MPF diz que OAS pagou avião de Eduardo Campos, para ajudar clandestinamente em custos de campanha presidencial
31 de julho de 2016 Postado em: Destaques Nenhum comentário
O Ministério Público Federal da 5ª Região está convencido de que a empreiteira OAS, que trabalha nas obras da Transposição do São Francisco e que também teve contratos milionários com a Petrobras na Refinaria Abreu e Lima (em Suape), usou o esquema de empresas fantasmas desvelado pela Operação Turbulência para comprar, por meio de artifícios, o avião Cessna Citation usado pelo então candidato a presidente Eduardo Campos, morto em um acidente em agosto de 2014, em Santos, São Paulo.
O ex-secretário de imprensa dos governos de Eduardo Campos, Evaldo Costa, rebateu as informações e disse, em contraponto, a acusação, apesar de tão direta, foi tirada de suspeitas e suposições. No dia em que a operação foi deflagrada, em junho, na capital pernambucana, a Polícia Federal limitou-se a informar que a empresa Câmara e Vasconcelos, operada pelo testa de ferro Paulo César Morato, havia recebido cerca de R$ 18 milhões da OAS, oriundos de projetos como a transposição do São Francisco.
A ligação entre o nome da empreiteira nacional, investigada na Operação Lava Jato, e a polêmica aeronave que vitimou o ex-governador é feita em várias notas de um parecer entregue pelo procurador regional do MPF Francisco Chaves dos Anjos Neto, no dia 04 de julho, ao defender a manutenção da prisão de dois dos três empresários de serem os cabeças do esquema fraudulento, João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Eduardo Freire Bezerra Leite, também chamado de Eduardo Ventola.
“A hipótese investigativa levantada inicialmente pela autoridade policial é a da possibilidade de os repasses feitos às empresas utilizadas pela suposta ORCRIM (organização criminosa) investigada terem o propósito de dissimular o custeio das dívidas de campanha política do ex-candidato à Presidência da República EDUARDO CAMPOS, por parte da Construtora OAS, inclusive para viabilizar a aquisição da aeronave, para ser por ele usada na campanha”, escreve, na nota numerada 44.
“Depois de mais diligências terem sido encetadas (feitas), a tese se reforçou no sentido de uma possível atuação dos investigados adiante identificados (e de outros indivíduos), há pelo menos seis anos, em transações financeiras que objetivavam dissimular a origem espúria de ativos financeiros provenientes, notadamente, da prática de corrupção e desvio de recursos públicos”, completa, na nota numerada 45.
Embora não se saiba o inteiro teor das delações dos dois operadores de Alberto Youssef, o procurador regional comenta, no mesmo documento e na sequência, investigação relativa a investimentos públicos em Pernambuco.
“Além disso, (referência às atividades do empresário na sua empresa de factoring e o delivery de recursos monetários in natura), João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho fora mencionado, na mesma Operação Lava Jato, como o encarregado de entregar propina (grifo do procurador) devida pela empreiteira Camargo Correa ao ex-governador Eduardo Campos e ao senador Fernando Bezerra Coelho, isso em decorrência das obras da Refinaria Abreu e Lima/PE”, escreve.
Em depoimento na Polícia Federal de Brasília, o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho chegou na afirmar que a compra do avião fazia parte de um plano comercial, de montagem de uma empresa de taxi aéreo no Recife. No mesmo parecer do MPF local, o procurador Regional demonstra ter visto motivações políticas.
“Para completar, atribui-se ao mesmo João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho o fato de ter figurado como adquirente do avião com prefixo PR-AFA, cuja aquisição… tinha o sentido de fincar raízes ao longo do tempo junto a políticos poderosos, (grifo do procurador) não fosse um acidente que matou um deles, conforme será mais adiante mencionado…”
Defesa de Eduardo Campos
O ex-secretário de imprensa dos governos de Eduardo Campos, Evaldo Costa, refutou as acusações, por meio de nota enviada ao Jornal do Commercio, nesta sexta-feira.
“É inacreditável que se faça acusações tão sérias contra alguém que não está aqui para se defender baseando-se somente em especulações delirantes e em suspeitas infundadas. Se as autoridades citadas têm alguma coisa contra Eduardo, por que não agem? Simplesmente porque não há qualquer fato que respalde as ilações absurdas, caluniosas”.
“Fica no ar a pergunta: por que se deseja tanto macular o nome e a honra da liderança política mais importante de Pernambuco nas últimas décadas? O povo de Pernambuco sabe quem foi Eduardo e tudo de bom que ele fez pelo estado e não se deixará impressionar por maquinações de véspera de eleição.”, afirma o jornalista e amigo pessoal de Eduardo Campos.
Via PE Notícias








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