04/02/2026 22:49

Caso inédito: verme de cobra píton é retirado do cérebro de mulher

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Caso inédito: verme de cobra píton é retirado do cérebro de mulher

Foto: David Clode via Unsplash/Hossain M, Kennedy KJ, Wilson HL, et al. Human Neural Larva Migrans Caused by Ophidascaris robertsi Ascarid. Emerging Infectious Diseases.

Uma mulher de 64 anos, moradora de Nova Gales do Sul, Austrália, teve um verme vivo de 8 centímetros, comum em cobras píton, removido do seu cérebro em um procedimento inédito no mundo. O caso foi divulgado em 2023 por meio de um estudo publicado na revista científica Emerging Infectious Diseases.

No início de 2021, a paciente apresentou sintomas como dor abdominal, diarreia, tosse seca e febre. Em 2022, ela começou a sofrer lapsos de memória, confusão mental e agravamento de um quadro depressivo, o que motivou a realização de uma ressonância magnética. O exame revelou uma lesão incomum no lobo frontal direito do cérebro.

Durante a cirurgia realizada no Hospital de Canberra, os médicos encontraram um verme vivo alojado na região cerebral afetada. O parasita foi identificado como Ophidascaris robertsi, um nematoide que normalmente parasita cobras píton, especialmente as pítons-tapete, que habitam a região próxima ao local onde a paciente colhia verduras para consumo.

A hipótese dos pesquisadores é que a infecção tenha ocorrido pelo contato direto com a vegetação contaminada por fezes de pítons ou pela ingestão de verduras mal lavadas. Este é o primeiro caso documentado de infecção cerebral por esse parasita em humanos, o que representa um alerta para o aumento das zoonoses — doenças transmitidas de animais para humanos — em áreas de maior contato entre espécies.

Após a remoção do parasita, a paciente recebeu tratamento com vermífugos e corticoides para evitar inflamações perigosas causadas pela morte das larvas. Ela está em recuperação e continua sendo monitorada regularmente pelos médicos.

O caso reforça a importância da vigilância em saúde pública para doenças zoonóticas, embora não haja risco de transmissão entre humanos.

Por Portal ChicoSabeTudo

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