Petrolândia Notícias – ‘Impedir eleições é crime de responsabilidade’, diz Barroso em nome do TSE

‘Impedir eleições é crime de responsabilidade’, diz Barroso em nome do TSE

10 de julho de 2021 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma nota oficial no
final da tarde desta sexta-feira afirmando que “qualquer atuação” que
possa impedir a ocorrência das eleições presidenciais de 2022 viola
princípios constitucionais e “configura crime de responsabilidade”.


“A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do
regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios
constitucionais e configura crime de responsabilidade”, diz a nota,
assinada pelo presidente do TSE, o ministro Luís Roberto Barroso.


O posicionamento é uma resposta oficial da Corte a uma fala do
presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em conversa com apoiadores, o
presidente afirmou que “a fraude está no TSE” e que “corremos o risco de
não termos eleições no ano que vem”. Ele ainda ofendeu o ministro
Barroso, a quem chamou de “imbecil” por ser contra a PEC do Voto
Impresso.


Antes da nota do TSE, o ministro fez a sua manifestação pessoal, em nota enviada ao jornalista Josias de Souza, do portal UOL, e confirmada pela CNN Brasil. “Cumpro o meu papel pelo bem do Brasil. Mas eleição vai haver, eu garanto”, afirmou.


Senado


Em pronunciamento, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG),
afirmou nesta sexta-feira (09) que a realização de eleições regulares no
Brasil é inegociável e que não se pode admitir nenhum retrocesso do
estado democrático de direito.


“Nós não podemos admitir qualquer tipo de fala, de ato, de menção,
que seja um atentando à democracia ou que seja um retrocesso. Portanto,
tudo que houver de especulações de algum retrocesso ou a frustração das
eleições de 2022 é algo que o Congresso não concorda e repudia. Isso
advém da Constituição à qual devemos obediência.”


O presidente do Senado também disse que os eventuais interessados em
frustrar as eleições no país serão apontados como inimigos. “Todo aquele
que pretender um retrocesso será apontado pelo povo brasileiro como
inimigo da nação e como alguém privado de patriotismo.”


Câmara


Diante do quadro de tensão institucional, o vice-presidente da Câmara
dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), se posicionou em suas redes
sociais.


No vídeo, Ramos rechaça as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem
partido) que colocam em xeque a realização das eleições em 2022 e diz
que quem define estas questões é a Constituição Federal.


Leia a nota do TSE na íntegra:


NOTA À IMPRENSA


Tendo em vista as declarações do Presidente da República na data de hoje, 9 de julho

de 2021, lamentáveis quanto à forma e ao conteúdo, o Tribunal Superior Eleitoral esclarece

que:


1 – Desde a implantação das urnas eletrônicas em 1996, jamais se documentou

qualquer episódio de fraude. Nesse sistema, foram eleitos os Presidentes Fernando Henrique

Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. Como se constata

singelamente, o sistema não só é íntegro como permitiu a alternância no poder.


2 – Especificamente, em relação às eleições de 2014, o PSDB, partido que disputou

o segundo turno das eleições presidenciais, realizou auditoria no sistema de votação e

reconheceu a legitimidade dos resultados.


3 – A presidência do TSE é exercida por Ministros do Supremo Tribunal Federal.

De 2014 para cá, o cargo foi ocupado pelos Ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux,

Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Todos participaram da organização de eleições. A

acusação leviana de fraude no processo eleitoral é ofensiva a todos.


4 – O Corregedor-Geral Eleitoral já oficiou ao Presidente da República para que

apresente as supostas provas de fraude que teriam ocorrido nas eleições de 2018. Não houve

resposta.


5 – A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do

regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios

constitucionais e configura crime de responsabilidade.


Brasília, 9 de julho de 2021.


Ministro Luís Roberto Barroso

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral

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