04/02/2026 13:03

Especialistas apontam falhas e incoerências em pesquisa do Instituto França usada por aliados de Raquel Lyra

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Especialistas apontam falhas e incoerências em pesquisa do Instituto França usada por aliados de Raquel Lyra

Dessa vez foi um certo instituto “França” de Sergipe, do qual nunca ninguém ouviu falar, que só tem uma pesquisa registrada no Google, essa de Pernambuco, divulgada na última sexta-feira. Traz números divergentes dos institutos com credibilidade. Também apresenta dados conflituosos e questionáveis.

O levantamento foi divulgado amplamente por aliados da governadora Raquel como suposto sinal de crescimento dela. É mais uma pesquisa suspeita, que apontaria um crescimento da governadora Raquel Lyra (PSD) na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas.

O Instituto França, de Sergipe, foi o porta-voz de um sentimento que esbarra nos números e deixa a impressão de que é parte de uma estratégia para criar essa narrativa. Sem respaldo na realidade.

O blog submeteu a pesquisa a especialistas no ramo. Conclusão: Apesar de Raquel aparecer com 29,37% das intenções de voto, atrás do prefeito João Campos (43,18%), o levantamento apresenta inconsistências evidentes quando se analisam os cruzamentos por faixa etária e escolaridade, especialmente nos casos dos pré-candidatos Eduardo Moura e Ivan Moraes, cujos desempenhos nesses recortes destoam completamente do resultado final apresentado.

Nos recortes de idade, por exemplo, Eduardo Moura aparece com percentuais altíssimos entre os eleitores mais jovens e de meia-idade: 38,87% entre os eleitores de 16 a 17 anos, 47,61% entre os de 18 a 24 anos, 39,20% entre 25 e 34 anos e 42,53% na faixa de 35 a 44 anos. Mesmo com essa expressiva vantagem em quatro dos principais segmentos etários, o candidato termina o levantamento com apenas 2,78% das intenções de voto no total — uma discrepância estatística praticamente impossível de ocorrer de forma natural dentro de uma amostra de 1.067 entrevistados.

O caso de Ivan Moraes (PSOL) também chama atenção. De acordo com os recortes divulgados, o psolista registra 31,33% de apoio entre eleitores de 18 a 24 anos, 34,07% entre os de 25 a 34 anos, e 39,59% entre os de 60 anos ou mais. Nos cruzamentos por escolaridade, Ivan aparece com 40% entre eleitores com ensino superior completo e 38,6% entre os de nível superior incompleto. Mesmo assim, no resultado geral, ele surge com apenas 1,59% das intenções de voto — outra incongruência que levanta sérias dúvidas sobre a consistência estatística do levantamento.

Esses dados colocam em xeque a credibilidade do estudo, já que não há proporcionalidade entre o desempenho segmentado e o resultado agregado. Para especialistas em metodologia, variações tão extremas indicam problemas de ponderação, erros no cálculo amostral ou falhas na tabulação dos cruzamentos.

Mesmo assim, o levantamento foi amplamente compartilhado por aliados da governadora Raquel Lyra, como indício de um suposto “crescimento” da gestora no cenário estadual — narrativa que, diante dos números conflitantes, parece mais uma tentativa de construção política do que um reflexo da realidade eleitoral de Pernambuco.

Em suma, a pesquisa do Instituto França carece de coerência interna e transparência metodológica, apresentando percentuais que não se sustentam quando confrontados com as próprias tabelas divulgadas. O resultado final, portanto, mais confunde do que esclarece o cenário político do Estado.

Lamentável que esteja ocorrendo isso, de modo sistemático.

Via Blog do Magno

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