31/01/2026 13:51

Reta do Mirim: a Estrada que é Paisagem e Desafio entre Ibimirim e Petrolândia

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No coração do sertão pernambucano, quando o sol já começa a queimar o horizonte e a caatinga se estende como mar seco, aparece ela — a Reta do Mirim. Não é apenas um caminho, mas um longo traço de poeira e histórias que une Petrolândia a Ibimirim ao longo de quase 80 km de chão batido, cascalho e sonhos de asfalto.

Quem passa por ali logo percebe: não é uma simples estrada de terra — é cenário e personagem de uma vida sertaneja arisca, tão inclemente quanto belo. Cada quilômetro desponta sob o sol escaldante como um desafio silencioso. Em dias de seca, a poeira sobe em colunas, cobrindo janelas de carros e ternos de viajantes; na estação das chuvas, a terra se transforma, caprichosa, em lama que prende rodas e paciência.

Há décadas, a Reta do Mirim foi desenhada na caatinga. Nasceu de traços entregues às ferramentas da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas na metade do século XX, e desde então segue, teimosa, sem pavimento, como se resistisse a ser apenas mais uma estrada “civilizada”. Vivida por caminhões pau-de-arara, por carros carregados de mercadorias, e por ambulâncias que lutam contra o tempo, ela não representa apenas distância — simboliza persistência e cotidiano.

Por ali trafegar é sentir o sertão em cada golpe de vento, ouvir o silêncio quebrado apenas pelo ronco do motor, e perceber as comunidades que respiram através daquele longo caminho sem asfalto. Crianças que enfrentam a poeira para chegar à escola, agricultores que carregam a produção sob o sol inclemente, famílias que conhecem cada curva de terra como quem conhece uma história de família.

E apesar das promessas de pavimentação que surgem nos gabinetes e discursos políticos — um asfalto desejado que poderia transformar realidades —, a Reta do Mirim segue sendo, por ora, um pedaço vivo do sertão: rude nas aparências, mas essencial na ligação entre vidas, cidades e destinos. Uma estrada que ainda espera pelo descanso suave que só o asfalto pode trazer, mas que jamais deixará de ser um retrato fiel da resistência sertaneja.

Por Redação | Foto: Reprodução

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