Lula completa 500 dias preso negando-se a solicitar semiaberto
20 de agosto de 2019 Postado em: Destaques Nenhum comentário
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva completa 500 dias preso na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba nesta terça-feira (20). Preso em 7 de abril de 2018, o petista cumpre pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão por condenação em 2ª Instância no caso do tríplex do Guarujá (SP). Lula foi o 6º presidente a ir para a cadeia e 1º condenado por crime comum na história do Brasil.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal), Lula já cumpriu tempo suficiente de sua pena – o equivalente a ⅙ – para progredir seu regime. A manifestação foi enviada em 4 de junho ao STJ (Superior Tribunal Federal). No entanto, ainda não há data prevista para a avaliação do documento.
Em 11 de agosto, o ex-presidente determinou a seus advogados que não solicitem à Justiça o pedido para que ele cumpra a pena em regime semiaberto ou aberto. Ele disse que só pretende ir para casa após eventual absolvição ou anulação da sentença.
“Eu quero a minha inocência. E outra coisa, não adianta ficar querendo discutir no meu caso a progressão da pena. Não adianta. Eu não quero: ‘Ah, o Lula, coitado, já está com 73 anos’. Eu não vou pedir [a progressão de regime] você sabe o porquê? Porque eu quero a minha inocência. Eu quero sair daqui com 100% de inocência“, afirmou em entrevista ao jornalista Bob Fernandes na última semana.
“Não estou precisando de favor, o que eu quero é justiça”, disse, ao cobrar ao Supremo que “retome a direção do Poder Judiciário”.
Uma das medidas cautelares que a Justiça poderia determinar ao petista, caso concedesse o regime semiaberto ou aberto, seria o uso da tornozeleira eletrônica. No entanto, Lula se mostra irredutível ao uso. “Tornozeleira é pra ladrão”, disse em ao Diário do Centro do Mundo.
Atualmente, a defesa aguarda dois pedidos de habeas corpus que pedem a liberdade de Lula no STF (Supremo Tribunal Federal). Um pede a suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro e outro, pede a suspeição do coordenador da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol e acesso a conversas de autoridades hackeadas. Ambos alegam a parcialidade dos citados e não tem data prevista para julgamento.
Além do caso do tríplex, a liberdade de Lula também depende de outro julgamento, o do caso do sítio de Atibaia (SP). O ex-presidente foi condenado pela juíza federal Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal do Paraná, a mais 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foi acusado de receber R$ 1 milhão em propinas das empreiteiras Odebrecht e OAS para reformas no sítio.
A defesa já recorreu da decisão ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), mas aguarda o julgamento. Os advogados também foram ao Supremo pedir a suspensão da ação, mas o pedido foi arquivado.
Caso a condenação seja mantida antes de um eventual habeas corpus no caso tríplex do Guarujá e, com a sentença, seja determinado um novo pedido de prisão após condenação em 2ª Instância, o ex-presidente deve permanecer preso.
SALA ESPECIAL NA PF
Durante os 500 dias, Lula foi mantido em uma sala especial instalada no 4º andar da sede da PF em Curitiba (PR). O espaço tem 15 m² e possui um banheiro com chuveiro elétrico, cama e uma mesa. Não tem grades, apenas uma porta fechada pelo lado de fora.
O espaço onde o ex-presidente está preso é vigiado 24 horas por policiais federais. Ele tem direito a banho de sol de duas horas e tem um esquema diferenciado de visitas: todas as quintas-feiras (familiares e 2 amigos por vez). Os presos comuns podem receber visitas apenas às quartas-feiras.
Via PE Notícias








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