Petrolândia, Memória Viva: em 1993, Diario de Pernambuco destacava conflito de terras entre posseiros e indígenas Pankararu em Petrolândia
7 de novembro de 2026 Postado em: Destaques História Pernambuco Pernambuco Notícias Petrolândia - PE Petrolândia Notícias Petrolândia-PE Sertão Nenhum comentário
Reportagem publicada em 20 de outubro de 1993 denunciava supostas agressões policiais contra trabalhadores rurais e revelava uma disputa envolvendo cerca de 400 famílias de posseiros no Sertão pernambucano.
O quadro Petrolândia, Memória Viva, do Blog PN Petrolândia Notícias, resgata mais um importante documento da história do município. Desta vez, voltamos ao dia 20 de outubro de 1993, quando o jornal Diario de Pernambuco publicou uma reportagem intitulada “Conflito de terra agita Petrolândia”, abordando uma disputa fundiária que envolvia posseiros, indígenas Pankararu, a Polícia Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), então denominada Fundação Nacional do Índio.
A matéria, preservada no acervo do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI), na coleção Povos Indígenas no Brasil, retratava um período de tensão na zona rural de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco.
O destaque da publicação era uma denúncia apresentada por representantes sindicais, que responsabilizavam a Polícia Federal por supostas agressões contra trabalhadores rurais e criticavam a atuação da Funai no conflito.
Cerca de 400 famílias viviam nas áreas em disputa
De acordo com a reportagem, aproximadamente 400 famílias de posseiros residiam nas comunidades de Caldeirão, Benquerer e Caxiado, entre outras localidades rurais de Petrolândia.
O jornal informava que essas famílias reivindicavam uma ocupação histórica das terras, com referências a uma presença de quase dois séculos na região.
Segundo os representantes sindicais, as propriedades possuíam plantações, construções, cercas e áreas utilizadas coletivamente para criação de animais e outras atividades agrícolas.
Naquele período, as terras eram objeto de uma disputa envolvendo os posseiros e indígenas Pankararu, em um contexto de reivindicações territoriais e questionamentos sobre a ocupação das áreas.
A reportagem registrou principalmente a versão apresentada pelos trabalhadores rurais e seus representantes sindicais, não trazendo uma manifestação detalhada dos indígenas envolvidos.
Sindicato denunciava agressões da Polícia Federal
Um dos episódios mais graves relatados na matéria dizia respeito à atuação de policiais federais na região.
O então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia, Januário Moreira da Silva Neto, denunciou que posseiros e dirigentes sindicais estariam sofrendo agressões.
Segundo a versão apresentada pelo sindicato, agentes da Polícia Federal teriam entrado nas áreas ocupadas pelos trabalhadores rurais, derrubado cercas e retirado madeiras utilizadas nas propriedades.
A reportagem também mencionava denúncias de destruição de plantações de angico, espécie vegetal encontrada na região.
Os sindicalistas afirmavam que as operações teriam começado no dia 9 de outubro de 1993, em meio ao agravamento das tensões fundiárias.
Essas informações foram apresentadas como denúncias dos representantes dos posseiros. O recorte não apresenta conclusão de investigação que confirme as acusações.
Coordenador sindical teria sido agredido durante abordagem
Outro episódio destacado pelo Diario de Pernambuco envolveu Eraldo José de Souza, identificado como coordenador do Polo Sindical do Submédio São Francisco e morador da área em conflito.
Segundo os sindicalistas, no dia 12 de outubro de 1993, por volta das 18h30, policiais federais teriam abordado o veículo conduzido por Eraldo.
A denúncia afirmava que ele foi obrigado a sair do automóvel e sofreu agressões físicas, além de ameaças.
Os representantes sindicais classificaram a conduta denunciada como arbitrária e defenderam a apuração dos acontecimentos.
A reportagem não apresentou a versão dos policiais envolvidos nem informou o resultado de eventual investigação sobre o episódio.
Funai também foi responsabilizada pelos sindicalistas
A atuação da Funai foi outro ponto de questionamento apresentado na reportagem.
Segundo Januário Moreira e Ademar Fagundes Vieira, diretor do Polo Sindical do Submédio São Francisco, a instituição estaria apoiando as reivindicações indígenas em prejuízo dos posseiros.
Os sindicalistas mencionaram a liderança indígena Pankararu no contexto das disputas e questionaram os procedimentos adotados na região.
É importante destacar que essas declarações representavam a posição dos representantes sindicais naquele momento.
A reivindicação territorial indígena e a situação jurídica das terras exigiam análise própria, não sendo possível determinar, apenas com base na reportagem, a quem caberia o direito de posse ou propriedade das áreas disputadas.
Polo Sindical pediu suspensão das operações
Diante dos acontecimentos, o Polo Sindical do Submédio São Francisco divulgou uma nota pública repudiando a atuação denunciada da Polícia Federal.
A entidade solicitou a suspensão das operações na região até que houvesse uma definição da situação dos posseiros, com participação das autoridades competentes.
O sindicato também defendia que as famílias não fossem retiradas das áreas sem uma solução concreta para sua situação.
O episódio mostra a intensidade das disputas fundiárias que marcaram determinadas comunidades rurais de Petrolândia no início da década de 1990.
Uma fotografia que registrou o conflito
Além do texto, a reportagem do Diario de Pernambuco apresentou uma fotografia de representantes dos posseiros reunidos durante a mobilização.
A legenda destacava que os trabalhadores rurais afirmavam não desejar um confronto com os indígenas Pankararu e defendiam uma solução pacífica para o impasse.
O registro fotográfico ajuda a compreender o ambiente de mobilização social daquele período, quando diferentes grupos reivindicavam reconhecimento e segurança em relação às terras que ocupavam.
Um capítulo da história rural de Petrolândia
A reportagem de outubro de 1993 revela um período de tensões envolvendo o uso e a ocupação de terras no município.
A história das comunidades rurais de Petrolândia reúne trajetórias de agricultores, posseiros e povos indígenas, cujas relações com o território antecedem muitas das transformações administrativas e econômicas ocorridas na região.
O documento também permite compreender a atuação dos sindicatos rurais, das instituições federais e das lideranças comunitárias diante dos conflitos fundiários.
Mais de três décadas depois, o recorte permanece como uma importante fonte histórica, embora não permita estabelecer o desfecho judicial ou administrativo da disputa.
Petrolândia, Memória Viva: histórias que não se apagam
Ao recuperar a publicação do Diario de Pernambuco, o Petrolândia, Memória Viva preserva mais um registro da história de Petrolândia, desta vez relacionado às disputas pela terra e às mobilizações de trabalhadores rurais em 1993.
O episódio demonstra como as questões fundiárias fizeram parte da realidade de comunidades do município e como diferentes grupos buscaram defender seus direitos naquele período.
Você se lembra desse conflito de terras ocorrido em Petrolândia em outubro de 1993? Conheceu moradores das comunidades de Caldeirão, Benquerer ou Caxiado? Compartilhe suas lembranças e documentos com o Blog PN Petrolândia Notícias para ajudar a preservar mais esse capítulo da história do município.
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Fonte histórica: Diario de Pernambuco, 20 de outubro de 1993. Reportagem original: “Conflito de terra agita Petrolândia”. Documento preservado pelo CEDI – Povos Indígenas no Brasil / Acervo ISA.
Por Alex Santos – Blog PN Petrolândia Notícias.









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