Petrolândia Notícias – Em pleno fim do período úmido, Sobradinho, o maior reservatório do Nordeste, está em 15% da capacidade

Em pleno fim do período úmido, Sobradinho, o maior reservatório do Nordeste, está em 15% da capacidade

30 de maio de 2017 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Já estamos no final de maio e, com ele, chega o fim das chuvas intensas e do período úmido do setor elétrico. Isso quer dizer que a água que chegou aos reservatórios chegou – e, o que não veio, só no ano que vem. Para os mais emotivos ou desesperados, a água que faltou para a energia aparece em forma de lágrimas toda vez as tais bandeiras amarela ou vermelha aparecem na conta de eletricidade. Há quem diga que o responsável por tudo isso tem um nome: São Pedro.

Realmente, uma análise rápida sugere que a culpa desse cenário é da falta de chuvas, algo além de nosso controle. Mas, ainda que as chuvas do primeiro trimestre de 2017 tenham sido muito aquém do esperado, pior mesmo que o de 2001, ano do racionamento, seria leviano culpar o clima ou o tal santo barbudo pelos gastos com energia.

A origem do problema está na estagnação da visão de longo prazo do próprio setor elétrico brasileiro, que no século passado avançou bastante em uma matriz renovável, mas que há décadas insiste no modelo de hidrelétricas e termelétricas, valendo-se de estratégias como tarifas sazonais para grandes consumidores e o acionamento de termelétricas a combustíveis fósseis – o que já mostra sinais inequívocos de esgotamento. Em pleno fim do período úmido, Sobradinho, o maior reservatório do Nordeste, está em 15% da capacidade. Ou seja, com o sistema atual não dá mais, precisamos inovar.

Expandir a geração hidrelétrica não é mais uma opção. Mais usinas implicam impactos socioambientais expressivos em áreas amazônicas permeadas de comunidades indígenas e de biodiversidade única que geram desmatamento e também impactam em processos hidrológicos que reduzirão a disponibilidade hídrica. Essa não é apenas uma visão romantizada da região: os diversos conflitos, o arquivamento pelo Ibama do licenciamento da usina São Luiz do Tapajós e as pendências judiciais que ainda envolvem as hidrelétricas do Rio Madeira e a usina de Belo Monte são prova real que essa alternativa é inviável, sem comentar todos os processos de corrupção associados a grandes empreendimentos. Somam-se a isso as previsões de escassez hídrica no horizonte 2040. Estudos da Aneel e da SAE sobre o assunto indicam queda na capacidade de geração das hidrelétricas entre 10% e 30% nas próximas décadas.

Via PE Notícias
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