Petrolândia Notícias – Bolsonaro investe no Nordeste, tradicional reduto petista, para tentar deixar sua marca

Bolsonaro investe no Nordeste, tradicional reduto petista, para tentar deixar sua marca

30 de novembro de 2019 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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A saída do ex-presidente Lula da prisão acendeu um alerta no Palácio do Planalto em relação à única região em que o presidente Jair Bolsonaro perdeu o segundo turno das eleições do ano passado: o Nordeste. Enquanto o petista já começa a fazer viagens, mantendo seu nome forte entre os eleitores nordestinos, o governo tenta tirar do papel seus planos enquanto sofre com o impacto negativo do vazamento de óleo que atingiu as praias da região.

O Palácio do Planalto tem tido dificuldades para deixar sua marca no Nordeste no primeiro ano da gestão. O diagnóstico é que Bolsonaro ainda depende de programas do governo Lula, como o Bolsa Família — que ganhou um 13º. Os investimentos do governo federal na região caíram este ano, segundo um levantamento: de janeiro a outubro, foram pagos R$ 5,7 bilhões pelos ministérios, contra R$ 3,8 bilhões no mesmo período do ano passado. O mesmo ocorreu todas as regiões do país neste ano, que registra o menor nível de investimentos da União desde 2007.

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, é quem tem se dedicado mais ao Nordeste. Ele teve agendas recentes com os governadores petistas Fátima Bezerra (RN) e Camilo Santana (CE) e com os pessebistas Paulo Câmara (PE) e João Azevedo (PB), além de Renan Filho (MDB-AL) e Belivaldo Chagas (PSD-SE). O gesto, porém, foi malvisto entre deputados aliados. Eles fizeram chegar ao governo reclamações de uma suposta tentativa de formar pontes com a oposição.

— É uma região muito sofrida. “Ah, votou no Haddad, é PT”. Pô, meu amigo, o povo precisa de apoio. Votou no PT? Tudo bem. É um direito deles. Agora, não vou deixar os caras a pão e água, diz o ministro.

Verbas para municípios

Ramos tem percorrido a região para apresentar o “Pacto Mais Brasil – Nordeste”. Anunciado este mês, o programa contempla 222 municípios dos nove estados região, que reúnem 7,2 milhões de pessoas — 12,7% da população nordestina. Em 2019, a estimativa de investimentos no Nordeste é de R$ 1 bilhão. No ano que vem, mais R$ 3,4 bilhões.

De acordo com a secretaria especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Governo, Deborah Arôxa, o objetivo é criar polos de desenvolvimento que sejam ampliados ao longo do tempo até que se chegue em um universo de 1.450 cidades.

Deborah apontou que o foco principal é dar condições estruturais e logísticas de acesso à água nos municípios. A secretária também destacou o desenvolvimento do ciclo do agronegócio, a partir do AgroNordeste, programa do Ministério da Agricultura que prevê um investimento de R$ 8 bilhões em dois anos. Voltado para pequenos e médios produtores, o AgroNordeste foi lançado em outubro, no Palácio do Planalto, para ser implementado até o fim de 2020 em 230 municípios da região e também de Minas Gerais, com população rural de 1,7 milhão de pessoas. O governo tem como objetivo aumentar a assistência técnica e diversificar mercados, além de garantir segurança hídrica.

O coordenador da bancada do Nordeste no Congresso, o deputado Júlio Cesar (PSD-PI), vê com bons olhos o AgroNordeste, mas diz que ele não é suficiente.

— É pouco, porque acabou o FINOR (Fundo de Investimentos do Nordeste) e o FINAM (Fundo de Investimentos da Amazônia). Eles geram muitas esperanças, mas a gente sabe do problema do caixa do Tesouro.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Regional diz ter investido mais de R$ 1,4 bilhão em segurança hídrica e R$ 3 bilhões ao todo na região neste ano. Segundo o ministério, o valor dos contratos de projetos de infraestrutura no Nordeste subiu em 17,6%, de R$ 6,3 bilhões até setembro de 2018 para R$ 7,4 bilhões no mesmo período de 2019. Houve, ainda, um aumento dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste repassados a empreendedores e produtores, ainda segundo o ministério — um total de R$ 19,7 bilhões, ante R$ 16,5 bilhões em 2018.

A crise do óleo que atingiu centenas de praias nordestinas também expôs Bolsonaro na região. A demora em dar respostas se somou ao fato de o presidente não ter visitado sequer um local afetado. Neste mês, depois de voltar de uma viagem pela Ásia, ele prometeu ver de perto a tragédia ambiental, mas não cumpriu.

Bolsonaro só deve ir à região no dia 11, para participar de uma cerimônia que marcará a entrega da primeira fase da modernização do Aeroporto Internacional de Salvador. Será sua primeira visita à cidade, uma das quatro capitais em que não foi o mais votado no primeiro turno do ano passado. Em dez meses e meio de governo, o presidente foi cinco vezes ao Nordeste e passou por Pernambuco, Bahia, Paraíba e Piauí.

Deputados insatisfeitos

O deputado Juscelino Filho (DEM), coordenador da bancada do Maranhão na Câmara, se queixa da ausência de uma nova política habitacional, já que o governo cortou a primeira faixa do Minha Casa, Minha Vida, e da situação das rodovias federais em seu estado.

— Se ele (Bolsonaro) concentrasse um pouco e buscasse resolver alguns problemas, conseguia apresentar resultados para o povo. Só tem uma forma de conseguir penetrar no Nordeste: dando atenção. Investindo, criando oportunidades, gerando investimentos, diz Juscelino.

O coordenador de Alagoas, Marx Beltrão (PSD), tem um diagnóstico parecido. Ele queixa do Canal do Sertão, obra de transposição do Rio São Francisco que já consumiu R$ 2,5 bilhões, mas ainda não funciona:

— Não vi nenhuma ação em que se possa dizer que teve mudança positiva. É exatamente a mesma coisa que vem acontecendo há anos.  

Via VEJA
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