12/02/2026 01:15

03 de dezembro é Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos

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“Não queremos comida com veneno”. É com este lema que militantes da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida realizam ações em todo o País, nesta quarta-feira (03), com o objetivo de sensibilizar a população para os riscos dos agrotóxicos e apresentar um novo modelo de produção de alimentos baseado na agroecologia. A data marca o Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos e alerta para a posição ocupada pelo Brasil, desde 2008, de maior consumidor de venenos no mundo.

No Espírito Santo, estão à frente das atividades o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e sindicatos.

As entidades irão realizar panfletagem em municípios do norte e noroeste do Estado, onde é intenso o uso de venenos pelas empresas, e na Grande Vitória. Os pontos alvos são locais de maior concentração de público, como praças, feiras orgânicas, rodoviárias e bancos.

A campanha pretende chamar atenção da população sobre a pulverização área de agrotóxicos; a necessidade de banimento de venenos já proibidos em outros países e que ainda são comercializados no País; fim das isenções de impostos concedidas aos agrotóxicos; criação de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos para o desenvolvimento da agroecologia; e controle para evitar a contaminação da água por venenos.

No norte do Estado, como aponta Valmir Noventa, coordenador do MPA, os militantes irão conversar com a população sobre o modelo de desenvolvimento implantado no Estado e os impactos do uso de venenos, com foco principal na pulverização área, prática de alto risco realizada na região, sem qualquer controle, o que possibilita maior disseminação do veneno e, consequentemente, contaminação de áreas maiores. “A prática não tem legislação específica. Significa que, além de perigosa, é ilegal”, ressalta.

Segundo o coordenador do MPA, após sucessivas denúncias sobre os impactos na região, a entidade obteve sucesso apenas em Nova Venécia e Vila Valério, municípios onde a pulverização foi proibida. Nos demais, as articulações com o legislativo municipal não avançaram. “A maioria dos vereadores não tem sensibilidade ao problema e advoga em favor do setor empresarial”, completou.

No próximo ano, o MPA irá ampliar as ações nos municípios com casos de maior incidência, como Jaguaré, Sooretama, Pinheiros, Boa Esperança, Linhares e São Mateus, onde predominam as culturas de café e cana-de-açúcar, principais alvos da pulverização aérea. Embora impactante, a Campanha contra o Agrotóxico pontua que a prática é ineficiente, pois atinge no máximo 30% das plantações.

O uso excessivo dos agrotóxicos está diretamente relacionado à atual política agrícola do país, adotada desde a década de 1960. Com o avanço do agronegócio, cresce esse modelo de produção que concentra a terra e utiliza altas quantidades de venenos para garantir a produção em escala industrial.

Fonte: BBC Brasil

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