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Caso Master: seis ministros do STF aparecem nas investigações

21 de setembro de 2026 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Caso Master: seis ministros do STF aparecem nas investigações/Montagem do Blog PN Petrolândia Notícias

O Caso Master, considerado a maior fraude financeira da história do Brasil, iniciou em novembro de 2025, com a primeira fase da Operação Compliance Zero. Desde então, já foram quase dez fases da operação, inúmeras quebras de sigilo, revelação de milícia para coagir desafetos e uma capilaridade do dono do Master, Daniel Vorcaro, que envolve os meios jurídico, político e empresarial do país.

As revelações do caso levaram a uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo após o material periciado do celular do banqueiro revelar mensagens, contratos e relações próximas entre Vorcaro e vários ministros da Corte. Após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, que ainda não teve a cadeira preenchida, o STF tem dez ministros, destes seis foram citados nominalmente ou tiveram familiares citados por alguma relação com o dono do Master.

Na última sexta-feira (18), o presidente Lula (PT), afirmou que Vorcaro “corrompeu todo mundo”. “Se você for ver as fitas que estão sendo degravadas do celular dele, ele corrompeu todo mundo, patrocinava orgias, trazia mulheres da Suécia, da Suíça, não sei de onde, para os bacanas brasileiros que gostam dessas coisas. Ele envolveu gente da Suprema Corte, deputados, senadores, todo mundo”, disse.

Entre os ministros do STF que aparecem no caso Master estão Alexandre de Moraes,
André Mendonça, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Além deles, foram citados os filhos de Kassio Nunes Marques, que atualmente é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Luiz Fux. Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Flávio Dino são os demais ministros que compõem a Corte e não foram citados.

STF pode abrir investigação de colegas

Na última terça-feira (15), o Supremo realizou um julgamento inédito em seus 135 anos de história ao avaliar a possibilidade de abrir um processo contra Moraes por conta das conversas do ministro com o banqueiro. Marcada por bate-boca e acusações entre os magistrados, a sessão foi encerrada com um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O relatório da Polícia Federal que seria avaliado pelos ministros tem 218 páginas. Segundo o documento, foram encontradas 52 mensagens de Vorcaro para Moraes entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, dia em que o dono do Master foi preso pela primeira vez. Nas conversas, Vorcaro solicita orientação jurídica e pede ajuda a Moraes para se blindar das investigações.

Na próxima terça-feira (23), haveria uma sessão para avaliar a conduta do ministro André Mendonça enquanto relator do Caso Master. O processo, no entanto, foi retirado de pauta pelo presidente do STF, Edson Fachin, na última quinta (17).

O pedido de investigação formulado por Alexandre de Moraes, que argumenta que Mendonça teria direcionado e mantido sob sigilo indícios para atingir um colega de corte (o próprio Moraes), sem remeter o caso diretamente ao Plenário do STF, que seria a instância competente. Mendonça nega qualquer irregularidade.

Dados obtidos do celular de Daniel Vorcaro revelaram registros de troca de mais de 50 mensagens. Segundo a PF, Vorcaro escrevia as mensagens no bloco de notas, dava print e enviava a Moraes por visualização única. No dia da prisão, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia de bloquear?”.

Como as respostas foram enviadas pelo mesmo sistema, não se sabe exatamente o que Moraes respondeu. Moraes ainda teria ajudado o banqueiro a organizar o I Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, realizado em Londres entre 24 e 26 de abril de 2024, com presença de diversas autoridades, incluindo ministros do Supremo.

Relação familiar

Relatórios da Polícia Federal (PF) indicaram a existência de um contrato de prestação de serviços advocatícios firmado entre empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.

A apuração apontou contratos com previsão de repasses no valor total de R$ 131 milhões (com parcelas mensais de R$ 3 milhões), além de negociações paralelas de propostas de R$ 50 milhões envolvendo ativos como cotas de aeronaves. A investigação apontou ainda, após obter registros digitais e metadados de arquivos, que Moraes foi responsável por editar o documento do contrato de R$ 131 milhões.

Defesa

O ministro negou categoricamente ter recebido mensagens no dia da prisão do banqueiro e afirmou que são “diálogos fantasiosos”. Moraes ainda explica que o trabalho profissional prestado pelo escritório de sua esposa pertence à esfera privada, sem qualquer interferência na sua atuação jurisdicional ou em decisões do STF.

André Mendonça

Citação nominal

Registros e mensagens anexados ao inquérito indicaram reuniões reservadas mantidas entre Vorcaro e o ministro André Mendonça no Instituto Iter, do qual o ministro era sócio até este ano. Na última quinta (17), foi revelado que o Iter recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding controlada pelo empresário mineiro Lucas Kallas, ex-parceiro de Vorcaro. Mendonça tornou-se o relator do caso no STF e determinou a retirada do sigilo dos relatórios policiais e movimentações financeiras do processo.

Defesa

Mendonça admitiu ter encontrado Vorcaro em março de 2025, no entanto, ressaltou que a conversa esteve limitada a uma ação sobre precatórios que estava em julgamento pelo STF. Segundo Mendonça, o banqueiro foi recebido “única vez” e “por iniciativa do próprio empresário”. O ministro ainda sustentou que todas as suas deliberações como relator buscam assegurar a transparência das apurações, o devido processo legal e o direito de acesso à informação.

Dias Toffoli

Citação nominal e familiar

É o único ministro cujo nome consta em diálogos de organização da festa promovida por Vorcaro no Madame Satã (SP) em 31/10/2023. O interlocutor, ex-ministro das Comunicações no governo de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, escreveu a Vorcaro que “Toffoli também vai tentar” comparecer após presidir sessão no tribunal. Não há registros de que tenha comparecido.

A citação do ministro no caso também envolve os irmãos dele. Irmãos e parentes de Toffoli eram donos de uma fatia do Tayayá Aqua Resort, localizado no Paraná, por meio da empresa familiar, da qual Toffoli admitiu ser sócio oculto.

Em 2021, essa parte do resort foi vendida para fundos de investimento e as investigações apontam que esses fundos tinham ligações com o círculo de Vorcaro e com a gestora Reag, unindo indiretamente os negócios da família do ministro aos investigados. As transações envolveram valores que ultrapassam os R$ 20 milhões.

Defesa

Em relação ao evento em Londres, o ministro destacou no plenário a lisura de sua atuação acadêmica, ressaltando que citações secundárias por terceiros não evidenciam vínculo com investigados. Sobre o encontro em 2024, Mendes afirmou em nota que “foi realizado na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado”.

Kassio Nunes Marques

Citação nominal

O nome do ministro foi citado indiretamente em mensagens de terceiros. Na última sexta (18), foram reveladas novas mensagens do celular de Vorcaro em que ele teria alugado “a melhor casa do Rio de Janeiro”, avaliada em cerca de R$ 250 milhões, no Carnaval de 2025 para hospedar o ministro “KN”. Segundo relatório da PF, “KN” seria Kassio Nunes Mares.

Relação familiar

Relatórios da PF transcreveram diálogos mencionando repasses financeiros (com menções a “R$ 500 mil mês”) destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro. De acordo com as citações, os valores eram relativos a honorários por consultoria jurídica e serviços em matéria tributária administrativa.

Defesa

Em manifestação no plenário do STF na terça (15), o ministro afirmou publicamente que seu filho jamais prestou serviços ao Banco Master. A defesa do advogado declarou que os valores recebidos referem-se a honorários por serviços prestados na área privada, sem qualquer vínculo com a instituição financeira ou com o tribunal. Já em nota à imprensa, Nunes Marques declarou que “nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro nem pediu nada a ele”.

Luiz Fux

Relação familiar

Apurações policiais registraram trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro, demonstrando intimidade na relação entre os dois. No dia 17 de maio de 2024, por exemplo, Rodrigo escreveu: ”Fala irmão. Tudo bem?”. Cerca de dez segundos depois, Vorcaro respondeu: “Fala amigo. Tudo certo?”. Além disso, o filho do ministro também teria atuado para articular um encontro de Luiz Fux com o banqueiro no I Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, em Londres, patrocinado de forma oculta pelo Master.

Defesa

A assessoria do ministro e a defesa pontuaram que o advogado Rodrigo Fux atua em banca privada independente, afirmando que contatos profissionais do filho não exercem ingerência sobre os julgamentos de seu gabinete. Em nota, a Fux Advogados ressaltou que “nunca advogou, fez qualquer proposta de trabalho ou recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master” e que as tentativas por parte do banqueiro de estabelecer uma aproximação comercial jamais se concretizaram.

Do Diario de Pernambuco

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