Os dias 9 e 10 de março, segundo a Sociedade Internacional de Nefrologia (SIN), são dias para falar sobre os cuidados que se deve ter com este importante órgão de nosso corpo: o rim.
Coincidentemente nesta terça-feira (08.03) saiu o resultado de um exame que avaliou a situação dos rins da cantora, Paulinha Abelha, morta no dia 23 de fevereiro em Aracaju. O exame revelou que ela possuía lesões graves nos rins e morreu, segundo a certidão de óbito por 4 causas: meningoencefalite, hipertensão craniana, hepatite e insuficiência renal aguda.
O resultado da biópsia renal (laudo anatomopatológico) mostra que a cantora teve uma necrose tubular aguda (NTA) muito acentuada. Ou seja: o exame é dividido em duas partes, a primeira diz respeito a conclusão da Necrose Tubular Aguda, conhecida como NTA, que é uma das principais causas da insuficiência renal aguda decorrentes de lesão no local do rim, responsável pelo seu funcionamento e principal local que filtra as impurezas do corpo. Como foi muito acentuada, o rim normalmente para de funcionar.
Pela amostra coletada do rim, a nota médica explica que, dentre as razões que levam à NTA não foi possível diferenciar se teve um insulto isquêmico (quando algum motivo prejudica a chegada de sangue para os órgão do corpo) ou nefrotoxicidade (que pode ser por toxinas produzidas pelo próprio corpo ou toxinas externas, como medicamentos).
Fibrose intersticial e atrofia tubular leve (10%). Tradução: demonstra que as demais regiões do rim tiveram comprometimentos variados, de fibrose a atrofia leve, achados poucos específicos para chegar a um diagnóstico definitivo. Apesar das lesões comprovadas o exame não confirma se elas teriam relação com uso de medicamentos.
Esse caso serve de alerta para como você está tratando seus rins. A função deles (e temos 2) é filtrar produtos do metabolismo de aminoácidos (especialmente ureia) do sangue, excretar na urina.
saiba mais sobre a morte da cantora
OS RINS – são os responsáveis por manter sob controle os níveis de eletrólitos, a pressão arterial e os líquidos, entre outros. Assim como ocorre com os demais sistemas do corpo, eles estão em risco contínuo de contrair infecções e vários tipos de doenças. O problema é que as doenças que afetam os rins geralmente não apresentam sintomas nas etapas iniciais e costumam ser muito difíceis de diagnosticar, a não ser por meio de exames de sangue e urina. Mas, há alguns sinais que você pode observar, antes de procurar um nefrologista.
O sintoma mais fácil de se observar são as alterações na urina. Mais vontade de urinar no meio da noite, urina com aspecto espumoso ou borbulhante, odor fétido, cor escura e presença de sangue na urina, são motivo de preocupação. Há ainda outros sintomas, que podem ser confundidos com problemas comuns. Um exemplo? Cansaço excessivo. A fadiga crônica é o resultado da dificuldade que o sangue tem para transportar o oxigênio até as células do corpo quando desenvolve um problema renal. Os rins têm muito a ver com a produção de glóbulos vermelhos e sua deterioração impede que eles sejam produzidos nas quantidades adequadas.
Outro exemplo: Coceira na pele. Por meio da função renal uma grande parte das toxinas do sangue é eliminada do corpo através da urina. Quando há um mau funcionamento dos rins, os resíduos ficam retidos nos tecidos e é comum sentir coceira ou formigamento sob a pele. Também podem aparecer edemas. A retenção de líquidos ou edema é um dos sintomas mais contundentes das doenças nos rins. Ainda que seu surgimento seja influenciado por muitos fatores, a insuficiência renal é uma das causas principais.
E finalmente, dor nas costas. Às vezes a pessoa imagina que está com algum problema de coluna, por sentir dores na região lombar ou nas costas, mas pode estar com alguma doença renal. Embora este não seja um sintoma muito comum, pode ocorrer diante da presença de pedras nos rins ou nas vias urinárias. Nestes casos a dor costuma aparecer devagar e ir se intensificando ao longo dos dias, acompanhada de outros sintomas, como as dificuldades para urinar e a sensação de ardor.
DCR – A doença renal crônica (DRC) se caracteriza pela lesão irreversível nos rins, mantida por três meses ou mais, afetando uma em cada 10 pessoas no mundo e com taxas crescentes de acometimento na população. Quando diagnosticada de forma precoce, sua progressão pode ser controlada ou retardada, na maior parte dos casos. Porém, em geral, a DRC não provoca sintomas significativos ou específicos nos estágios iniciais, fazendo com que seja fundamental o conhecimento sobre a doença, seus principais fatores de risco (como hipertensão arterial e diabetes mellitus) e exames simples de rastreamento diagnóstico (creatinina sérica e exame de urina).
A DRC pode ser grave, sobretudo quando evolui para estágios avançados, quando são necessários tratamentos como a diálise e o transplante renal. No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes com DRC avançada é crescente, sendo que atualmente mais de 140 mil pacientes realizam diálise no país.
Mesmo com a estimativa de que em 2040 a doença renal crônica possa ser a 5ª maior causa de morte no mundo, existe uma persistente lacuna de conhecimento sobre a doença, que não tem sido preenchida. A Campanha do Dia Mundial do Rim (DMR) 2022 idealizada pela International Society of Nephrology (ISN) e coordenada no Brasil pela SBN, foca justamente na educação sobre a doença renal em todos os setores de saúde:
Comunidade – Os obstáculos para uma melhor compreensão da saúde renal incluem a linguagem complexa utilizada nas informações sobre a DRC, a falta de conhecimento básico, a disponibilidade limitada de informações sobre o tema e a falta de prontidão para o aprendizado.
Profissional da saúde – Outra barreira que deve ser superada para garantir uma melhor conscientização sobre a doença renal, é a formação mais focada dos médicos relativa ao tema.
Formuladores de políticas em saúde pública – A doença renal crônica é uma ameaça global à saúde pública, mas não é priorizada nas agendas governamentais de saúde, junto às outras Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).
A conscientização e a educação sobre a doença renal nesses diversos setores é o intuito da presente campanha. Além disso, o DMR 2022 tem como objetivos:
– Reforçar a importância de incentivar a população geral e os pacientes renais crônicos a adotarem um estilo de vida saudável;
– Conscientizar os pacientes renais e suas famílias, capacitando-os para alcançarem uma melhor qualidade de vida;
– Incentivar e apoiar médicos da atenção primária a melhorarem o conhecimento e condução da DRC em todo o espectro de prevenção da doença;
– Integrar a DRC às outras DCNT em programas de serviços abrangentes e integrados, possibilitando a detecção precoce e rastreamento da doença renal crônica em âmbito nacional, além de informar os gestores públicos sobre o impacto da doença nos orçamentos/sistemas de saúde, encorajando a adoção de políticas e alocação de recursos, de forma a garantir a todos os renais crônicos uma adequada qualidade de vida.
Lembre-se: tome muita água. A água limpa os rins. E procure um médico sempre que sentir qualquer coisa diferente.
Via Portal Matogrosso































