Mulher que pediu a Bolsonaro militares na rua dará aulas online e se diz arrependida: ‘O vírus é preocupante’
4 de abril de 2020 Postado em: Destaques Nenhum comentário
A professora Fátima Montenegro, que nesta quinta-feira foi ao Palácio do Alvorada e pediu a Jair Bolsonaro que colocasse militares nas ruas para reabrir o comércio, afirma estar arrependida.
“Lógico que me arrependo. Se eu soubesse que teria essa perseguição… Deus me livre voltar ao Alvorada”, afirmou Montenegro à coluna de Guilherme Amado, na revista Época. Bolsonaro compartilhou no Twitter o apelo da professora e disse, ao fim da fala dela, que suas palavras eram a voz do “povo”.
Ao site Metrópoles e em entrevista à coluna, Montenegro mudou o discurso. Agora, diz que a pandemia do coronavírus é preocupante, e revelou que deixou de visitar os pais, por serem idosos e estarem no grupo de risco.
“Sei que o vírus é preocupante. Não estou podendo nem ir à casa dos meus pais. Meu pai é acamado e minha mãe tem lúpus. Só falo com eles por celular. Mas o emprego também é importante”.
Perguntada se não teve medo de transmitir ou contrair o vírus de Bolsonaro, outro idoso e que teve contato com diversos infectados, tergiversou: “Nem pensei nisso”. E tampouco disse ter tido medo de se aglomerar com outros bolsonaristas para se aproximar do presidente.
Montenegro, que no vídeo diz que é professora e pediu a reabertura da “rede particular”, afirmou que é professora de caligrafia em um coworking na Asa Norte, bairro de classe média alta de Brasília.
A professora se prepara para dar aulas online, mas disse temer que o trabalho seja prejudicado depois do episódio do Alvorada.
“Estou sendo perseguida. Fui à delegacia e já denunciei ligações e mensagens de vários estados, de Portugal, Espanha e África do Sul”.
Montenegro levou os dois filhos pequenos ao alambrado da residência de Jair Bolsonaro. E declarou que faria diferente, se pudesse.
“Me arrependi. Na quarta-feira, fui ao Alvorada com uma amiga. Quando voltei para casa, chamei meus dois filhos para verem o presidente, falei que tinha criança lá também. Não queria expor as crianças. Minha filha chorou porque me viu chorando, não porque passa fome”.
Por Eduardo Barretto/Época








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