Petrolândia Notícias – Alepe pode criar comissão específica para acompanhar abastecimento de água no Semiárido

Alepe pode criar comissão específica para acompanhar abastecimento de água no Semiárido

24 de novembro de 2018 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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A dificuldade de abastecimento de água no Semiárido deverá ser acompanhada mais de perto pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A proposta de criar uma subcomissão específica para tratar do problema começou a ser discutida nesta quinta-feira (22), durante audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura. Representantes de prefeituras, câmaras municipais e do Comando Militar do Nordeste (CMNE), que executa a Operação Carro-Pipa na região há mais de dez anos, participaram do debate, que subsidiará relatório sobre a questão.

“A audiência foi muito importante para dar início a um levantamento que pretendemos fazer sobre a situação de cada município do Semiárido a fim de buscar soluções e monitorar os resultados”, comentou o deputado Rodrigo Novaes (PSD), que solicitou e coordenou a reunião do colegiado, presidido pelo deputado Claudiano Martins Filho (PP). “O debate não se encerra aqui. Pretendemos criar uma subcomissão para dar sequência a esse canal entre a população e o CMNE”, completou.

Situações extremas de falta de água foram relatadas no encontro, bem como as principais dificuldades de fazer o abastecimento chegar à população. De acordo com Zelandyo dos Santos, empresário de Paranatama (Agreste Meridional), sem acesso aos programas oficiais, muitas pessoas passam a depender de carros particulares. “Mas estamos falando de pessoas de baixa renda, beneficiários do Bolsa Família, que não têm condições de bancar esse custo, que varia de R$ 100 a R$ 150”, pontuou.

O impacto de posições políticas na oportunidade de acesso à água foi mencionado por representantes de vários municípios. O fato de ser o prefeito o responsável por indicar as localidades que precisam de atendimento do programa do Exército, de acordo com vereadores, cria espaço para possíveis retaliações a não correligionários. Também foi denunciado o fornecimento em troca de voto.

“Está previsto na portaria que as comunidades devem ser mesmo indicadas pelas prefeituras. Não há algo que o Comando Militar possa fazer em relação a isso, já que somente executamos o serviço de logística. Esperamos que haja consciência cívica por parte dos gestores”, afirmou o general Pedro Fioravante, à frente da operação. Ele também lamentou o fato de haver irregularidades por parte de alguns pipeiros, o que termina por prejudicar o recebimento da água pela população. “Desde 2015, mais de 300 foram afastados”, contabilizou.

As irregularidades vão desde a não realização do percurso definido à alteração do veículo para transportar menos água. “Sabemos que a grande parte dos pipeiros está comprometida com o nobre trabalho de levar água à população, mas há pessoas interessadas em auferir vantagens nesse transporte. Essa fraude chega a resultar em menos quatro mil litros, por caminhão, para as pessoas”, estimou.

Mecanismos de controle estão sendo desenvolvidos desde 2013, via tecnologia da informação, para coibir essas ações, a exemplo do Gpipa Brasil, um sistema de monitoramento da logística de entrega da água. “A fiscalização e o consequente afastamento de fraudadores têm contribuído para diminuir o número de entregas por carro-pipa”, explicou o general.

O veto do Ministério da Integração à continuidade da operação em áreas urbanas e novos estudos de delimitação de locais do Semiárido também foram apontados como fatores que justificam reduções de entregas notadas pelos vereadores. “Pombos (Mata Sul) é um caso emblemático nesse sentido. Já entrou e saiu várias vezes da área beneficiada”, contou.

Vice-prefeito de Carnaubeira da Penha (Sertão de Itaparica), Ari Pankara elencou dificuldades de abastecimento no município devido a problemas de acesso a algumas comunidades. Ele também avaliou que o sistema de medição da quilometragem percorrida por carros-pipa apresenta algumas distorções que precisam ser corrigidas. “Há cerca de cinco anos, não há reajuste do valor pago por quilômetro rodado por pipeiro”, frisou o gestor.

Via PE Notícias

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