Petrolândia Notícias – Demissão de Henrique Alves foi motivada por delações ainda não divulgadas

Demissão de Henrique Alves foi motivada por delações ainda não divulgadas

17 de junho de 2016 Postado em: Destaques Nenhum comentário


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Após ser envolvido em uma série de acusações na Operação Lava-Jato, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu demissão nesta quinta-feira (16/06). Apesar de a decisão de deixar o governo ter sido tomada um dia depois de novas revelações da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado o atingirem, Henrique Alves só sacramentou sua demissão após receber a informação de que existem provas inéditas, desta vez documentais, contra ele, como antecipou o blog do jornalista Jorge Bastos Moreno. Segundo integrantes da cúpula do governo e do PMDB, Alves teria sido informado sobre a descoberta de um depósito de empreiteira em uma conta sua na Suíça.

Aliado histórico e amigo próximo do presidente interino, Michel Temer, Henrique Alves é o terceiro ministro a cair em apenas 35 dias de governo. Antes dele, Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência) deixaram de ser ministros também devido a citações ou declarações relativas à Lava-Jato. O presidente interino chamou Henrique Alves ao seu gabinete na noite de quarta-feira após vir a público a delação de Sérgio Machado acusando Alves de ter recebido R$ 1,5 milhão para várias campanhas e de fazer lobby para empresas de tecnologia e serviços serem contratadas pela Transpetro. Os recursos eleitorais teriam como origem contratos entre a estatal e as empreiteiras Queiroz Galvão e Galvão Engenharia. Nesta conversa, Temer pediu ao ministro para pensar sobre a necessidade de deixar o governo:

— Se tem alguma coisa concreta contra você, não tem como você ficar no governo, disse o presidente interino a Alves, segundo relato de um participante da reunião.

Na manhã desta quinta, Alves conversou com o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) para discutir sua situação. Foi aconselhado a pedir demissão, o que fez horas depois. Segundo um auxiliar de Temer, na conversa com o presidente, Alves avaliou que, enquanto estivesse no governo, seria alvo ainda maior de vazamentos e especulações em torno da Lava-Jato. Temer acrescentou que ele não conseguiria fazer bom trabalho nessas circunstâncias, e que o ambiente só iria se “agudizar”.

— Ele sentiu o clima e resolveu se antecipar, fez um gesto previdente, disse o assessor.

Na noite de quinta-feira, indagado através de sua assessoria sobre a possível existência de repasses para uma conta dele na Suíça, Alves não confirmou nem negou: “Sempre pautei minhas atitudes e relações pela ética, respeito institucional aos cargos públicos ocupados e valores republicanos. Repudio ilações envolvendo o meu nome, reafirmo a confiança nas instituições do estado democrático de direito brasileiro. Estou à disposição das autoridades competentes e prestarei os esclarecimentos necessários nas instâncias adequadas quando solicitado”.

MINISTRO ERA UM DOS MAIS PRÓXIMOS DE TEMER

Em sua delação, Sérgio Machado afirmou que o ex-ministro era insistente na busca de doações. “Ele (Henrique Alves) ligava diversas vezes para a Transpetro e o depoente ligou algumas vezes para ele”, diz trecho do depoimento.

Na conversa definitiva com Alves, durante à tarde, segundo relatos de auxiliares, Temer se mostrou “abaladíssimo” e comentou que estava perdendo amigos no governo, o que lamentava muito. Os dois conversaram por mais de uma hora. Alves é um dos peemedebistas mais próximos a Temer e há muitos anos integra o mesmo grupo dentro do partido. Agora, do núcleo político que há anos acompanha Temer, há apenas três em cargos estratégicos do governo: os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Governo), e o ex-governador Moreira Franco, coordenador do programa de privatizações.

O Globo
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