Acomodação política deixa o governo Paulo Câmara menos políticos e mais técnicos
24 de junho de 2018 Postado em: Destaques Nenhum comentário
A acomodação política na base do governador Paulo Câmara (PSB) – com novas nomeações para os aliados da próxima disputa eleitoral – trouxe, novamente, à discussão a preocupante realidade do Porto do Recife, que passa por dificuldades. Durante a semana passada, chegou a se cogitar que o novo presidente do ancoradouro seria o ex-prefeito de São Lourenço da Mata, Gino Albanez (PP). A indicação de um político, e não um nome técnico para o cargo, foi rechaçada por sindicatos de empresários e de trabalhadores que atuam na estatal. O governo do Estado recuou. Depois disso, uma reunião no Palácio do Campo das Princesas resultou numa carta-compromisso pelo “resgate histórico, econômico e social do Porto do Recife” que há quase duas décadas vive de promessas que não se concretizam. E aí as consequências da rotatividade na gestão provocada pela política é só mais um problema na estatal.
Nos últimos 17 anos, foram 16 ex-presidentes que passaram pelo terminal marítimo do Bairro do Recife, o que corresponde a pouco mais de um ano para cada gestão. “Não tem empresa que consiga dar certo desse jeito”, diz um funcionário de carreira da estatal. “A grande quantidade de cargos comissionados na estatal está ligada às indicações políticas”, diz o presidente do Sindicato dos Estivadores dos Portos de Pernambuco, Josias Santiago.
São 171 trabalhadores ligados diretamente ao ancoradouro, incluindo 68 cargos comissionados, dos quais 35 são indicados pelo Partido Progressista (PP), segundo Carlos Vilar, que atualmente responde pelos portos do Recife e de Suape, desde que o governador aumentou o número de indicados do partido na sua gestão.
Quase 40% de todos os trabalhadores do Porto do Recife são comissionados. É um número alto de funcionários e de comissionados, porque as operações da estatal – que é a parte que precisa de mais mão de obra – são realizadas por trabalhadores avulsos, que não têm ligação trabalhista, recebendo somente quando trabalham. Os avulsos chegam a 1,2 mil.
“Faltou qualificação técnica nas indicações políticas. Com exceção de dois ex-presidentes (Carlos Vilar e Alexandre Catão), os demais não tinham conhecimento das questões portuárias. Faz tempo que o Porto do Recife deixou de ser prioridade”, resume Josias Santiago.
DOIS PORTOS
“Quem tem dois portos, deve dar prioridade aos dois. É importante o Estado se diferenciar por ter dois equipamentos complementares. Suape vai continuar com os granéis líquidos e Recife com a movimentação de açúcar, cevada, trigo e milho, entre outros. É importante a união da classe política para alavancar mais investimentos para o Porto do Recife”, defende o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha.
O açúcar sempre foi uma das tradicionais cargas da estatal. Mas com a seca e a crise, as quase 700 mil toneladas de açúcar, numa safra, exportadas por lá passaram, em média, para cerca de 200 mil toneladas por safra, sendo aproximadamente 130 mil toneladas do produto a granel e 70 mil toneladas ensacadas. O Porto de Suape exporta 100 mil toneladas de açúcar por safra.
A desaceleração da economia fez o Porto do Recife perder cargas e receitas. O milho, por exemplo, desapareceu porque o setor avícola do Estado substituiu o grão que vinha da Argentina pelo nacional que chega ao Estado de caminhão. Desde 2016, foi suspensa a montagem de skids – partes menores de plataformas de petróleo –, montadas pela multinacional GE para a Petrobras. Esse projeto gerava, em média, uma receita de R$ 800 mil mensais à estatal e deixou de existir por causa da crise que atingiu o setor naval em todo o País.
Tudo isso está levando o Porto do Recife a acumular déficits. Em 2017, o balanço da empresa registrou um prejuízo de R$ 14,2 milhões. No ano anterior, foram R$ 36 milhões de prejuízos, segundo o balanço publicado no dia 27 de abril deste ano. “Os prejuízos foram se acumulando”, explica Carlos Vilar.
A maior preocupação dos empresários e trabalhadores é de que os prejuízos constantes, junto com a diminuição da carga, levem o governo do Estado a fechar o Porto do Recife em torno do qual gravitam cerca de 6 mil pessoas ligadas às transportadoras, operadoras portuárias, agências de navegação, entre outras empresas.
Via PE Notícias








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