25/01/2026 09:56

Faculdade Extensiva de Pernambuco – FaexPE – frustra alunos após reunião em Sertânia

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OS REPRESENTANTES DA FAEXPE
A Faculdade Extensiva de Pernambuco – FaexPE, entidade acusada de ofertar cursos de extensão, graduação e pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado, sem credenciamento, autorização e reconhecimento do Ministério da Educação, realizou neste sábado (1º), reunião em Sertânia, onde pouco esclareceu aos alunos sobre as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal.
Em reunião que foi bastante tumultuada, com a presença do advogado e de alguns representantes da Faculdade e também dos alunos que, segundo o MPF, estão sendo enganados. A FaexPE chegou a dizer que tinha solução para o caso, mas que aguardem novas informações no próximo dia 10. No entanto, não haverá aula até lá.
O advogado da entidade reconheceu que o problema dos alunos é sério e grave, mas disse que existe solução, terminou a reunião e ele não apontou qual seria essa solução, o que frustrou todo alunado.
Em 14 de julho, o Ministério Público Federal em Serra Talhada obteve decisão liminar, na 38ª Vara da Justiça Federal, determinando suspensão de atividades em 25 cidades do estado, interrupção de matrículas, indisponibilidade de bens dos proprietários no valor de R$ 400 mil, proibição de convênios com instituições credenciadas pelo MEC, e paralisação de anúncios publicitários. A decisão foi expedida pelo juiz Bernardo Monteiro Ferraz, que fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Sediada em Caruaru, a FaexPE atua em Sertânia e mais 42 municípios do interior de Pernambuco, além de outros 11 estados do Norte-Nordeste, segundo o MPF. O Ministério Público afirma que a instituição tem 15 mil alunos. A FaexPE diz ter oito mil matriculados.


Denúncia e ameaças

A suspeita de fraude foi denunciada pela pedagoga Maria Lúcia Carvalho, 59. Ela foi professora da FaexPE por um ano e três meses, até descobrir que disciplinas de cursos superiores tinham carga horário muito inferior à exigida pelo MEC. Segundo ela, uma matéria como sociologia – que requer 60 horas/aula – era dada em 12 horas/aula. “Questionei a coordenação e fui demitida no mesmo dia”, disse a professora, que procurou o MPF após a dispensa.

“Por causa da denúncia, comecei a ser ameaçada por gestores da Faculdade. Tive que deixar minha casa, meus bens e mudar de município. Estou vivendo anonimamente e acuada”, contou. O procurador da República Manoel Antônio Gonçalves da Silva, do MPF, fez a investigação.

“Além de não cumprir a carga horária, a Faculdade usava prédios provisórios, como escolas públicas, para aulas. Muitas pessoas que dependem do Bolsa Família foram enganadas e usavam o dinheiro para a mensalidade”, denunciou o presidente da Associação de Universitários de Ibimirim, Alysson Bezerra. “Passei um ano pagando R$ 149 (R$ 1.788 ao todo), mas tranquei a matrícula quando soube das suspeitas. Esse valor faz muita falta. Poderia ter dado continuidade à construção da minha casa”, lamentou Luciano Lira.

Fonte: PEN

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