Petrolândia Notícias – Associação PROVIDA participa de encontro para formação de comissão anti-nuclear, realizado na diocese de Floresta, PE

Associação PROVIDA participa de encontro para formação de comissão anti-nuclear, realizado na diocese de Floresta, PE

8 de fevereiro de 2019 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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No dia 30 do mês de janeiro de 2019, aconteceu mais um encontro anti-nuclear, composto por:  Diocese de Floresta, CPP, CPT, CIMI, Nova Cartografia Social, AAB, FETAPE, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Pankará (Serrote dos campos; itacuruba), Comunidade quilombola Pau de leite, Comunidade quilombola Balanço, Associação PROVIDA, Tuxá Campos, LEPEC, Comunidade quilombola Poços dos Cavalos, Comunidade quilombola Filhos do Pajeú e Comunidade quilombola Negros de Gilú.


O encontro teve como objetivo ressaltar a situação da implantação da usina nuclear na cidade de Itacuruba, as consequência e ver encaminhamentos que possam nortear o que deve ser feito diante desta situação.

Relato do que vem acontecendo desde que surgiu o primeiro boato sobre a implantação da usina nuclear.

As Usinas nucleares começaram a surgiu no território brasileiro a partir do acordo Brasil-Alemanha, durante a ditadura militar, no qual a tecnologia alemã foi utilizada para construir Angra 1 e 2. 

Em 2006, o programa nuclear brasileiro foi reativado e desde 2009 existe um boato de construção de novas usinas no país.

Em 2010, os responsáveis pelo projeto, funcionários da Eletrobrás, deixaram vazar informações acerca da possibilidade de construção de uma usina nuclear em Itacuruba.

Mediante as informações em 2011 foi montada uma Caravana antinuclear em torno das regiões mais afetadas, que seriam nas cidades de Belém, Itacuruba, Jatobá e Floresta.

Objetivando a conscientização dos habitantes do território eventualmente atingido, audiência publica na câmara de vereadores de Itacuruba; produção e veiculação da Carta de Itacuruba. 

Um país com tanto potencial energético (sol, vento…), porque optar por uma fonte de energia tão polemica e de alto potencial destrutivo? Histórico de acidentes nucleares (URSS, Fukushima…). 

O desenvolvimento dos programas nucleares sempre caminhou ao lado dos interesses militares das nações; potencial bélico que decorre da produção de armamentos (submarinos nucleares, bomba nucleares).

O funcionamento da Usina demanda uma reserva ampla de água por perto para resfriar os reatores; Itacuruba  Rio São Francisco.

O que um vazamento de material radioativo representaria para o rio e os povos que dependem dele?
  • Manejo dos resíduos decorrentes da atividade  lixo atômico; não desaparece.
  • Vazamento de material radioativo se dissipa facilmente pelo ar; exemplo de Chernobyl e a nuvem radioativa que se dissipou por toda a Europa;

  • Reivindicações sobre o território não terão mais materialidade/objeto, pois todas as terras da usina passarão a ser de propriedade da união e o Estado vai remover todos os povos das proximidades;

Ocasionando uma nova conjuntura política do país, com ampla participação institucional de setores militares e da burguesia, é bastante favorável à concretização do projeto; governo não tem qualquer compromisso com:
  • O direito dos povos tradicionais
  • A preservação do meio ambiente, das águas;

Brasil tem a 6ª maior reserva de urânio do mundo; já existem minas de urânio ativas no país (Caetité, Santa Quitéria).

Promessas do Estado de melhorar a situação do povo, de aumento da oferta de empregos, de desenvolvimento da região são falaciosas; sempre são feitas para legitimar os grandes empreendimentos (Itaparica), mas a história mostra que não são concretizadas. Pois grandes obras trazem impactos irreversíveis para os povos e seus territórios;
Que desenvolvimento é esse? Exemplos de mariana e brumadinho com acidentes decorrentes da mineração; potencial destrutivo das usinas nucleares é ainda maior.

De fato a quem interessa a construção das usinas?
  • Grandes empresas de engenharia;
  • Empresas que fornecem o maquinário;
  • Grandes indústrias que se beneficiarão da energia produzida;
  • Setores do exercito que objetivam o desenvolvimento do armamento nuclear;
  • Políticos que se beneficiarão do dinheiro desviado dos grandes empreendimentos;

Deixando claro que as comunidades tradicionais e a comunidade, são mero detalhe diante da margem de lucro que e destinado aos grandes investidores citados acima.

Mineração de Urânio em Caetité (BA)

O início da exploração na região remonta ao início dos anos 90.

Ocasionou uma ocupação muito violenta na região, levada sob sigilo por parte da mídia e das instâncias governamentais. Somado a isso o fato de que tanto os povos da região quanto as entidades e movimentos que acompanharam o processo estavam, condenados a uma falta absoluta de informação.

As noção de desenvolvimento aplicada pelo estado não contempla os interesses do povo.

E a Incompetência comprovada do setor nuclear do estado brasileiro, com diversos casos de acidente na região, com a comprovação de que a água e o ar da região estão contaminados.

As empresas tem a obrigação de produzir estudos e relatórios sobre as condições do local e como os moradores estão sendo afetados, mas esses materiais, se produzidos, não são disponibilizados.

Funcionamento da mina

Pedra do urânio é retirada e depois beneficiada, gerando a produção de uma pasta amarela que depois de enriquecida serve como combustível das usinas. Em grande parte, esse material é exportado para ser enriquecido fora do país e depois retorna para ser utilizado em angra.

 As comunidades de Caetité vivem em um estado de medo constante, mas hoje já possuem um nível elevado de articulação e consciência dos riscos que a mina representa.

Mineração é de competência federal e, por consequência, a sua fiscalização compete aos órgãos competentes da união.

Dentre das diversas pesquisas foram feitas pode-se contar dentre os prejuisoa pode ser citado: 

Leite das mães lactantes próximas à área de mineração contem taxas alarmantes de radiação.

Trabalhadores da região também estão contaminados.

E mais uma vez a situação ocorrida em Caetité se repete, as informações são retidas da população, os órgão competentes para repasse ficam passando um para o outro, como argumento que também não tem informação concreta quanto ao assunto.

As promessas falsas quanto, ao progresso, geração de empregos, melhoria na vida econômica da classe mais humilde. 

Onde de fato são inverdades, os lucros e bem estar são exclusivos das grandes empresas, restando para a demais população dejetos e lixos tóxicos e terras contaminas as quais não servem nem para plantação.

Quando as autoridades competentes de fato vão dar a devida importância para essa problemática? Quando ocorrer mais uma tragédia a exemplo de Mariana e três anos depois em brumadinho.
Na Constituição do Estado de Pernambuco diz que:
“Art. 215. Para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação ambiental, será exigido estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade e, na forma da lei, submetido à audiência pública”.
Art. 216. “Fica proibida a instalação de usinas nucleares no território do Estado de Pernambuco enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia hidrelétrica e oriunda de outras fontes”. 

No entanto a possibilidade de implantação da usina nuclear na cidade de Itacuruba ainda persiste.

Ate quando os nossos governantes irão fechar os olhos para a população e para meio ambiente, e deixar de se aterem aos lucros e capitais de grade empresas.

Após o encontro foi criado a comissão de articulação antinuclear e a será criado também os comitês municipais, tendo em vista que  comitês municipais de Mirandiba e Itacuruba já foram criados.

Lutaremos também pela preservação do rio São Francisco.


A PROVIDA também conta com a parceria dos Voluntários do Bem.

Redação e Fotos: Assessoria de Comunicação da Associação do Promotores da Cultura e Cidadania PROVIDA



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