Faltam 15 dias: estabilidade favorece Raquel e aumenta a urgência de João
21 de setembro de 2026 Postado em: Destaques Eleições 2026 João Campos Pernambuco Pernambuco Notícias Política Raquel Lyra Sertão Nenhum comentário
João Campos e Raquel Lyra – Divulgação
Quando faltam duas semanas para a eleição, estabilidade é uma palavra que tranquiliza quem lidera e atormenta quem precisa virar. Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) mantém uma distância relativamente constante de João Campos (PSB). A governadora pode administrar o relógio. O candidato do PSB já precisa lutar contra ele.
Distância
As pesquisas mais recentes mostram pequenas oscilações, mas preservam o desenho da disputa. O Datafolha colocou Raquel com 47% e João com 42%. Na Quaest, a governadora apareceu com 43% e o adversário com 37%. A diferença muda um pouco entre os institutos, porém permanece na mesma faixa. Em ambos, Raquel lidera.
Essa estabilidade tem efeitos completamente diferentes para os dois lados. Raquel conserva a vantagem sem precisar produzir uma novidade por semana. João vê o calendário avançar sem conseguir transformar esforço de campanha em reação consistente. Pode ganhar um ponto aqui, outro ali, melhorar algum indicador específico. Ainda não conseguiu criar a sensação de que a eleição mudou de rumo.
A propaganda eleitoral começou, os candidatos percorreram o estado, concederam entrevistas, participaram de sabatinas e estiveram frente a frente em debate. A campanha aconteceu. O eleitor recebeu mais informações e teve oportunidades de rever suas escolhas. Até agora, o resultado foi a preservação da liderança de Raquel.
Relógio
João já não disputa somente votos com a governadora. Disputa dias com o calendário. Para quem está na frente, cada semana sem alteração relevante representa uma etapa vencida. Para quem está atrás, significa uma oportunidade perdida.
A situação torna-se mais difícil porque João precisa conseguir rapidamente aquilo que não alcançou ao longo dos últimos meses. Sua popularidade no Recife não se espalhou por Pernambuco na intensidade esperada. A memória de Eduardo Campos permanece como patrimônio afetivo e eleitoral, mas também não foi suficiente para colocá-lo na liderança. Restou a aposta no apoio de Lula como principal instrumento para romper a estabilidade.
O presidente aparece na campanha de João, é citado em discursos e ocupa espaço na propaganda. Mesmo assim, essa associação ainda não produziu a virada. Parte considerável do eleitorado de Lula em Pernambuco continua com Raquel, que passou toda a campanha evitando um rompimento com o presidente e buscando tornar confortável a convivência entre o voto nela e o voto no petista.
João precisa convencer o eleitor lulista de que a chapa politicamente coerente passa por seu nome. Raquel oferece a esse mesmo eleitor uma possibilidade mais conveniente. Ele pode votar em Lula para presidente e mantê-la no governo sem sentir que cometeu uma infidelidade política grave.
Espera
Com o tempo, uma visita de Lula a Pernambuco deixou de ser apenas desejada pela campanha de João e passou a ser tratada como crucial. Ainda não há confirmação de que o presidente venha ao estado neste primeiro turno. Lula enfrenta uma disputa nacional apertada e organiza a própria agenda conforme as necessidades de uma campanha que também exige socorro.
A espera expõe uma fragilidade. Quanto mais João depende da presença do presidente, mais reconhece que as armas utilizadas até agora não foram suficientes. Lula deixou de ser apenas o principal cabo eleitoral do candidato do PSB. Transformou-se numa espécie de último recurso. E os últimos recursos sempre chegam carregados da obrigação de funcionar.
Mesmo que a visita seja confirmada, permanecerá uma dúvida incômoda. O apoio de Lula já está declarado e é amplamente conhecido. Quanto a presença física do presidente conseguiria acrescentar a poucos dias da votação?
Há também uma dependência inconveniente para qualquer candidato a governador. João espera uma decisão que não controla, tomada por um aliado que precisa cuidar primeiro da própria sobrevivência eleitoral. Seu grande acontecimento de campanha pode depender de um espaço na agenda nacional de Lula.
Pressão
É nesse ambiente que aumenta a importância do debate do Sistema Jornal do Commercio, marcado para 1º de outubro, três dias antes da votação. Será um dos últimos acontecimentos de grande amplitude da campanha e talvez a última oportunidade para uma mudança alcançar eleitores suficientes antes da abertura das urnas.
Raquel entrará no debate para proteger uma vantagem. João entrará para tentar produzir, em poucas horas, a reação que não conseguiu construir durante semanas. A governadora poderá considerar satisfatório sair do estúdio como entrou. Para o candidato do PSB, um desempenho apenas correto terá gosto de derrota.
A estabilidade transformou o calendário em aliado de Raquel. No debate do JC, ela precisará evitar o erro. João precisará encontrar a virada.
Do JC | Por Igor Maciel









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