Petrolândia Notícias – Falta de insulina no SUS já afeta pacientes com diabetes em vários estados do país

Falta de insulina no SUS já afeta pacientes com diabetes em vários estados do país

15 de maio de 2023 Postado em: Destaques Saúde Nenhum comentário


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A artesã Maiani Canabarro, de 35 anos, trata diabetes tipo 1 há 20 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Todos seus medicamentos, desde remédios a agulhas, são retirados gratuitamente no centro de distribuições de Porto Alegre (RS), onde mora. Contudo, nas últimas três semanas, ela não encontrou a insulina de ação rápida no local, e precisou recorrer a um grupo de pessoas com a mesma doença no Facebook para conseguir manter o tratamento.

A insulina de ação rápida controla o nível de glicose no sangue e deve ser injetada todos os dias, sempre antes das refeições. Com cada caneta saindo a cerca de R$ 50 nas farmácias, Maiani, que utiliza cerca de quatro unidades por mês, teria um gasto mensal de R$ 200 se seu tratamento não fosse oferecido pelo SUS.

— Nunca precisei comprar porque faço parte de um grupo de diabéticos, então vamos emprestando um para o outro quando não temos. Se eu não conhecesse o grupo, não teria condições financeiras de comprar nem as canetas, nem as agulhas, nem as fitas, afirma.

Perto da capital gaúcha, a professora Haike Schwingel, da cidade de Teutônia (RS), passa por uma situação parecida. Ela precisou comprar as canetas e está há quase um mês sem conseguir a insulina rápida na farmácia do estado.

— O argumento é sempre o mesmo, a farmácia alega que o estado não enviou mais a insulina, que estão aguardando. Já são três semanas assim, conta a professora de 28 anos, que precisa de três canetas e meia de insulina de ação rápida por mês.

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul admite o problema e diz que tem remanejado os estoques para as cidades que mais precisam. Afirma ainda ser competência do Ministério da Saúde a compra dos medicamentos para distribuir aos estados. Procurada, a pasta não se manifestou.

Os casos da artesã e da professora do Rio Grande do Sul, contudo, não são isolados. Há desabastecimento de insulina rápida de pacientes no Ceará, no Acre e em Goiás. Em Anápolis (GO), por exemplo, o pai de Henrique Melo, de 10 anos, tem cobrado a farmácia do estado o medicamento da marca Apidra, a única que seu filho pode tomar.

— O SUS sempre disponibilizou a insulina Apidra, mas desde fevereiro não conseguimos pegar porque não tem. E ela é a única que meu filho pode usar, porque ele não apresenta um bom controle sistêmico com as outras. A sensação é de medo, diz Hebert Melo.

O estoque também é limitado nos estados de São Paulo e Rondônia. As secretarias de saúde dos dois estados informaram que as farmácias públicas de medicamentos estão abastecidas com estoque de insulina de ação rápida suficiente para, respectivamente, 45 e 60 dias. Ceará, Acre e Goiás, por sua vez, dizem ter normalizado o fornecimento.

Dificuldade de compra pelo ministério

As prateleiras vazias de insulina rápida nos estados é fruto de tentativas frustradas do Ministério de Saúde de comprar o produto. Nos dois últimos pregões regulares abertos pela pasta, em agosto de 2022 e em janeiro de 2023, não houve propostas. Em nota publicada no início de abril, a pasta informou que o estoque de insulina rápida acabaria a partir de maio.

Para evitar um desabastecimento nacional, a solução encontrada pelo governo foi abrir uma compra emergencial, quando até mesmo produtos de laboratórios estrangeiros sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) podem ser adquiridos. E foi exatamente o que aconteceu. No último dia 20, o ministério fechou acordo para adquirir 1,3 milhão de tubetes de insulina da chinesa Globalx Technology Limited.

A compra, porém, é contestada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que questiona a qualidade da insulina adquirida.

— Temos receio acerca dessa nova compra. A Anvisa desconhece o produto e nosso medo é a qualidade dele, diz o presidente da SBD, Levimar Araújo.

A Globalx afirmou que a insulina será importada de acordo com os critérios de “segurança e eficácia para o fornecimento emergencial” e que o produto tem “eficácia e qualidade aprovada junto ao National Medical Products Administration”, o equivalente à Anvisa na China. A empresa acrescentou que está finalizando o trâmite para “seguir com o protocolo do registro do produto na Anvisa, a fim de fornecê-lo para além do contrato atual”.

Via PE Notícias

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