Petrolândia Notícias – Moradora de Petrolina passa por primeiro transplante ósseo na rede pública de PE

Moradora de Petrolina passa por primeiro transplante ósseo na rede pública de PE

26 de agosto de 2022 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Foto: divulgação

A equipe de traumatologia e ortopedia do Hospital Otávio de Freitas (HOF) realizou um importante passo para a especialização do atendimento de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) em Pernambuco. Esta semana, a unidade realizou o primeiro procedimento de transplante ósseo em um serviço da rede estadual de saúde. O HOF – que realiza atendimentos de alta complexidade em traumato-ortopedia – está iniciando o processo de solicitação de credenciamento junto ao Ministério da Saúde para se tornar unidade transplantadora na área e recebeu uma autorização em caráter excepcional do Sistema Nacional de Transplantes para realizar a cirurgia.

É um marco importante para Pernambuco por tratar-se de um procedimento de extrema dificuldade, que exige equipe treinada e capacitada para manejar tecido ósseo e estrutura hospitalar para transporte e manipulação desse tecido. Iniciamos a reunião da documentação necessária para solicitação de credenciamento junto ao Ministério da Saúde para que o Hospital Otávio de Freitas possa se tornar uma unidade realizadora de transplante ósseo, beneficiando os pacientes do SUS em Pernambuco“, destaca o coordenador do setor de ortopedia do Hospital Otávio de Freitas, Hermes Wagner.

A paciente Nilsa Maria Gomes da Silva, de 51 anos, residente de Petrolina, possuía uma prótese de quadril há 20 anos devido à sequela de uma infecção, que gerou um desgaste na cabeça do fêmur (artrose). Ao longo dos anos, a área foi se desgastando ainda mais, ocasionando uma desigualdade no comprimento das pernas em 10 cm. Após a avaliação dos profissionais do Otávio de Freitas, foi identificada a necessidade de uma intervenção para revisão de prótese de quadril (troca da prótese).

Ao avaliarmos o caso da paciente, identificamos um obstáculo, que era o estoque ósseo dela para suportar a remoção da prótese anterior e colocação da nova. Diante disso, foi necessário partir para o enxerto de tecido ósseo visando à restauração da área com ausência de osso, fornecendo a estrutura corporal necessária para suportar a nova prótese, sendo possível fazer essas inserções no fêmur e na bacia”, explicou o médico cirurgião especialista em quadril, Cláudio Marques.

Ele destacou ainda que, com a definição da conduta cirúrgica, começou a preparação da unidade para tornar a realização do transplante ósseo uma realidade. “O Hospital Otávio de Freitas iniciou o contato junto à Central de Transplantes de Pernambuco e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), referência nacional em ortopedia localizada no Rio de Janeiro e que conta com um banco de ossos. Após os trâmites para autorização para o procedimento serem confirmados com o Sistema Nacional, e também a garantia do material a ser encaminhado pelo Into, iniciamos a preparação da equipe e da paciente“, informou.

Sucesso

O procedimento de transplante ósseo e a revisão de prótese de quadril aconteceram no mesmo tempo cirúrgico, ou seja, no momento que a paciente entrou no bloco cirúrgico do Otávio de Freitas as duas intervenções foram feitas no mesmo momento. O atendimento à paciente envolveu cerca de 10 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos, anestesiologista e instrumentador cirúrgico e durou cerca de 3h.

Vamos continuar acompanhando essa paciente pelos próximos meses, pois o processo de recuperação dela envolve, entre outras coisas, o início do trabalho de fisioterapia para o retorno à caminhada, considerando que o transplante contribuiu ainda para correção da desigualdade do comprimento das pernas em 5 cm. Estipulamos que a recuperação total da paciente ocorra em seis meses, que é o tempo médio que o osso leva para se integrar totalmente ao novo organismo”, completou Marques.


Por Carlos Britto

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