Petrolândia Notícias – Dia do Índio: descubra os mitos sobre os povos indígenas

Dia do Índio: descubra os mitos sobre os povos indígenas

19 de abril de 2016 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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índios Pankararus/Foto Divulgação

Há 73 anos o Dia do Índio é celebrado, no Brasil, em 19 de abril. Mas
além dos festejos realizados por órgãos ligados às populações indígenas,
ou as festas nas escolas infantis, pouco é debatido sobre o tema no
nosso dia a dia. O desconhecimento, inclusive, faz com que alguns mitos
em torno dos primeiros habitantes dos continentes permaneçam por
gerações.

Confira alguns enganos popularizados
sobre a população indígena e esclarecidos pelo doutorando em
antropologia Marcondes Secundino, especialista no assunto que presta
consultoria nas áreas de etnicidade, etnodesenvolvimento e avaliação de
impacto socioambiental em Terras Indígenas e Quilombolas.


“EXISTEM POUCOS ÍNDIOS NO ESTADO (E NO BRASIL)”

Resposta do estudioso: No Brasil
contemporâneo a presença indígena é relevante. O Censo do IBGE de 2010
aponta 817.963 indígenas, mas, ressalte-se, o resultado alcançado é por
amostragem. O que indica um resultado subestimado. Eles estão presentes
em mais de 80% dos municípios brasileiros, em todos os estados da
federação e no Distrito Federal. Na distribuição por região, e levando
em consideração a política indigenista oficial e os próprios movimentos
indígenas, o Norte e Nordeste sofrem uma pequena alteração.

“OS ÍNDIOS ESTÃO PERDENDO SUA CULTURA”

Resposta do estudioso: A idéia de que os
índios estão perdendo sua cultura é resultado de uma tradição de
pensamento – senso comum e escolas científicas – superada desde o século
passado, mas ainda presente na sociedade. Essa perspectiva parte do
princípio de que os grupos e povos indígenas seriam um cadinho de
cultura a ser mensurado pelo nível de aproximação ou distanciamento da
“cultura original” – selvagem – em relação à “cultura ocidental”. Nessa
lógica, quanto mais próxima do ocidente, menos autêntica a identidade
coletiva e mais aculturada, destituída de sua originalidade. Geralmente
folcloriza-se essas identidades, congela-se o indígena no tempo, e
sempre que se refere a ele remete a um passado glorioso, um paraíso
terrenal perdido. O fato de se utilizarem de roupas e novas tecnologias
não os destituem da sua condição de índio e membro de uma comunidade
étnica. Ao contrário, pode potencializar sua inserção na sociedade de
forma mais qualificada, dinâmica e democrática.

“ÍNDIO NÃO VAI PRESO, POR ISSO FICA IMPUNE A TUDO”

Resposta do estudioso: Esta afirmação é
mais um preconceito destilado contra os indígenas e não corresponde a
realidade jurídica do Estado brasileiro. Foi derrubado, com a
Constituição de 1988, o princípio da tutela exercido pelo Estado em
relação aos índios, por meio do Ministério da Justiça, Fundação Nacional
do Índio. Com isso, os índios tornaram-se juridicamente capaz e
civilmente responsável pelos seus atos, semelhante aos demais cidadãos
brasileiros. A exceção, previsto na Constituição, é quando uma liderança
indígena participa de movimentos sociais em defesa de direitos
coletivos. Direito extensivo aos demais movimentos sociais no Brasil.

“OS INDÍGENAS FORMAM UM POVO PREGUIÇOSO”

Resposta do estudioso: Esse é outro
preconceito que vem do período colonial e se atualiza de forma violenta
na contemporaneidade. Em função do índio se rebelar da condição de
escravo, ficou com essa etiqueta. Rebelou-se também contra os coronéis
que os proibiam de praticarem sua cultura, de falarem sua língua, de
realizarem seus rituais, de viverem em coletividade e de acordo com o
seu modo de vida. E mais contemporaneamente por reclamarem seus direitos
constitucionais, sobretudo o direito ao território. Aqui se abre a
caixa de ressonância da intolerância e da incapacidade de reconhecer
diferentes modos de vida, diferentes formas de se relacionar com
práticas consideradas produtivas e com o próprio território.
DIA DO ÍNDIO – A data
do dia 19 de abril foi marcada em 1943 pelo então presidente Getúlio
Vargas, que usou como referência o dia em que foi realizado o primeiro
Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940. No
restante do mundo, no entanto, os povos indígenas são homenageados no
dia 9 de agosto. A data foi estabelecida em 1995, a partir de uma
determinação das Organizações das Nações Unidas (ONU).


O último Censo Demográfico, realizado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), aponta
que, em 2010, cerca de 817 mil pessoas se declaram indígena no País.
Desse total, 63,8% viviam na área rural (sendo 57,7 em terras
reconhecidas como indígenas) e 36,2% em centros urbanos.

Em Pernambuco, estudiosos apontam que pelo menos 11 etnias indígenas
sobrevivam ao tempo, são elas: Fulni-Ô, Kapinawá, Pipipã, Kambiwá,
Atikum, Truká, Pankararu, Pankaiucá, Pankará, Tuxá e Xucuru. Elas
estariam espalhadas no município do interior do Estado, como: Águas
Belas, Ouricuri, Pesqueira, Floresta, Ibimirim, Inajá, Carnaubeira da
Penha, Cabrobó, Tacaratu, Jatobá e Petrolândia.


ONDE ESTÃO OS ÍNDIOS BRASILEIROS?
– Em relação à população indígena, a divisão regional brasileira é
diferente do território geográfico convencional. Trata-se um mapa
geopoliticamente pensado na história da população indígena. A região
Nordeste (chamada também de Nordeste-Leste) exclui o estado do Maranhão
(que integra o Norte) e inclui os estados do Espírito Santo e Minas
Gerais.


A região Nordeste (ou Nordeste-Leste)
abriga cerca de 80 povos indígenas. De acordo com dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, em termos de
contingente populacional, a Bahia é o terceiro estado em população
indígena no Brasil e primeiro no Nordeste, com 56.381 índios. Pernambuco
é o segundo da região e o 4º do País, com 53.284.
LÍNGUA DOS ÍNDIOS – O
Censo do IBGE de 2010 revela que 274 línguas indígenas são faladas por
indivíduos pertencentes a 305 etnias diferentes no Brasil. Cerca de 37%
índios com mais de 5 anos de idade falam esses dialetos, sendo que 6 mil
deles falam mais de duas línguas. O português não é falado por 17,5% do
total, cerca de 130 mil pessoas.


Do NE10
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