem integração entre visão e movimentos das mãos. A interpretação dos autores é de que as aulas de natação podem oferecer um ambiente favorável à aprendizagem por meio de exercícios, interação e orientação constante.

Por que as aulas podem contribuir para a aprendizagem?

Durante uma aula, a criança precisa prestar atenção ao instrutor, compreender comandos, desenvolver coordenação motora e interagir com colegas. Ao contar movimentos e repetir sequências, por exemplo, exercita noções matemáticas que também aparecem em atividades escolares.

Para Robyn Jorgensen, essas experiências podem estimular competências úteis fora da piscina. A pesquisadora ressalta, porém, que os resultados não significam que crianças que nadam sejam naturalmente mais inteligentes do que as demais.

Pesquisa não comprova relação de causa e efeito

Embora os dados indiquem uma associação entre a participação em aulas de natação e resultados mais avançados em determinadas habilidades, o estudo não demonstra que a atividade, isoladamente, provoque melhora no desempenho escolar. Fatores como ambiente familiar, outras experiências educativas e acesso a atividades extracurriculares também podem influenciar o desenvolvimento infantil.

A investigação reuniu informações de famílias da Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, e parte de seus resultados foi apresentada anteriormente pela Universidade Griffith. O novo livro amplia a discussão sobre a pesquisa, mas não se trata de um estudo recém-iniciado em 2026.

Segurança na água continua sendo essencial

Além dos possíveis benefícios para o desenvolvimento, aprender a nadar ajuda as crianças a se familiarizarem com o ambiente aquático. Isso não elimina o risco de afogamento. Crianças pequenas precisam de supervisão permanente de um adulto responsável em piscinas, praias, rios e outros locais com água, mesmo quando já frequentam aulas.

O interesse pela natação infantil pode, portanto, ir além da atividade física, mas especialistas recomendam avaliar a idade, as condições de segurança e a adaptação individual de cada criança antes de iniciar as aulas.

Com informações do PortalPE10, da Universidade Griffith, da revista Early Child Development and Care e de divulgação da editora Taylor & Francis. Foto: Reprodução/PortalPE10.

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