Na maior seca dos últimos 80 anos Vale do São Francisco vive conflito das águas
26 de outubro de 2015 Postado em: Destaques Nenhum comentário
Nesta terça-feira (27), quando se reúne, em Brasília, o colegiado de órgãos responsáveis pela coordenação das águas da bacia do Rio São Francisco, a realidade do chamado “Rio da Integração Nacional” dividirá interesses na questão de como gastar a água que resta nas barragens de Três Marias (MG) que entrega a Sobradinho (BA), que, por sua vez, entrega a Itaparica (PE), que, na sequência, entrega a Xingó (AL)?
Curiosamente, a questão não é mais se a água armazenada servirá para gerar energia elétrica. De tão seca a bacia, o debate será entre os que defendem guardar o que resta para atender a dezenas de cidades, os que, além disso, querem, também, a usar nos grandes projetos de irrigação e os que advertem que, de tão seco, o Velho Chico está se destruindo seja pelo assoreamento, poluição e entrada de água do mar no seu leito uma vez que o fluxo na foz, em Alagoas, se inverteu de forma que, na mare alta, é o mar e que entre no seu leito.
A questão desta terça-feira divide a Cemig que deseja preservar os 18% de água no reservatório de Três Marias, liberando apenas 500m³ por segundo. E a Chesf, que defende obter mais 100m³/seg. De forma que Sobradinho, hoje com apenas 5% de sua capacidade, mantenha os 900 m³/seg. que libera.
Só com isso, os projetos de irrigação como o Nilo Coelho ainda poderão captar água sem ter que parar seu complexo agroindustrial por falta de água. A Agência Nacional das Águas e o Operador Nacional do Sistema Elétrico terão de decidir. Sabendo que, se não começar a chover forte, este mês, o conflito pela água do Velho Chico será maior no final do ano.
O complexo de barragens sempre dividiu mais os ecologistas que se queixam das áreas inundadas para gerar energia elétrica. Mas hoje, a seca que se agrava, ano após ano, levando menos água para os reservatórios acirrou os interesses. Já chegou à Justiça, onde promotores interpuseram ações para que água em barragens como Três Marias fossem guardadas para suprir mais de 80 municípios mineiros. Essa mesma água serve, depois de gerar energia pela Cemig, a megaprojetos de irrigação como Jaíba e Nilo Coelho. Mas a seca mudou o foco do debate. De tão pouca a água, agora acirra conflitos.
A Cemig informa que libera o que a ANA mandar para Sobradinho. Mas diz que pelo volume é preciso usar cada metro cúbico com cuidado. Defende que Sobradinho libere apenas 800m³/seg.
A Chesf diz que, hoje, a questão da água para energia virou secundária. O diretor de Operações, José Ailton de Lima, afirma que não quer gerir uma crise por colapso de água em Petrolina.
O dramático da crise provocada por esta seca é que o lago de Sobrinho atingiu seu menor volume de armazenamento. Dos astronômicos 34 bilhões de m³, existem apenas 5%. Só que nem toda água que sai de Três Marias chega a Sobradinho e nem o que chega lá chega a Itaparica. Sobradinho é grande, mas raso. Evapora cinco vezes mais água.
Via: PENotícias








Deixe um comentário