Em entrevista, Ciro critica prisão de Temer, governo Bolsonaro e PT
24 de março de 2019 Postado em: Destaques Nenhum comentário
Foto: reprodução/Instagram
Crítico dos mais ferrenhos do MDB, incluindo de Michel Temer, Ciro Gomes se posicionou contra a prisão do ex-presidente, em uma entrevista durante sua passagem em Madri, onde realiza palestras sobre negócios, nesta sexta-feira (22). O pedetista cearense classificou como “aberração jurídica” a decisão tomada pelo juiz da Lava Jato Marcelo Bretas, alegando que o ato não se sustenta juridicamente nem deve ser comemorada.
“O Brasil não pode comemorar a violação da lei, mesmo que seja para fazer aquilo que se alega ser justiça. O nome disso é justiçamento”, disse Ciro, completando com uma dura crítica: “A Lava Jato perdeu completamente o sentido”.
Ciro fez questão de destacar que quer a prisão de Temer, mas criticou a maneira como foi feita. “Estou cansado de saber desde o caso do porto de Santos que Temer é um corrupto sistemático. Virou presidente do PMDB [atual MDB] porque topou o serviço sujo de juntar dinheiro para pagar as contas dos colegas e tirar um pedaço para ele. Eu poderia estar comemorando essa prisão. Entretanto, minha consciência de cidadão e minha formação jurídica me obrigam a afirmar que esta prisão, feita como foi, viola a Constituição”, alertou.
Na entrevista, Ciro soltou o verbo também sobre o Partido dos Trabalhadores. Para ele, o PT é responsável pela eleição de Jair Bolsonaro. “Perdemos a eleição. Temos de ter essa humildade e entender a consequência disso: somos uma minoria. E o papel dessa minoria é tentar conter os danos que a vitória avassaladora da direita mais retrógrada impôs ao país. E impôs por causa do PT, por causa do lado bandido do PT”, disparou.
Perguntado sobre a confusão entre Mourão e Olavo de Carvalho, tido como guru do atual presidente, o ex presidenciável do PDT não economizou nas palavras. “Revela o despreparo do Bolsonaro, a incapacidade absoluta de coordenar seu próprio governo, de manter a orquestra sob regência. Que o Mourão está de olho na cadeira presidencial. Só um pato não vê. De outra forma, o Bolsonaro confraternizar com Olavo nos Estados Unidos, com o [Stephen] Bannon, esses filhos ridículos, patéticos, é um sinal de confusão, de desgoverno”, concluiu.
Ao ser questionado sobre a existência de um nome principal na oposição ao governo Bolsonaro, Ciro escolheu o carioca Marcelo Freixo (PSOL) e fez questão de elogiá-lo. “Na Câmara, estou gostando muito do Marcelo Freixo (PSOL-RJ), cada dia mais. Quando ele se livrar desse identitarismo radical e desse equívoco estratégico de “puxadinho do PT”, ele é um quadro. Bem intencionado, sério e valente. Se tem alguém ameaçado de morte no Brasil, é ele. E a opção dele é de luta. Admiro gente assim. Ele tem preparo, espírito público e sensibilidade para evoluir”, aconselhou.
Ciro segue em Madri, onde dá sequência a agenda de palestras no congresso IE Business School.
Via Varela Notícias








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