Trabalhadores da Compesa estão mobilizados no Recife, Caruaru e Petrolina – SindUrb Pernambuco
Teve início, na segunda-feira (13), uma greve dos trabalhadores da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Um protesto em frente à sede da empresa, no Recife, pediu reajuste salarial que compense as perdas inflacionárias e ofereça um ganho real. Até o momento, os trabalhadores não se agradaram das propostas da empresa. Um desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) foi indicado para mediar um novo acordo em troca da suspensão da greve, mas os trabalhadores da companhia decidiram, em votação dividida, nesta terça-feira (14), mantê-la.
O Brasil de Fato conversou com José Barbosa, trabalhador da Compesa e dirigente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb). Ele explica que o sindicato até recomendou a suspensão da greve, mas a categoria rejeitou a proposta, especialmente nas assembleias de trabalhadores de Caruaru e Petrolina. “Foi por uma diferença de 10 votos. A categoria está dividida”, diz ele. A adesão à greve também é difícil, porque mais da metade dos trabalhadores da Compesa são terceirizados, sob risco de demissão. E mesmo entre os 2,4 mil concursados, parte atua em serviços essenciais, que por lei não podem ser paralisados.
Ele explica que um ponto crucial do impasse foi o prazo do acordo coletivo a ser firmado. “A Compesa prometeu repor 100% da inflação, desde que o acordo valha por dois anos. Mas os trabalhadores não querem dois anos, porque sabem que 2026 é ano eleitoral e nós podemos conseguir um acordo melhor que o proposto”, explica José Barbosa. “Então queremos um acordo de um ano, para em 2026 conversarmos de novo. Mas a proposta da companhia para um ano é rebaixada”, completa. Este é um dos motivos que a mobilização pede “respeito” no tratamento por parte da empresa.
Agora, Barbosa acredita que, ao frustrar a mediação do TRT-6, a greve pode ser punida. “O caso vai para julgamento e devemos ter uma decisão na quinta ou sexta-feira (dias 16 e 17). E sabemos que quando a mediação é frustrada, o Tribunal costuma não gostar”, teme o sindicalista.
Outro ponto na pauta de reivindicações é a estabilidade. Com setores da Compesa passando à iniciativa privada, os trabalhadores temem uma privatização total no futuro e cobram uma garantia de estabilidade por prazo similar ao da concessão dos serviços ao setor privado. Barbosa não é otimista sobre essa reivindicação. “É uma utopia, porque a validade da reivindicação é a validade do acordo coletivo. E nós queremos um acordo de um ano”.
Mas Barbosa parece seguro de que os trabalhadores não correm risco de exoneração. “Não é como no setor elétrico, em que tudo foi vendido. Na Compesa, uma parte será assumida pela gestão privada, mas a Compesa continua existindo como empresa pública. Então, no nosso entendimento, a estabilidade dos concursados está assegurada”, pontua.
Protesto
Nesta segunda-feira (13), o início da greve foi marcado por um protesto em frente à sede da empresa, no Recife, e nos centros administrativos de Caruaru e Petrolina, interior do estado. Na capital, a mobilização teve a presença da deputada estadual Rosa Amorim (PT). “Os primeiros a sentir os efeitos da privatização serão os trabalhadores da Compesa. Em seguida, as famílias e as comunidades, impactadas com contas mais caras e um serviço que não será tudo isso que prometem”, prevê a parlamentar. “Os estados que privatizaram tiveram precarização do trabalho e contas mais caras”, completou.
A vereadora Kari Santos (PT), do Recife, figura frequente nas mobilizações dos trabalhadores da Compesa, destacou a importância da companhia pública. “Estamos falando de uma empresa essencial para a vida das pessoas, que cuida da água e do saneamento. Privatizá-la é colocar esse serviço nas mãos de quem atende ao lucro, não ao povo”, discursou ela. Na entrada da empresa, Kari abordou a deputada Socorro Pimentel (União Brasil), líder do governo Raquel Lyra na Assembleia Legislativa. “A governadora não vai, em nenhum momento, prejudicar os trabalhadores compesianos”, garantiu a deputada.
Privatização da Compesa
No fim de 2024, a governadora Raquel Lyra (PSD) iniciou os trâmites legais para a concessão de parte da Compesa à iniciativa privada. Os serviços de esgotamento sanitário e distribuição de água, considerados mais rentáveis, serão assumidos por empresas particulares por 30 anos. Já os de ampliação da rede, captação e tratamento de água continuam sob gestão pública, o que o Sindurb considera uma “privatização disfarçada”. O sindicato tem levantado a bandeira em defesa de uma Compesa “pública e eficiente”.
Editado por: Vinicius Sobreira | Do Brasil de Fato
































