Petrolândia Notícias – Líderes indígenas e ONGs criticam indicação partidária para chefia da Funai

Líderes indígenas e ONGs criticam indicação partidária para chefia da Funai

14 de janeiro de 2017 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Lideranças indígenas e organizações não governamentais criticaram o fato de o governo ter nomeado o presidente e um diretor da Fundação Nacional do Índio (Funai) com base em indicações do PSC, partido que integra a base de apoio de Michel Temer. Na quinta-feira (12/01), o Ministério da Justiça – pasta à qual a Funai é vinculada –, anunciou o dentista Antônio Fernandes Toninho Costa como novo presidente da fundação e o general Franklimberg Ribeiro de Freitas para o comando da Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável do órgão.

Pastor evangélico filiado ao PSC, Antônio Toninho Costa é pós-graduado em Saúde Indígena pela Universidade Federal de São Paulo e coordenou, entre 2010 e 2012, o monitoramento e a avaliação da saúde dos índios na Secretaria Especial de Saúde Indígena. Tanto Toninho Costa quanto o general Franklimberg foram indicados para os dois postos-chave da Funai pelo PSC, partido conservador de centro-direita que defendeu o impeachment de Dilma Rousseff. Quando Temer assumiu a Presidência, ele prometeu ao PSC que a sigla indicaria o presidente da Funai.

Em julho, grupos de índios de diferentes etnias chegaram a viajar a Brasília para protestar contra a possibilidade de o general Franklimberg – o mesmo que assumirá uma diretoria da Funai – ser nomeado para o comando da fundação por indicação do PSC. À época, a pressão dos indígenas surtiu efeito e o Planalto recusou nomear o apadrinhado político do partido aliado. No mesmo mês, o PSC indicou outro militar – o general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior – para a presidência da fundação responsável pela coordenação da política indigenista do governo federal. Porém, mais uma vez, diante da reação negativa das comunidades indígenas, o Ministério da Justiça decidiu procurar “outro perfil”.

Falta de articulação

Idealizador dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, Marcos Terena criticou os próprios índios que, na opinião dele, por falta de “estratégia política”, não conseguiram colocar no comando da Funai uma liderança indígena. Terena também criticou o fato de Temer ter “reservado” o cargo ao PSC. “Mais uma vez, os povos indígenas não conseguiram indicar um índio para a presidência da Funai por falta de estratégia política. […] Por exemplo, entender que a indicação da Funai era uma cota política que o Michel Temer reservou para o PSC, a gente não conseguiu enxergar isso”, ponderou Marcos Terena.

O líder indígena avaliou, ainda, que “o mais importante” é a população de índios conhecer as políticas públicas em análise no governo e “aprender a discutir” os planos. Para ele, “muitas vezes”, não depende da pessoa indicada para ocupar o cargo, mas, sim, do “conjunto político que o indicou”.

O líder indígena Ailton Krenak avaliou que “não faz diferença” quem está no comando da Funai, até porque, na opinião dele, “o governo não implementa as obrigações” com as terras indígenas.

Via PE Notícias
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