Espécie de morcego começa a se alimentar de sangue humano no Brasil
13 de janeiro de 2017 Postado em: Destaques Nenhum comentário
Uma espécie de morcego encontrada no Brasil, até então conhecida por consumir exclusivamente sangue de aves, está se alimentando agora de sangue humano. A revelação está em uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros e publicada em novembro na revista científica “Acta Chiropterologica”, a mais importante publicação do mundo voltada à pesquisa de morcegos.
O estudo analisou 70 amostras de fezes da espécie Diphylla ecaudata, popularmente conhecida como morcego-vampiro-de-pernas-peludas. Os cientistas conseguiram extrair o DNA de 15 delas – e em três descobriram vestígios de sangue humano, explica Enrico Bernard, professor do Departamento de Zoologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e responsável pela pesquisa. O estudo foi conduzido no Parque Nacional do Catimbau, na região de caatinga de Pernambuco, a cerca de 300 km do Recife.
“Das três espécies de morcegos-vampiros que conhecemos, sabíamos que apenas uma delas se alimentava de sangue humano”, conta Bernard, em entrevista à BBC Brasil.
“Mas nosso estudo mostrou agora que outra espécie, o morcego-vampiro-de-pernas-peludas, que só se alimentava do sangue de aves, também passou a consumir sangue humano”, acrescenta o especialista.
Bernard explica que, diferentemente do sangue de aves, rico em gordura, o dos mamíferos é mais espesso e rico em proteína.
“Sabíamos que essa espécie (morcego-vampiro-de-pernas-peludas) tinha uma adaptação fisiológica para digerir apenas o sangue de aves. Mas isso parece estar mudando, já que ela passou a se alimentar de sangue humano”, afirma.
Causas
Na avaliação de Bernard, considerando que o morcego-vampiro-de-pernas-peludas tem fisiologicamente menos tolerância ao sangue de mamíferos, os novos hábitos alimentares da espécie “reforçam um cenário de escassez de presas”.
“Sendo assim, ou o comportamento alimentar desse bicho é muito mais variável do que imaginávamos até hoje, ou há uma restrição significativa de suas presas nativas”, diz o especialista. Bernard afirma que os resultados do estudo parecem validar a segunda hipótese.
Via PE Notícias








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