Petrolândia Notícias – "Me tratam como idiota": os recados de Michelle em vídeo que expôs crise com Flávio Bolsonaro

“Me tratam como idiota”: os recados de Michelle em vídeo que expôs crise com Flávio Bolsonaro

25 de junho de 2026 Postado em: Destaques Flávio Bolsonaro Michele Bolsonaro Política Nenhum comentário


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Em dois vídeos, Michelle abre o jogo sobre bastidores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução/Instagram @michellebolsonaro

No vídeo publicado no Instagram, Michelle reclama do “grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior”

Em vez do ansiado apoio e engajamento na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postou ontem um vídeo de 27 minutos desancando o enteado e seus irmãos Eduardo e Carlos.

Considerada no PL crucial para diminuir a rejeição de Flávio entre o eleitorado feminino e garantir a fidelidade dos evangélicos, Michelle afirmou que o presidenciável a “maltratou”, “desrespeitou” e a tratou como “idiota” em um telefonema que classificou como “humilhação”.

O pano de fundo é a insatisfação da ex-primeira-dama com o apoio do partido à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, em detrimento do senador Eduardo Girão (Novo), e o fato de as lideranças da sigla no estado terem rifado a deputada Priscila Costa, pré-candidata ao Senado.

No vídeo publicado no Instagram, Michelle reclama do “grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior”, em referência ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, e de atuação coordenada dos enteados contra ela nas redes. Nega que tivesse pretensão de disputar o Palácio do Planalto e que tenha exigido de Flávio um pedido público de desculpa para se engajar na campanha.

‘Ele foi muito ríspido’
Michelle afirma ter recebido uma ligação de Flávio horas depois de tornar públicas suas críticas às negociações do PL com Ciro Gomes. Ela disse ter tentado contato com o enteado por telefone e que, quando ele retornou, ouviu que seria melhor não interferir nos rumos do partido.

— Ele foi muito ríspido. Me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política — afirmou.

Michelle diz que, diante dessa “humilhação”, entendeu que Flávio não queria seu apoio ou que este era “insignificante”:

—E então eu me recolhi, fiquei na minha e assim permaneço.

Na sequência, a ex-primeira-dama diz que vai desmentir “narrativas e notícias que circulam na imprensa”:

— Eu sei quem as planta, eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota. Como se eu fosse alguém que chegou ontem. Eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam.

Após expor divergências com os enteados, Michelle diz, em meio a citações a Deus, que “já liberei o perdão faz muito tempo”, mas ressalta que “perdoar não é o mesmo que esquecer ou querer continuar o relacionamento”. A ex-primeira-dama afirma ainda que, após o telefonema, não foi mais procurada por Flávio:

— O Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio já teria conversado. Estou na minha, continuarei recolhida.

Resposta de Flávio
Cerca de uma hora após a publicação do vídeo, Flávio disse em uma live que “nada nem ninguém” o aborrece em dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo.

— Hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar aqui de coisa boa, tratar aqui de futebol — disse ele, sem fazer referências a Michelle.

Na gravação, a ex-primeira-dama disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem se refere durante boa parte do vídeo como “meu galego” sabe dos “ataques” e “mentiras” que ela tem sido alvo. Ela afirmou ainda que estas ações são realizadas por pessoas que se dizem defensores e aliados do ex-presidente, que está em prisão domiciliar após a condenação pela trama golpista.

Desde dezembro, quando Flávio anunciou que o pai o havia escolhido como o nome do bolsonarismo à Presidência, Michelle tem se mantido afastada do projeto político do filho do marido. A relação azedou quase um mês antes do anúncio devido ao cenário político cearense.

Na época, o senador classificou a postura da madrasta como “autoritária” após Michelle se posicionar contra uma aliança costurada para que o bolsonarismo apoiasse Ciro Gomes ao governo do estado.

Outro ponto de conflito é a escolha do nome do PL ao Senado no Ceará. O diretório regional quer lançar o deputado estadual Alcides Fernandes na chapa de Ciro. Ele é pai de André Fernandes, presidente estadual do PL. A articulação conta com o apoio de Flávio. Já Michelle irá ao Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas.

— Em 2026 serão 54 vagas para o Senado Federal. Se aplicarmos a regra dos 30% para candidaturas femininas, teríamos direito a 17 vagas para mulheres no partido. Eu pedi apenas três. Priscila Costa, Carol de Toni e Bia Kicis. Três vagas de 17 que poderíamos ter e tem sido uma batalha diária para manter essas três.

Impacto na campanha
Aliados de Flávio temem prejuízo na campanha. Embora uma ala do PL publicamente minimize e evite tratar o episódio como crise, em reservado integrantes do partido dizem ver a exposição das divergências como desnecessária. A preocupação é que o conflito dificulte a aproximação de Flávio com o eleitorado feminino, considerado estratégico.

Na avaliação de integrantes da campanha, Michelle reúne um patrimônio político difícil de substituir entre mulheres evangélicas e lideranças do PL Mulher.

O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse confiar que a legenda conseguirá superar o episódio:

— Não é normal que assuntos internos sejam expostos em redes sociais. Mas tenho plena confiança que o partido saberá conduzir com equilíbrio os próximos passos.

Por Agência O Globo

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