Dengue avança com mudanças climáticas e atinge nível epidêmico em 54% das microrregiões brasileiras, aponta Fiocruz
25 de outubro de 2026 Postado em: Destaques Nenhum comentário
As mudanças climáticas estão contribuindo para ampliar as áreas de circulação da dengue no Brasil, inclusive em localidades que, no passado, apresentavam temperaturas menos favoráveis à reprodução do mosquito transmissor. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou que 54% das microrregiões brasileiras analisadas já registraram níveis epidêmicos da doença.
Segundo os dados divulgados neste domingo (25), a quantidade de microrregiões classificadas com incidência epidêmica passou de 110, em 2006, para 292, em 2024. Nas outras 46%, os registros foram classificados em níveis médios ou baixos, ou em situações de risco esporádico ou incerto. Isso não significa que todas as cidades do Brasil estejam enfrentando uma epidemia neste momento; os números descrevem o comportamento observado na série histórica da pesquisa.
Calor fora do padrão favorece a disseminação
Os pesquisadores encontraram associação entre a frequência de anomalias térmicas — períodos com temperaturas diferentes da média habitual de cada local — e o crescimento da incidência da dengue no longo prazo. O calor e a umidade influenciam o ciclo de vida do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da doença.
O estudo reforça a preocupação com regiões historicamente mais frias. O Rio Grande do Sul, por exemplo, registrou em 2024 aproximadamente 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes por dengue, conforme os dados citados na reportagem da Agência Brasil. Na Bahia, naquele mesmo ano, foram cerca de 163 mil casos confirmados e 188 óbitos.
O infectologista Celso Granato, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, explicou que os ovos do mosquito podem permanecer no ambiente e eclodir quando encontram condições adequadas de temperatura e umidade. Isso aumenta a importância das medidas de vigilância e prevenção durante todo o ano.
O que os moradores podem fazer para prevenir a dengue?
Em Petrolândia e nas demais cidades do Sertão de Pernambuco, as medidas preventivas continuam importantes, independentemente da época do ano. É recomendável eliminar água parada em recipientes, manter caixas-d’água bem vedadas, limpar calhas, descartar corretamente pneus e embalagens e permitir o trabalho dos agentes de combate às endemias.
Quem apresentar febre, dores no corpo, dor atrás dos olhos ou outros sintomas suspeitos deve procurar orientação de uma unidade de saúde. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos ou sensação de desmaio são sinais que exigem avaliação imediata. A automedicação deve ser evitada, especialmente com remédios que possam aumentar o risco de sangramento.
Além dos cuidados individuais, o estudo destaca a necessidade de ações permanentes de vigilância, controle do mosquito e adaptação das políticas de saúde às mudanças ambientais.
Com informações do Pernambuco Notícias, da Agência Brasil e de publicações da Fiocruz. Imagem: Reprodução/Pernambuco Notícias.









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