A podridão que exala do submundo das grandes obras públicas brasileiras é contemporânea das caravelas, mas a dimensão revelada no escândalo da Petrobras impressiona. Entre agentes públicos e diretores de empreiteiras, os valores surrupiados cuja devolução foi prometida por meio de acordo se aproximam de meio bilhão de reais. Essas cifras teriam sido apenas os ganhos aferidos com as fraudes. Não me lembro de se ter comprovado esquema que envolva volume tão grande de recursos.
Uma coisa que também se sabia, mas fica escancarada como nunca, é quão promíscua e suja é a relação entre público e privado. Estão na mira das investigações algumas das empreiteiras que construíram a maior parte do que o dinheiro estatal financiou no País.
As gestões petistas têm muito a explicar. Os indícios apontam que os cofres do partido e de aliados foram generosamente abastecidos. O fato de a Polícia Federal descobrir a corrupção da própria gestão a que se subordina não exime do crime cometido.
Essas empreiteiras têm os governos como principais clientes há muito tempo, é fato. Financiam campanhas de vários partidos, também. Não é razoável supor que tenham esquemas criminosos de um lado e sejam exemplo de probidade do outro. Porém, para além de suposições, há o fato concreto que foi descoberto e comprovado agora. Se outros houver, que se investigue e puna. Não dá para ficar na retórica ou na suposição.
Fonte: O Povo































