04/02/2026 01:55

Cooperativas empoderam vidas e geram renda para mulheres no interior de Pernambuco

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Em Pernambuco, mulheres que antes trabalhavam sob a necessidade de suprir o sustento de suas famílias, hoje, além de cuidar dos seus, lideram um ecossistema de negócios que contribui para sobrevivência de outros lares. São empreendedoras que comandam cooperativas, geram empregos e inspiram outras mulheres. Por trás dessas histórias, está o cooperativismo, um modelo empreendedor que transforma comunidades e amplia horizontes por uma sociedade mais justa.

As cooperativas são organizações formadas por pessoas que se unem, voluntariamente, para atender necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e gestão democrática.

Diferente de empresas tradicionais, o foco das cooperativas não é o lucro, mas o fortalecimento coletivo: todos os cooperados participam das decisões e dividem, de forma justa, os resultados. De acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), esses modelos de negócios permeiam uma série de ramos, como agropecuário, crédito, saúde e consumo, bem como são reconhecidos por promoverem inclusão, geração de renda e desenvolvimento sustentável nas comunidades.

Cooperação e crescimento

Quem nasceu primeiro: o ovo ou galinha? A busca por essa resposta se arrasta por décadas, mas há um fato: os dois são protagonistas em uma cidade no Agreste de Pernambuco, região que concentra grande parte da distribuição avícola do Estado. A cerca de 200 quilômetros da capital, Recife, emerge a Cooperativa dos Avicultores de São Bento do Una (Coopave), um reduto de trabalho, garra e força feminina.

Juntamente com Petrolina, cidade localizada no sertão pernambucano, São Bento do Una é responsável por 7,29% do plantel da produção de aves de postura, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). E quem contribui diretamente para essa expressividade é uma das diretoras da Coopave, Valdejane da Silva Cavalcante, de 46 anos.

A história da mulher com o cooperativismo é repleta de alegrias e conquistas ao longo dos anos, mas começou de forma trágica. Em 2006, a então agricultora perdeu o pai e precisou arrumar emprego no comércio para sustentar a família. Assim, ela tornou-se um dos 7,6 milhões de brasileiros que foram empregados nesse setor à época, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Eu sustentava minha mãe e meus irmãos, então passei cinco anos trabalhando em um supermercado, como supervisora de caixa“, conta Valdejane.

Apesar de a família da trabalhadora ter uma pequena granja de frangos de corte, o apurado não era suficiente para bancar as necessidades básicas. “A gente só tinha lucro quando o frango saía, que a gente vendia o esterco, mas era muito demorado”, relembra a trabalhadora. As dificuldades no negócio familiar a fizeram permanecer no comércio como a única oportunidade de garantir renda fixa.

O passado de Valdejane é semelhante ao contexto atual de milhões de mulheres brasileiras. Das 72.522.372 unidades domésticas do Brasil, 49,1% tinham responsáveis do sexo feminino, de acordo com dados do Censo Demográfico.

Os desafios em um emprego regido no modelo tradicional foram intensos para Valdejane. Apesar de trabalhar em horário comercial, o dinheiro, no fim do mês, ainda não era suficiente para sustentar de forma digna a família.

A mudança de vida e de perspectiva de negócio, porém, se deu com apoio de órgãos governamentais e privados. Após incentivo, a granja de frangos de corte da família da trabalhadora, a São Sebastião, que Valdejane conciliava junto com seu emprego em escala integral, se tornou parte da Coopave.

“Iniciei com 200 galinhas. Hoje, a gente tem 19.000 galinhas, graças a Deus.”, celebra Valdejane.

Via PE Notícias

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