Petrolândia Notícias – Adversários políticos lado a lado em celebração que marca o Dia de Pentecostes

Adversários políticos lado a lado em celebração que marca o Dia de Pentecostes

25 de maio de 2026 Postado em: Destaques João Campos Pernambuco Pernambuco Notícias Política Nenhum comentário


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Cerimônia religiosa no Geraldão reuniu forças antagônicas na política pernambucana, entre elas a vice-governadora Priscila Krause e o ex-prefeito João Campos – Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

O que a política separa, a religião aproximou ontem, no Dia de Pentecostes, celebrado pelas 152 paróquias vinculadas à Arquidiocese de Olinda e Recife, no Ginásio de Esportes Geraldão, na Imbiribeira, Zona Sul da cidade.

A fé católica impôs uma trégua na disputa local, reunindo adversários no mesmo espaço e com direito a cumprimentos cordiais antes do início da cerimônia, presidida pelo arcebispo dom Paulo Jackson da Nóbrega.

Na mesma fileira, a vice-governadora Priscila Krause e o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros, ambos do PSD. Ao lado, o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), seguido pelos pré-candidatos da Frente Popular: ao governo, o ex-prefeito João Campos (PSB); a vice, Carlos Costa (Republicanos); e ao Senado Marília Arraes (PDT).

O senador Humberto Costa (PT), o outro pré-candidato a senador na mesma chapa, estava na manifestação em defesa da redução da jornada de trabalho, que ocorria no Centro da capital, no mesmo horário.

Unidade
A vice-governadora – representando a governadora Raquel Lyra (PSD), que ontem esteve em São Paulo – minimizou a disputa política e focou na simbologia da data.

“O Dia de Pentecostes é quando a Igreja ganhou o mundo, quando todos os apóstolos falaram a língua do Espírito Santo. Isso tem muito a ver com o momento que a gente vive: a importância de falarmos a mesma língua, o que não significa concordar em tudo, mas termos a capacidade de nos comunicar, compreender as diferenças e construir uma sociedade melhor a partir das divergências. Este é o caminho da paz.”

Provocada sobre a possibilidade de desvincular a política da religião, defendeu o estado laico, mas pontuou que os valores pessoais são indissociáveis.

“É possível não misturar, vivemos num estado laico, mas não ateu. O que não dá para dissociar são os valores. Os valores que carrego na minha vida e norteiam minhas ações vêm da minha formação familiar e religiosa”, completou.

O prefeito Victor Marques destacou o papel logístico e social que a gestão municipal desempenha ao apoiar grandes eventos religiosos, ressaltando o Geraldão como um polo de acolhimento.

“A fé é um ato individual do cidadão. Separo (política de religião), mas, sempre que posso, celebro a minha fé. A gente tem que ser parceiro de todas as igrejas, católicas ou evangélicas. Muitas vezes elas chegam onde o poder público não chega”, admitiu.

Pós-verdade
O ex-prefeito João Campos, recebido com aplausos em um Geraldão lotado, aproveitou para defender-se de uma série de episódios recentes ocorridos em suas andanças pelo interior do estado, envolvendo religião e política. A oposição utilizou pelo menos três episódios para questionar a postura do pré-candidato.

Alegou que ele teria retirado uma medalhinha que pertenceu ao pai, Eduardo Campos, antes de saudar uma multidão, como se estivesse desconfiando das pessoas. Explorou o momento em que entrou em uma igreja em Serra Talhada, no Sertão, e foi aclamado como “governador” por uma fiel em pleno templo.

E, no caso mais recente, um vídeo em que ele, conversando com um grupo, em Jupi, no Agreste, relatava um causo em que alguém dizia que “se nada der certo, a gente vira ministro da eucaristia”. O ex-prefeito classificou as críticas como ataques políticos baseados em conteúdos fora de contexto.

“Tem muita gente que utiliza episódios cortados ou fora de contexto para querer construir uma mentira. O tempo da pós-verdade é isso. Essa última (do ministro da eucaristia), por exemplo, era um causo que meu pai contava, fazendo uma brincadeira com títulos de promotor e juiz. Pessoas que nem são da Igreja Católica estão tentando atacar minha fé. Isso mostra que os adversários são capazes de colocar tudo na conta política.”

Arcebispo
Os líderes políticos tentaram equilibrar presença institucional e devoção. Todas as declarações foram dadas antes da cerimônia. E o arcebispo preferiu não comentar os episódios envolvendo João Campos e a oposição. Decidiu enviar um recado duro e direto aos religiosos, traçando a linha para o período eleitoral.

Os padres devem professar sua fé e têm todo o direito de fazer suas escolhas políticas. Mas o templo não é espaço para pedir votos ou sair em defesa de qualquer candidato”, alertou, deixando claro que, embora a religião possa unir os opostos, a igreja não deve servir de palanque.

Por FolhaPE

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