Flávio Bolsonaro viajou dos EUA ao Brasil em 2025 em jato de Vorcaro, diz revista
24 de setembro de 2026 Postado em: Destaques Eleições 2026 Flávio Bolsonaro Justiça Política São Paulo Nenhum comentário
Manifestantes participam de ato da direita pelo 7 de Setembro, feriado do Dia da Independência do Brasil, com a presença do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), na avenida Paulista – Bruno Santos – 7.set.26/Folhapress
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, viajou da Flórida para Brasília em janeiro de 2025 em um jato executivo que tinha entre os cotistas uma empresa da qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro era sócio, segundo reportagem da revista piauí publicada nesta quarta-feira (23).
De acordo com a revista, trata-se do mesmo avião, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, do qual o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi filmado desembarcando em agosto do mesmo ano, fato revelado pelo jornal O Globo. O senador e a defesa de Vorcaro não responderam à piauí.
Depois que veio a público o vídeo de Moraes deixando a aeronave, Flávio criticou o ministro nas redes sociais. “Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime”, escreveu.
Homem de cabelo curto e casaco escuro segura celular rosa para tirar selfie com outras pessoas ao redor, em ambiente externo com fundo desfocado.
Manifestantes participam de ato da direita pelo 7 de Setembro, feriado do Dia da Independência do Brasil, com a presença do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), na avenida Paulista – Bruno Santos – 7.set.26/Folhapress
Nesta quarta-feira, a campanha de Flávio pediu ao ministro André Mendonça, do STF, que Lula (PT), seu principal adversário na disputa, seja investigado sob suspeita de ter atuado em favor de Vorcaro. A Presidência nega que Lula tenha recebido presentes ou enviado recados ao ex-banqueiro.
A viagem, feita em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Donald Trump, foi revelada na semana passada por O Globo. O jornal mostrou que a Polícia Federal localizou registros do trajeto entre Fort Lauderdale e Brasília ao investigar fraudes no INSS. Segundo O Globo, Flávio estava com o advogado e empresário Willer Tomaz, investigado no mesmo caso, e o grupo usou uma aeronave operada pela Prime You.
A piauí diz ter identificado o jato ao cruzar dados históricos de tráfego aéreo, uma planilha de pousos e decolagens e o Registro Aeronáutico Brasileiro. Segundo a revista, a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal também estavam a bordo.
A dona formal do avião era a Fraction 024, cujo capital se dividia em três partes iguais. Uma era de Tomaz, e outra, de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira foi comprada pela Prime You no fim de 2024, antes, portanto, da viagem de Flávio. Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 a setembro de 2025, de acordo com dados da empresa citados pela revista.
A viagem coincidiu com as negociações para que Vorcaro financiasse “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. Flávio é investigado formalmente no STF no inquérito sobre o longa, para o qual Vorcaro pagou ao menos R$ 65 milhões, como revelaram o Intercept Brasil e a piauí.
O cronograma do financiamento previa um primeiro repasse de US$ 2 milhões em 20 de janeiro, um dia depois do voo. Naquela data, Flávio cobrou de um intermediário rapidez no retorno do departamento jurídico do investidor. O dinheiro só foi enviado em 13 de fevereiro.
O candidato do PL fez uma postagem nas redes sociais ironizando os fatos divulgados. “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, disse Flávio no X.
O senador menciona a suspeita que Vorcaro incluiu um jatinho e um helicóptero nas negociações de um segundo contrato com o escritório da advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo de R$ 50 milhões previa que R$ 40 milhões seriam quitados com a transferência de cotas das aeronaves.
Em nota, a banca da família de Moraes afirmou que a proposta do banqueiro não foi aceita. O primeiro contrato firmado entre Vorcaro e o escritório foi negociado no valor de R$ 130 milhões.
Em nota à revista, Willer Tomaz confirmou ter tido um terço da sociedade dona do jato. Disse que cabia à Prime You administrar o avião e organizar sua agenda de uso. Afirmou também que só em abril deste ano soube que Vorcaro também teria comprado uma cota e que, a partir daí, rompeu o contrato e passou a litigar com a empresa. Disse ainda não conhecer Vorcaro nem ter feito negócios com ele.
Segundo a nota, o advogado oferecia lugares vagos a amigos que iam para o mesmo destino, sem cobrança nem contrapartida. Tomaz não respondeu se Flávio e a família estavam no voo a seu convite.
Da Folha de São Paulo









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