Petrolândia Notícias – Alepe cria Frente Parlamentar em defesa do Ramal de Suape da Transnordestina

Alepe cria Frente Parlamentar em defesa do Ramal de Suape da Transnordestina

14 de agosto de 2021 Postado em: Destaques Nenhum comentário


Compartilhe essa notícia whatsapp icone telegramicone linkedin

Tudo começou quando o ministro da Infraestrutura declarou que o governo federal decidiu não levar adiante o projeto original da Transnordestina e concluir apenas o trecho da ferrovia até o Porto de Pecém, no Ceará – FOTO: DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM

Na tentativa de fazer pressão política para reverter a retirada do Ramal de Suape do projeto da Transnordestina, deputados estaduais de Pernambuco aprovaram a criação de uma Frente Parlamentar sobre o tema na sessão da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) desta quinta-feira (13). 

Tudo começou quando o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, declarou, em 20 de julho, que o governo federal decidiu não levar adiante o projeto original da Transnordestina e concluir apenas o trecho da ferrovia até o Porto de Pecém, no Ceará. O seu projeto começou a ser feito em 2002 e as obras tiveram início em 2006.

O projeto da transnordestina tem extensão total de 1742 km, saindo do município de Eliseu Martins, no Piauí, até Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, onde sairiam dois ramais, um para o Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, e outro para Suape, no Cabo de Santo Agostinho.Já foram 6,4 milhões gastos na implantação da ferrovia, sendo 80% oriundos de recursos públicos.

O pedido de criação da Frente Parlamentar em Defesa do Ramal de Suape da Transnordestina é do deputado Waldemar Borges (PSB). É mais uma forma dos deputados estaduais pressionarem o governo federal para tentar manter o projeto original da ferrovia, juntamente com a bancada federal, prefeitos pernambucanos e o governador Paulo Câmara (PSB). 

A proposta foi aprovada por 37 deputados a favor e uma abstenção. “A medida representa importante ameaça ao desenvolvimento da economia pernambucana, uma vez que o modal ferroviário contribuiria de maneira importante para a redução dos custos com transporte gastos por importantes setores produtivos de Pernambuco”, afirmou o deputado durante a sessão. 

A Frente será composta por nove parlamentares: Aluisio Lessa (PSB), Isaltino Nascimento (PSB), Erick Lessa (PSB), Laura Gomes (DEM), Tony Gel (MDB), Fabrício Ferraz (PP), José Queiroz (PDT), Priscila Krause (DEM) e Diogo Moraes (PSB). 

A deputada Laura Gomes (PSB), líder do PSB na Alepe, classificou a decisão do governo federal como “covarde”. “A criação do colegiado em defesa da construção dessa via é algo importante para o fortalecimento de todo o Nordeste”, afirmou a socialista. 

O líder da oposição na Alepe, deputado Antonio Coelho (DEM) pediu atenção da Alepe para outras obras estruturais em atraso para além da Transnordestina. “Diversas iniciativas merecem ser investigadas, como o plano de navegação do Rio Capibaribe, as barragens abandonadas da Mata Sul e o BRT da Região Metropolitana do Recife, que são grandes exemplos de mau uso do dinheiro público em nosso Estado”, afirmou. 

Priscila Krause
A oposição a Paulo Câmara em Pernambuco – alinhada ao governo Bolsonaro – tem sido crítica ao posicionamento dos governistas contra o governo federal no que diz respeito a suspensão do Ramal de Suape, e ao que classificam como transferência de responsabilidade do estado por ter permitido que o trecho pernambucano fosse preterido em relação ao cearense. 

Na reunião do governador com a bancada federal em 27 de julho, foram faltas sentidas as do líder do governo Bolsonaro no Senado Federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB) e um dos vice-líderes do governo na Câmara dos Deputados, André Ferreira (PSC). Eles integram dois do principais grupos da oposição no estado. 

“O fato concreto é que quem constrói uma ferrovia precisa ter acesso ao porto para poder exportar as cargas. Havia duas opções: Pecém ou Suape. A pergunta tem que ser dirigida ao Governo de Pernambuco. Por que não se viabilizou o escoamento das cargas a partir do Porto de Suape? O porto, lá no Ceará, foi viabilizado”, afirmou Fernando Bezerra por meio de nota enviada após a reunião. 

Priscila Krause (DEM) é a única deputada da oposição integrante da frente parlamentar disse ao JC ter boas expectativas sobre o trabalho do grupo. “Vamos acompanhar, mobilizar a sociedade, pressionar politicamente, mobilizar as forças políticas para reverter esse processo”, afirmou a deputada. 

Em contrapartida, ela considera que o Governo de Pernambuco “ficou passivo em relação a modificações que ocorreram” ao longo dos anos durante o andamento das obras da transnordestina.

“O desmonte da Transnordestina vem ocorrendo desde o governo Dilma, quando houve uma transferência de foco para Pecém e passou a se tentar viabilizar mais Pecém do ponto de vista de política indutora dos portos, mais do que Suape. O que ocorre hoje é consequência desse movimento”, afirmou a deputada. 

O prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), defendeu na última terça (10) uma “mudança de foco” na defesa do Ramal de Suape, que só está voltado para o transporte de minérios e produtos agrícolas. Para ele, deve ser discutida a viabilidade do transporte de cargas de retorno, como combustíveis. 

“O assunto não pode ficar restrito ao Ministério da Infraestrutura. Por isso, tratei pessoalmente dessa questão com o deputado federal André Ferreira, que está mobilizando outros setores do Governo Federal. O momento é de união por Pernambuco com foco na viabilidade econômica do ramal até Suape e não de disputas políticas”, afirmou Anderson. 

Do JC On Line

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.