Desde a manhã desta quinta-feira, 13 de setembro, acontecem à reintegração de posse no povoado do Bem-querer-de-baixo, em Jatobá, sertão pernambucano. Apesar das mais de 300 famílias que estão no processo de reintegração apenas 12 é para ser cumprida no dia de hoje
13 de setembro de 2018 Postado em: Destaques Nenhum comentário
Desde a manhã desta quinta-feira, 13 de setembro, acontecem à reintegração de posse no povoado do Bem-querer-de-baixo, em Jatobá, sertão pernambucano. Apesar das mais de 300 famílias que estão no processo de reintegração apenas 12 é para ser cumprida no dia de hoje.
Caminhões para mudanças e forças policiais federais e estaduais em conjunto chegaram logo ao amanhecer do dia para executar a ordem da justiça causando terror nos agricultores residentes na localidade, há imagens e declarações da utilização de armas de dispersão usadas em situações de conflitos, gases, balas de borracha e bombas de efeito moral, a gravidade se deu quando mulheres, idosos e crianças sem nenhuma resistência foram os alvos. Moradores em áudios e imagens têm noticiado os fatos, como pessoas sangrando, detidas e crianças submetidas a gás de pimenta ou algo parecido.
A Igreja localizada ao centro da comunidade que é o lugar de reunião dos moradores, para onde todos se dirigiam para resguardar suas vidas e dos parentes foi tomada pela força policial com informações de disparos dentro do centro religioso, coisa que nem em guerras como na Síria e Palestina acontecem.
Este evento simboliza uma das maiores contradições da sociedade brasileira na atualidade, o aumento do autoritarismo e truculência. Uma decisão judicial que determina um processo de reintegração de posse sem o mínimo de infraestrutura e que confere pelo Estado um ar de legalidade às ações policiais contra os ocupantes daquelas residências.
| Morador local. |
Moradores foram retirados de suas casas de forma truculenta pelo aparato policial, do local onde viviam por mais de 200 anos, tendo seu direito à moradia violada – haja vista que não foi oferecida qualquer alternativa, como o algum projeto de habitação e reassentamento e valores irrisórios de indenização.
Autoridades estão tentando uma saída pacífica para o conflito. Não se esperava que ocorresse esse tipo de ação da Justiça, uma vez que, todos já se preparavam para deixar a localidade de forma tranquila e aguardavam apenas alguns acordos como a realocação desses moradores em área apropriada.
Fernando Ferro ex-deputado federal disse em rede que foi uma “ação precipitada de um juiz que provocou essa ação da Polícia Federal com gente ferida. É mais uma ação truculenta da justiça que desconhece o problema social, um grave problema entre posseiros e indígenas. Uma situação extremamente grave que não respeita os Direitos Humanos, direitos sociais, Direitos Trabalhistas e não tem o sentido da mediação.”
Para uma justa reintegração os moradores têm direito a caminhões, oferecidos pelos interessados, para retirar suas coisas, ter acesso às suas moradias para retirar seus bens pessoais, seus documentos, tempo hábil para fazer isso, e, principalmente, a prefeitura ou estado tem que ter cadastrado esses moradores para que eles sejam levados a uma solução habitacional. Mesmo que não haja solução permanente no momento da reintegração, deve-se encontrar uma solução intermediária.
Outro fator grave destacado no local foi a ausência do poder público municipal: a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de Jatobá – PE não estavam lá para nenhum tipo de assistência aos idosos, crianças, mulheres e doentes, o que aponta para a negação do direito à moradia e ao bem estar social, que é uma garantia constitucional.
Em breve maiores informações!
Por Redação do Blog Gota D’Água








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