Petrolândia Notícias – Morre Mestre Biloco: cultura popular de Pernambuco perde ícone histórico da ciranda e do maracatu

Morre Mestre Biloco: cultura popular de Pernambuco perde ícone histórico da ciranda e do maracatu

11 de abril de 2026 Postado em: Cultura Destaques Pernambuco Pernambuco Notícias Nenhum comentário


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Guardião de tradições raras, artista deixa legado ameaçado e comunidade cultural em alerta após sua partida aos 83 anos

A cidade de Goiana amanheceu em luto neste sábado (11) com a morte de Severino Luiz de França, conhecido como Mestre Biloco. Aos 83 anos, ele faleceu em casa, deixando um vazio profundo na cultura popular da Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Referência viva de diversas manifestações culturais, Biloco construiu uma trajetória que atravessou gerações. Maestro, instrumentista e líder cultural, ele foi responsável por manter vivas tradições que hoje correm risco de desaparecer. Sua atuação ia da ciranda ao maracatu, passando pelo frevo e por celebrações religiosas e populares.

Autodidata, começou cedo na música. Ainda criança, improvisava instrumentos e desenvolveu habilidade com o trombone, marcando o início de uma relação intensa com a arte. Já adulto, consolidou seu nome ao fundar, em 1971, a Ciranda dos Cangaceiros — grupo que se tornaria o mais longevo em atividade no estado.

A ciranda liderada por Biloco tinha características próprias, com ritmo cadenciado e estrutura diferenciada. Ele também preservava práticas antigas, como o uso do apito para comandar as rodas, tradição praticamente extinta entre outros mestres.

Além da ciranda, teve papel central no maracatu de baque solto e na formação de músicos. Em sua própria casa, criou uma banda que serviu como escola para jovens da região, influenciando diretamente diversas gerações.

Um dos pontos mais sensíveis de seu legado é a Aruenda, manifestação cultural com origens no período colonial. Biloco foi responsável por resgatar e manter viva essa tradição em Pernambuco, sendo considerado o último representante ativo dessa prática no estado.

Nos últimos anos, realizou um sonho antigo: registrar sua obra. Em 2024, lançou seu primeiro álbum com composições autorais, reunindo memórias e vivências acumuladas ao longo de décadas. O trabalho passou a ser visto como um importante registro histórico de sua contribuição cultural.

A morte do mestre levanta preocupações entre artistas e pesquisadores. Sem sua presença, manifestações como a Aruenda e o estilo singular de sua ciranda enfrentam incertezas quanto à continuidade.

Mesmo assim, sua influência permanece. Os músicos que formou seguem ativos, e suas gravações garantem que parte de sua história continue acessível. Em Goiana, o som de seus ensinamentos ainda ecoa, sustentando uma herança que agora depende da nova geração para resistir ao tempo.

A família ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento. Enquanto isso, a cultura pernambucana se despede de um de seus nomes mais importantes — e começa a encarar o desafio de preservar o que ele dedicou a vida inteira para manter vivo.

Via Pernambuco Notícias

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