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Análise política: pensando o Brasil pós-Dilma

21 de março de 2016 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Está muito claro que boa parte dos políticos e do mercado já trabalham com um governo sem Dilma Rousseff num prazo curto, seja pela renúncia da presidente, seja pelo impeachment de seu mandato. Essa perspectiva se dá não pela possibilidade de o PT entregar os pontos e abandonar seu projeto de poder, porque isso não ocorrerá. Ela passa a existir quando são examinados todos os cenários para o futuro. Neles não é possível vislumbrar uma solução com Dilma e seu grupo, pois a tendência será a radicalização do processo político nas ruas, forçado tanto pelos governistas quanto pelos contrários ao governo. A consequência imediata é o agravamento da crise política.

Esse movimento antagônico forçará o Congresso a tomar uma posição. Como nenhum político tem vocação suicida, ela deverá ser a favor da maioria, que hoje condena o governo, seja pela quantidade de gente que ocupa as ruas, seja pelo resultado das pesquisas de opinião pública publicadas nos últimos dias, a exemplo do Datafolha de domingo (20). A cada dia que passa o processo de impeachment da presidente ganha força. Na entrevista a Alberto Bombig, publicada nesta segunda-feira (21), pelo Estadão, sem nenhuma cerimônia o senador tucano José Serra adianta os passos da formação de um eventual governo do vice Michel Temer, com o qual ele já vem negociando. Essa mesma falta de cerimônia já vem sendo adotada pelo mercado, que faz negócios como se o governo de Dilma Rousseff pertencesse ao passado.

A fórmula de um governo Temer revelada por Serra segue esboço quase igual ao de Itamar Franco (1992/1994), que substituiu Fernando Collor depois do processo de impeachment e da cassação do mandato daquele que se intitulou “o caçador de marajás”. Diz Serra que deverá ser um governo de união nacional, com participação de todos os partidos e formação de um ministério surpreendente. Igualzinho o de Itamar. Na época, só o PT não aceitou participar do governo. O mesmo deve ocorrer agora num hipotético governo de Michel Temer.

Serra afirma que a população está aflita não porque desgosta de Lula ou Dilma, mas porque a queda de renda das famílias, o desemprego, a deterioração dos serviços têm exasperado o Brasil de ponta a ponta, exemplo muito semelhante ao que ocorreu durante o governo de Collor. Existe ainda a corrupção. Na época do impeachment de Collor, as denúncias contra o governo alimentaram uma CPI instalada no Congresso, fundamental para o processo de afastamento. No governo de Dilma não há nenhuma CPI forte a atormentar o governo. Mas há a Operação Lava Jato e outras semelhantes, com poder de investigação maior do que uma CPI e com mais casos de corrupção levantados do que aqueles do governo Collor.

Por João domingos/ Via PE-Notícias
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