Petrolândia Notícias – Grupo protesta na frente e dentro da loja no Recife onde cliente foi confundido com assaltante

Grupo protesta na frente e dentro da loja no Recife onde cliente foi confundido com assaltante

24 de janeiro de 2017 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Ato realizado por integrantes de movimentos negros aconteceu na tarde desta segunda (23/01) (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Integrantes de movimentos negros se reuniram, no fim da tarde desta segunda-feira (23/01), em frente à Casa dos Frios, estabelecimento localizado na Zona Norte do Recife, em que o motorista Mário José Ferreira foi impedido de entrar na última sexta (20/01) por uma suspeita de porte de arma. No local, o grupo denunciou o episódio como sendo um crime de racismo e reivindicou igualdade racial em um ato que durou uma hora. 

Cerca de 30 pessoas participaram da manifestação, entre elas o coordenador estadual do Movimento Negro Quilombo Raça e Classe, Walter Oliveira. “O que aconteceu com Mário é uma repetição, uma consequência de toda a estrutura de sociedade que coloca o negro no seu ‘devido lugar’, afastado de tudo que tem a ver com as elites brancas e o estado de bem-estar social”, frisa.

Iniciado às 17h30, o ato começou do lado de fora da loja e terminou no interior do estabelecimento, com faixas e bandeiras de movimentos negros espalhadas pelos produtos. “Conseguimos fazer um protesto pacífico, mas bastante vitorioso”, explica. A manifestação terminou pouco depois das 18h. 

De acordo com o Walter Oliveira, a situação com Mário Ferreira não foi um caso isolado. “Muitos negros e negras sofrem cotidianamente o racismo. A gente precisa acabar com essa cultura de acreditar que esses casos vão acabar sozinhos”, pontuou. Segundo o integrante do movimento, a ideia é que a Casa dos Frios responda criminalmente pelo episódio. 

Procurada pelo G1, a gerência da Casa dos Frios não atendeu às ligações. A reportagem também procurou o advogado do estabelecimento, mas também não obteve retorno.

Entenda o caso
Na última sexta (20/01), o motorista Mário Ferreira foi até a loja para comprar bolos de rolo a pedido do chefe e, ao chegar no caixa, o valor da compra ultrapassou a quantia que ele tinha no momento. O cliente, então, deixou R$ 600 no caixa e foi ao carro buscar o restante do dinheiro, mas foi impedido de voltar ao interior da loja por seguranças e pela polícia, que foi acionada ao local.

Em entrevista ao site G1, no sábado (21), ele relatou o constrangimento de ter o corpo e o carro revistados pelos policiais. Segundo o motorista, ele costumava frequentar a loja usando roupas de trabalho, mas, no dia da abordagem policial, foi à loja usando calça jeans, tênis e uma camisa simples. A revista durou cerca de duas horas. De acordo com a advogada de Mário, Maria Eduarda Andrade, todas as providências cíveis e penais serão tomadas.

Do G1/PE
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