Petrolândia Notícias – Investigação sobre secretário de Recife descumpriu normas da Polícia Civil de Pernambuco

Investigação sobre secretário de Recife descumpriu normas da Polícia Civil de Pernambuco

28 de janeiro de 2026 Postado em: Destaques Pernambuco Pernambuco Notícias Polícia Civil Policial Nenhum comentário


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A investigação preliminar que a Polícia de Pernambuco diz ter aberto na Dintel (Diretoria de Inteligência) para monitorar o secretário de Articulação Política e Social do Recife (PE), Gustavo Monteiro, contrariou duas normas da Secretaria de Defesa Social que disciplinam as atividades de inteligência no estado.

Monteiro foi monitorado entre os meses de agosto e outubro de 2025 por agentes de inteligência da Polícia Civil que acompanharam a rotina dele, colocaram um rastreador no carro e fizeram pesquisas usando ferramenta de reconhecimento facial.

O monitoramento era acompanhado pela cúpula da inteligência em um grupo de Whatsapp chamado “Nova Missão”, que reunia os agentes em campo. O caso foi revelado pelo Domingo Espetacular.

A Prefeitura do Recife diz que foi uma ação irregular e com finalidade política. Já a Polícia Civil diz que o procedimento foi feito dentro da legalidade e que uma investigação preliminar foi aberta na Diretoria de Inteligência em razão de uma denúncia anônima de um suposto esquema de corrupção.

A abertura de uma investigação na Diretoria de Inteligência contraria o que consta no Decreto Estadual 30.847/2007, que criou o Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública do Estado de Pernambuco. E contraria ainda a Portaria GAB/SDS Nº 3168/2011, que disciplinou as regras para a concessão da assessoria de inteligência às investigações.

Em ambas as normas, fica estabelecido que a Diretoria de Inteligência é uma estrutura de assessoramento para os outros departamentos que conduzem investigações, como, por exemplo, em casos que envolvem crime organizado.

No decreto não consta a abertura de investigações como competência da inteligência. Já a portaria fixa critérios para a concessão de assessoria de inteligência às investigações que possam desencadear ORQ (Operações de Repressão Qualificada).

Na mesma portaria, é definida a ORQ:

“Entende-se como Operação de Repressão Qualificada a operação policial ou o procedimento que tem como objetivo a desarticulação de grupo criminoso organizado, mediante investigação especializada desenvolvida com assessoria da atividade de inteligência e a elaboração de Planejamento Operacional Avançado – POA.”

A delegada Natasha Dolci, atualmente licenciada da Polícia Civil de Pernambuco, diz que a inteligência só entra em investigações de casos graves. “Eles não investigam denúncia anônima. A inteligência realmente só entra em casos extremamente graves”, ressalta.

Natasha está há nove anos na Polícia Civil. Ela conta ter sido perseguida depois de denunciar irregularidades na corporação e ter sofrido assédio sexual e moral.

A delegada explica que as denúncias anônimas costumam ser encaminhadas para outro setor.

“Ali, a denúncia é o secretário e o irmão. O secretário e o irmão não é um grupo criminoso, não desencadeia uma ORQ. Então, mesmo assim não aciona a Dintel. A investigação seria tocada realmente pela delegacia de bairro ou a Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado)”, explica.

Polícia ultrapassou limites, diz advogado
Para o advogado Antônio Carlos Kakay, um dos mais importantes criminalistas do país, a polícia pode e deve fazer investigação, mas dentro de procedimentos legais e constitucionais.

“Esses elementos que eu tive acesso indicam que, evidentemente, a polícia ultrapassou os limites da legalidade, da constitucionalidade e desrespeitou os limites que devem existir numa investigação no Estado democrático de Direito”, afirmou Kakay em vídeo publicado em uma rede social.

A reportagem procurou a Polícia Civil e a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, mas não recebeu resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

Por R7

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