Petrolândia Notícias – Petrolândia, Memória Viva – Parte 2: As reivindicações de Petrolândia para enfrentar a construção da Barragem de Itaparica

Petrolândia, Memória Viva – Parte 2: As reivindicações de Petrolândia para enfrentar a construção da Barragem de Itaparica

29 de agosto de 2026 Postado em: Destaques História Pernambuco Pernambuco Notícias Petrolândia - PE Petrolândia Notícias Petrolândia-PE Sertão Nenhum comentário


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Na segunda parte deste resgate histórico, o foco está nas reivindicações apresentadas pelo então prefeito José Dantas de Lima ao presidente João Figueiredo, em outubro de 1979.

O objetivo era garantir que a construção da Barragem de Itaparica não significasse apenas a perda da antiga cidade e de áreas rurais, mas que a população atingida tivesse condições de reconstruir sua vida e permanecer em Petrolândia.

Entre as reivindicações apresentadas no memorial estava o pedido para que a Chesf transferisse mensalmente recursos financeiros à Prefeitura, destinados ao custeio de despesas relacionadas à prestação de serviços à comunidade.

O prefeito também reivindicava que a Chesf se dispusesse a discutir com a população, por meio do Governo Municipal, todos os aspectos relacionados à construção da nova cidade.

Outra proposta era a criação urgente de uma comissão mista formada pela Chesf, Governo do Estado, Prefeitura de Petrolândia e representantes das classes sociais.

Essa comissão teria a missão de elaborar uma tabela que servisse como referência para as indenizações decorrentes das desapropriações provocadas pela construção da barragem.

O memorial também defendia que fosse encontrada, no menor prazo possível, uma fórmula para que os agricultores atingidos fossem previamente relocados para áreas agricultáveis.

A intenção era evitar que as famílias perdessem sua principal fonte de sustento e garantir a permanência do homem no campo.

Uma das reivindicações mais importantes dizia respeito ao Núcleo Colonial de Petrolândia, projeto de irrigação da Codevasf.

O prefeito solicitava que o núcleo fosse reimplantado em outra área dentro do próprio município, preservando a atividade agrícola e a estrutura produtiva existente.

Ao concluir o documento, José Dantas de Lima afirmou que aquelas eram, de forma simples e sucinta, as preocupações da comunidade petrolandense diante da construção de Itaparica.

Apesar de reconhecer o progresso que a hidrelétrica poderia trazer, o prefeito defendia que esse desenvolvimento não poderia ocorrer às custas de prejuízos para a população sertaneja.

O documento entregue a João Figueiredo representa um importante registro histórico das primeiras articulações políticas em defesa da população de Petrolândia diante da inundação da antiga cidade.

Décadas depois, o memorial ajuda a compreender que a mudança de Petrolândia não foi apenas uma transferência geográfica. Foi um processo que envolveu preocupações com moradia, agricultura, indenizações, economia, infraestrutura e, principalmente, com o futuro das famílias que seriam obrigadas a deixar suas terras.

Petrolândia, Memória Viva recupera hoje esse documento para preservar uma parte fundamental da história de uma cidade que precisou ser reconstruída diante das águas.

Fonte: Diario de Pernambuco, edição de 19 de outubro de 1979.

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