04/02/2026 07:47

Iphan inaugura Centros de Ciências e Saberes em territórios indígenas de Petrolândia (PE), Paulo Afonso e Glória (BA)

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Iphan inaugura Centros de Ciências e Saberes em territórios indígenas de Petrolândia (PE), Paulo Afonso e Glória (BA)

Centro de Ciências e Saberes Anciões do Ouricuri. (Foto: Mônica Nogueira/Iphan)

Entre os dias 20 e 24 de outubro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participou da inauguração de dois Centros de Ciências e Saberes em territórios indígenas de Pernambuco. Os espaços de museus vivos, localizados nas Aldeias Pankararu Opará e Taboa Pankararu , foram celebrados com uma programação intensa que incluiu rodas de diálogo, apresentações culturais e vistorias técnicas em sítios arqueológicos.

A iniciativa, que também contemplou as comunidades indígenas de Truká-Tupan, em Paulo Afonso (BA), e Pankararé, em Glória (BA), teve como objetivo fortalecer os saberes originários e promover a valorização da cultura e da visão dos povos originários. Em Pernambuco, foram inaugurados o Centro de Ciências e Saberes Casa de Memória Lindaura Tenório, no território Pankararu Opará, e o Centro de Ciências e Saberes Anciões do Ouricuri, no território Taboa Pankararu em Petrolândia (PE).

Acervo Lindaura Tenório. (Foto: Mônica Nogueira/Iphan)

Os Centros são fruto da mobilização das próprias comunidades indígenas, com apoio da Nova Cartografia Social, da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH) e da Superintendência do Iphan em Pernambuco.

Segundo a representante da SABEH, Alzení Tomáz, os Centros de Ciências e Saberes são “museus vivos”, que guardam acervos etnográficos preciosos e funcionam como guardiões das memórias, dos conhecimentos ancestrais e da preservação da cultura.

“Eles constituem camadas de resistência e memória, que se entrelaçam como fios de esperança para a construção de um futuro possível, justo e enraizado na sabedoria dos povos originários”, afirmou Alzení.
A cacica Josenilda Marques, do território Taboa Pankararu, destacou o papel do Centro de Ciência e Saberes Anciões do Ouricuri, na valorização da identidade e da memória do seu povo. “Cada palha trançada, cada cesto feito, guarda a nossa história e a nossa memória. Esse espaço valoriza o trabalho das mulheres e mostra que somos parte viva da história, com nossos modos próprios de construir o mundo”, disse ela.

Já a cacica Valdenuzia Pankararu Opará ressaltou que a Casa de Memória Lindaura Tenório representa a continuidade das tradições e da resistência cultural. “Esse espaço nos garante o fortalecimento das nossas raízes e reafirma nosso direito de viver e manter nossos costumes dentro dos territórios”, declarou Valdenuzia.

Preservação arqueológica e cultural

Durante o evento, a equipe de arqueologia do Iphan em Pernambuco realizou vistorias técnicas nos sítios arqueológicos Gruta dos Encantados (Taboa Pankararu), Lindaura Tenório e Jaguriçá (Pankararu Opará), em uma ação voltada à preservação do patrimônio material e imaterial desses territórios.

Para a arqueóloga do Iphan, Mônica Nogueira, a presença da autarquia nos territórios indígenas reforça o comprometimento institucional com a preservação do patrimônio material e imaterial dos povos indígenas.

“As inaugurações dos Centros de Ciências e Saberes representam um marco na valorização da cultura indígena e na construção de estratégias de proteção do patrimônio material e imaterial. As ações reforçam o protagonismo das comunidades na preservação de suas memórias e modos de vida, em diálogo com o trabalho desenvolvido pelo Iphan”, concluiu.

Os Centros de Ciências e Saberes do Sertão do São Francisco, frutos de mobilizações sociais e de formas político-organizativas, são espaços de luta e resistência cultural, simbólica e física. Neles, objetos, rituais e paisagens se entrelaçam como expressões da afirmação étnica e territorial desses povos.

Por Portal Gov.br

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