20/01/2026 22:10

El Niño intenso pode secar hidrelétricas do Nordeste e exigir mais térmicas

Compartilhe:

A expectativa de um El Niño intenso nos próximos meses acende um sinal de alerta para as hidrelétricas do Nordeste do Brasil, com especialistas indicando que a situação dos reservatórios na região pode ficar crítica devido a uma tendência de menos chuvas entre outubro e abril.

A situação poderia exigir que termelétricas com energia mais cara, recentemente desligadas, sejam novamente colocadas em operação. No limite, pode até haver dificuldades para o atendimento à demanda no horário de pico, afirmaram especialistas ouvidos pela Reuters.

O atual fenômeno climático El Niño deverá ganhar força antes do fim deste ano, atingindo um pico entre outubro e janeiro, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM) na semana passada, apontando que poderá ser uma das ocorrências mais fortes desde 1950. “Para o Nordeste, eu diria que o senso comum é de que os anos de El Niño são mais propensos à secas do que anos sem o fenômeno”, afirmou o meteorologista sênior do serviço Point Carbon, da Thomson Reuters, Georg Müller.

Um El Niño de forte intensidade poderia reduzir as precipitações no período chuvoso do Nordeste necessárias para reabastecer hidrelétricas que atualmente contam com apenas 17 por cento de seus reservatórios. “Os reservatórios já estão baixíssimos. Se a água não vier, estaremos muito mal”, disse a diretora da Engenho Consultoria, Leontina Pinto.

Ela chamou a atenção para a hidrelétrica de Sobradinho, que responde por quase 60 por cento da capacidade de armazenamento do Nordeste e hoje está com apenas 11 por cento do volume. “A situação é apavorante, desesperadora. Passou do preocupante há muito tempo”, apontou Leontina, lembrando que as usinas não operam com níveis abaixo de 10 por cento da capacidade. “A água do fundo do rio é lodo, tem muito detrito, lixo… não faz bem para as turbinas. Você pensa que tem (água), mas não tem” diz ela.

Para o diretor da associação de empresas de energia ABCE, Carlos Ribeiro, que já foi diretor de operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), caso o pior cenário se concretize no Nordeste, o ONS poderia negociar uma mudança na operação do sistema para manter o nível das hidrelétricas da região.

Isso envolveria a autorização de outros órgãos públicos, como a Agência Nacional de Águas (ANA), para, por exemplo, alterar a vazão e a disponibilidade de água no rio São Francisco.
Via: PENotícias

Compartilhe:

Fale conosco